quinta-feira, 8 de junho de 2017

Menos é mais...

O intitulado mobiliário nórdico é dotado de uma leveza ímpar e esta característica vai ao encontro do chavão que dá título ao artigo. Quantas vezes nos damos conta de que o menos é mais?! As linhas rectilíneas presentes neste estilo de mobiliário fornecem às peças o suficiente poder impactante para preencherem um espaço de modernidade. Nos anos 50 e 60, do século passado, países nórdicos como a Suécia, Dinamarca ou Finlândia atingiram o auge na produção de um mobiliário funcional, visualmente apelativo e executado com os materiais mais nobres. Pragmático, o design escandinavo fez escola e influenciou outros países, um pouco por todo o mundo, incluindo Portugal. É muito comum encontrar-se no nosso país mobiliário de produção nacional, mas com influência nórdica e que em nada fica a dever ao executado pelos afamados designers dos países nórdicos. Admitamos, gostar do que é nacional pode levar ao exagero, mas não é o caso, como poderemos perceber mais à frente. Em casas de pessoas com mais idade, que ainda viveram as referidas décadas ou em espaços comerciais, decorados com originais apontamentos vintage, frequentemente nos deparamos com os famosos "pés de palito" e dificilmente lhes ficamos indiferentes. 



Fotografia alusiva à "escola alemã" (Leipzig) 


Os valores que as peças nórdicas originais podem atingir são variáveis, mas é de esperar que sejam altos, por estarem na moda e sobrevalorizados. Na P55, uma loja, localizada em Matosinhos, também com espaço virtual e leilões, é frequente aparecer mobiliário nórdico antigo e de autor, por isso é um bom local para dar uma vista de olhos no que vai sendo colocado à venda e assim ter uma percepção da sua cotação. Em lojas de solidariedade social e em lojas de antiguidades é mais comum aparecerem peças de produção nacional, com influência nórdica, são uma opção mais económica, mas não menos válida. Pontualmente, é mesmo possível ver peças à venda da Olaio, uma marca portuguesa que mobilou o país de norte a sul e que, na década de 60, pela mão do designer José Espinho, trouxe a funcionalidade e o utilitarismo dos móveis com linhas simples a Portugal. A qualidade dos móveis era tal que a Olaio chegou a trabalhar para empresas nórdicas, por aqui já se percebe o nível de excelência, mas, como não há nada como comprová-lo com os próprios olhos, ainda é possível visitar alguns locais que conservam peças da icónica marca e perceber a dimensão do legado deixado (Hotéis como o Ritz ou o Tivoli e o Casino do Estoril são alguns exemplos). Segundo rezam as crónicas, descendentes do fundador, José Olaio, querem retomar a actividade da empresa, mas em moldes diferentes. A estratégia passará por delegar em empresas sólidas do sector, localizadas no norte do país, a produção do mobiliário. As informações disponíveis são algo dispersas, por isso nada como esperar para ver o que acontece, mas seria motivo de regozijo ver a Olaio de novo no mercado.

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