quarta-feira, 31 de maio de 2017

Herança patrimonial e histórica

Restaurar! Esta parece ser a ordem do momento e isto é verdade em relação a várias áreas. As ligações emocionais, a salvaguarda de memórias, a paixão e o gosto são as razões mais evidentes para alguém se dedicar ao restauro, mas haverá outras, mais implícitas, que serão de apontar também. Restaurar é contrariar o consumo desenfreado das sociedades contemporâneas, é reciclar e dar nova vida ao que já de si está valorizado pela passagem do tempo. Tudo o que aqui está escrito é bem patente no grande processo de restauro imobiliário a decorrer em algumas cidades do país. O aumento do turismo, os incentivos financeiros, a maior sensibilidade instaurada para com o património e a identidade, o próprio amadurecimento dos investidores ao perceberem a oportunidade de negócio no "velho", tudo isto se reflecte no Porto e nós podemos atestar da veracidade da afirmação. É impressionante a quantidade de imóveis em restauro na Invicta e não se pense que isto acontece só na baixa, pois os andaimes estão instalados por todo o lado e a cidade ganha uma nova cor. Nunca como agora se viram também tantos veículos antigos a circular pelas ruas da cidade, restaurados, lindos e os donos deixam transparecer a legítima vaidade, pois estão a exibir peças que se tornaram únicas. Aos carros juntam-se agora as motas antigas, recuperadas e a circular como em outros tempos. A prevalência parece ir para as motas de fabrico nacional, por isso é muito comum ver-se a Famel ou a Casal em desfile e conduzidas por jovens, o que acrescenta ainda mais importância ao momento. O que leva alguém a pagar tanto pelo restauro de um móvel antigo como pagaria por uma peça nova?! Tudo aquilo que aqui temos relatado, são as memórias, é a preservação de património e a paixão pela arte do restauro. Realizados por meios próprios ou delegados em verdadeiros artistas, o certo é que há restauros extraordinários e que dão sentido ao acto de inverter o impulso de compra do novo. 


E tudo começa assim...

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sport's Coleccionismo de Desporto

Caros leitores, não se admirem, é mesmo no número 535, da Rua Godinho Faria, em S. Mamede de Infesta, que tem portas abertas a Sport's Coleccionismo de Desporto, o mais completo espaço do género no país dedicado, em exclusivo, ao desporto. Os artigos que se podem encontrar na loja serão uma surpresa para quem a visita pela primeira vez, pois as peças de que estamos a escrever, pela sua raridade e valor, só costumam ser encontradas em museus. Puro engano, estão à venda e ao alcance de cada um de nós, apreciadores do mundo desportivo nacional e internacional. Pode achar que por via autónoma conseguirá adquirir peças iguais às expostas na loja, afinal, sempre vão aparecendo raridades nas feiras, mas aqui o que fará a diferença é o faro de Pedro Araújo para encontrar verdadeiras preciosidades. Dizem-lhe estar no sangue de família, mas assumido é apenas o árduo trabalho feito em feiras de velharias e coleccionismo, junto de atletas e treinadores, a quem compra espólios e em clubes que encerram as suas actividades. A Sport's Coleccionismo de Desporto tem tido merecida exposição mediática, por isso é natural que já a conheçam, mas, isto podemos garantir, presencialmente e sem os holofotes, Pedro Araújo tem uma postura mais descontraída e divertida. Será difícil encontrarem no país um local de venda em que se concilia, de forma tão sui generis, o negócio e a partilha de estórias e história das peças. Para quem colecciona artigos alusivos ao desporto desde pequeno, como Pedro, é natural que ter de vender algumas peças especiais deixe algum amargo de boca, mas serão os ossos do ofício, como dirão os mais experimentados.  


Bandeira do Vitória Sport Clube bordada à mão.


Separata do Mundo de Aventuras. A equipa do Sport Lisboa e Benfica que fez o jogo de inauguração do Estádio da Luz contra o F. C. do Porto.

Servem estes artigos, disponíveis na Sport's Coleccionismo de Desporto, para lançar a final da Taça de Portugal. Agendada para este Domingo, coloca em campo duas equipas que costumam proporcionar bons espectáculos de futebol quando jogam entre si. Esperamos que este desafio não fuja à regra e que possa fechar em beleza uma época algo atribulada. Os motivos de interesse são vários, para além daqueles que, obviamente, estarão relacionados com o fervor clubístico associado a Vitorianos e Benfiquistas. Pela primeira vez, será utilizado o vídeo árbitro em competições oficiais portuguesas, mas será que vão acabar os lances polémicos?! Marcelo Rebelo de Sousa entregará a taça com ou sem selfie?! E o Jamor, ainda estará à altura para receber duas falanges de apoio tão representativas como são as do Vitória Sport Clube e do Sport Lisboa e Benfica?! É verdade que este ano temos futebol até mais tarde, com a participação da Selecção Nacional na Taça das Confederações, realizada na Rússia, mas estas competições já começam a revelar a despedida. Valha-nos a Silly Season para nos entreter até a nova época começar!

 

Peso para Musculação

O futebol é apenas uma das modalidades presentes na Sport's Coleccionismo de Desporto, através da memorabilia desportiva, mas, neste autêntico lugar de culto, poder-se-ão encontrar também peças antigas e representativas de outras modalidades. Cadernetas, cromos, mascotes, galhardetes, brinquedos, programas de jogos, troféus, pins, emblemas de lapela e de radiadores, cachecóis, camisolas, fotos, jornais, revistas, objectos, livros, cartões de sócio, bilhetes, papelada, cartazes de eventos, medalhas... Curiosos?! 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

A maior frutaria de Portugal

O Minipreço tem andado a prometer aos portugueses colocar à sua disposição "A maior frutaria de Portugal". O anúncio criado para a campanha é deveras oportuno, então, não é que se lembraram de recuperar a canção da Dina, Amor de Água Fresca?! Finalmente, apareceu alguém sem malícia e que conseguiu perceber a verdadeira aplicabilidade daquela cesta: vender fruta (ponto). Homenagearam a cantora, entretanto, retirada dos palcos, aproveitaram o momento vivido por Portugal no concurso que deu fama à Diva, Dina, melhor escrevendo e conseguiram um anúncio envolvente, o que se poderia querer mais?! Perfeito, Nossa, a agência criativa digital responsável pelo anúncio e que tem arrecadado diversos prémios, inclusive o prestigiado galardão, atribuído pelo Sapo, para a melhor das melhores! Sapo?! Que ninguém se lembre de recuperar a canção da Maria Armanda, Eu vi um sapo, é que esse tudo comeu e nem ofereceu, o mesmo será escrever que destruiu uma carreira promissora. Parece incrível, mas a canção teve tanto sucesso, no 23º Zecchino d'Oro, em 1980, que por muitas tentativas feitas pela artista para diversificar o seu reportório o público pedia-lhe para cantar sempre a mesma canção. Maria Armanda fartou-se e mudou de actividade, mas ainda há quem a reconheça e continuam a pedir-lhe para cantar a Eu vi um sapo, com a agravante de agora o fazerem fora dos palcos. Bom, o melhor é ficarmos por aqui e não contribuirmos mais para esta espécie de bullying artístico. 



Cesta em vidro 




Disco alusivo ao 23º Zecchino d'Oro

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Peças de Museu

A Praia das Maçãs dista apenas "um trilho de eléctrico" do sopé da Serra de Sintra, por isso, à maresia, tem o privilégio de poder acrescentar o ambiente encantado que se vive por toda aquela região. Quem ouve falar desta praia imagina-a cheia de maçãs, espalhadas pelo areal, trazidas pela espuma das ondas do mar e a verdade é que é isso mesmo a versar na lenda. Não se pense, por estas palavras, que o mar ali é sereno, pelo contrário, é bem agitado, mas isso nunca foi visto como um entrave para o desenvolvimento de uma estância balnear. A história mais recente da região, ao longo do século XX, está pejada de acontecimentos reveladores da sua importância no panorama turístico nacional. A implementação da linha férrea, referente ao famoso eléctrico a ligar Sintra à zona costeira, a construção do Hotel Royal Belle Vue, muito inovador para a época e executado com financiamento de capitais estrangeiros, o rebuliço nos restaurantes, bares e discotecas, furor dos tempos mais recentes, são alguns dos marcos a assinalar. O Barmácia está incluído no lote de espaços que fizeram brilhar a Praia das Maçãs durante os anos 90, mas, com o passar dos anos e bastante à imagem do que aconteceu a toda a região, foi ficando ultrapassado e pouco atractivo. A boa gastronomia local estará sempre relacionada com os locais turísticos de referência e a Praia das Maçãs é conhecida pelos seus suculentos mexilhões, por exemplo, mas foi preciso ser o Chef Ljubomir Stanisic, através do seu programa Pesadelos na Cozinha, a dar um abanão ao responsável do Barmácia para que este se tornasse num real embaixador gastronómico local. O referido programa da TVI tem sido um enorme sucesso de audiências e tem trazido à baila questões que andavam um pouco adormecidas, como a segurança alimentar: a ver se a ASAE não voltou a ser notícia num ápice... As intervenções de Ljubomir Stanisic, nos espaços que a ele recorrem para incrementar vendas, podem incluir renovações na arquitectura de interiores e foi o que aconteceu no bar restaurante de João Pires. O que nos levou a fazer esta incursão pela Praia das Maçãs e pelo Barmácia foi o suspiro dado pelo dono quando viu o resultado da intervenção feita pela equipa de Ljubomir: "tiraram as minhas peças de museu, tantos anos a coleccioná-las..." :)


Postal com o eléctrico e a serra de Sintra em fundo

Como nós o compreendemos, mas, mesmo partilhando o suspiro pelas relíquias, temos de reconhecer quando as mudanças são para melhor e foi o caso, onde até tiveram o cuidado de pintar as paredes com cores utilizadas antigamente nas farmácias. Parece ser uma tendência conjugar peças de decoração contemporâneas com apontamentos "peças de museu", como disse o Sr. João, como tal, ainda haverá espaço para uma ou outra relíquia, mas, atenção, os coleccionadores têm alguma dificuldade em estabelecer limites para o razoável, por isso o melhor é ir passando pelo Barmácia e "monitorizar" a situação. Do que foi possível perceber, através do episódio televisivo, parece existir simpatia e abertura suficientes para um agradável programa no gastrobar, por isso, agora que o tempo está mais convidativo, fica a nossa sugestão para com um amigo das colecções e uma bela região a necessitar de voltar aos tempos áureos.


Antigo anúncio, à Costa de Lisboa, presente na revista Nova Gente



Porta Chaves da quase centenária Galucho

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Rally de Portugal

O Automóvel Club de Portugal foi fundado em 1903 e a organização de provas com competição automóvel, em território nacional, sempre foi um dos principais objectivos dos seus criadores. Através do ACP, Portugal organizou algumas das provas mais míticas da competição automóvel, como será o caso do Rally TAP, de 1967, evento que ainda hoje é referido como um exemplo daquilo que é pretendido para uma prova desta natureza. Com competição aguerrida, adesão do público e a logística a funcionar, na perfeição, não foi de admirar a inserção do Rally TAP no Campeonato do Mundo de Ralis, seis anos após a primeira prova e todos os prémios alcançados, alguns já com a denominação Rally de Portugal. Cinco vezes considerado o melhor Rally do mundo, a verdade é que, ao longo da sua história, o evento já passou por alguns apagões internacionais e até algum desinteresse interno. A prova de que os responsáveis pela organização nunca deixaram de acreditar no valor associado ao Rally é a pujança com que este aparece hoje como etapa integrante do campeonato do mundo: realiza-se a norte do país, consensualmente com os circuitos de mais sucesso junto do público e dos pilotos, tem um patrocinador de peso, a Vodafone e voltou granjear o respeito nacional e internacional. 


Curiosa esta medalha, alusiva ao IV Rallye da Casa do Pessoal Cidla, primeiramente, por ser do ano da estreia do Rally TAP e depois, cruzando a emblemática data com o facto de ser já a IV edição da prova, denota a tradição que as competições automóveis têm em Portugal. Se dúvida houvesse, bastaria utilizar como barómetro a adesão à 25ª Automobilia de Aveiro para se ter real noção do interesse que este e outros temas, relacionados com os transportes, suscitam aos portugueses. Com particular destaque para o coleccionismo e história dos transportes, a Automobilia de Aveiro 2017 decorrerá no dias 19, 20 e 21 de Maio. Com organização do Clube Aveirense de Automóveis Antigos, a mais antiga feira e exposição do género promete não defraudar quem se deslocar ao Parque de Feiras e Exposições de Aveiro e fazer valer a pena os 7 euros de custo do ingresso. Com o WRC Vodafone Rally de Portugal 2017 a arrancar já hoje estão abertas as hostilidades para um dos fins de semana mais preenchidos de sempre para os aficionados do mundo automóvel.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Clube Chapas

Sejam bem vindos ao fascinante mundo das chapas e deixem-se maravilhar pelo primor na execução de cada peça, pelo colorido, que prende a atenção e por toda a história presente. "O Saber do Passado para Segurar o Futuro", este é o lema do Chapas - Clube Histórico e Acervo Português da Atividade Seguradora, uma associação, sem fins lucrativos, constituída, por "gente dos seguros", com a finalidade de preservar todo o património que o sector das seguradoras vai gerando. As chapas metálicas estão fortemente ligadas aos primórdios das seguradoras e assumem-se como figuras centrais do espólio, mas este é bem mais diversificado e isto estará relacionado, com toda a certeza, com a extrema sensibilidade de Vítor Alegria, sócio fundador e presidente do clube, para com o património. A semente do projecto actual foi lançada aquando da iniciativa, perpetrada por três colegas da actividade seguradora, de agregar em livro as colecções mais completas de chapas do país. As sucessivas solicitações para apresentações da obra vinham sempre acompanhadas de salutares convívios, com outros entusiastas do coleccionismo e do património, que desafiaram os seus autores a irem mais além na iniciativa. O empreendedorismo presente no grupo fez com que não tardasse a aparecer o Clube Chapas e com este mais de 3000 peças e documentos angariados até ao momento. 



As chapas de seguro de incêndio e as chapas de seguro de automóvel são os tipos de peças que mais se destacam no acervo. Estas peças fazem parte da história dos seguros, mas, apesar de já não serem utilizadas directamente na actividade, continuam na berlinda e isto muito por obra e graça dos coleccionadores. Não admira a razão de tanto fascínio pelas chapas, os materiais e acabamentos utilizados eram de grande qualidade, a execução aprimorada e o trabalho gráfico ainda hoje deixa qualquer um rendido. Nem só da aparência se faz o furor destas peças, as chapas contam também a história do sector e esta vale a pena ser abordada, ainda que de forma muito superficial, como será normal em espaços desta natureza. Teremos de recuar até 1666 e ao período após o devastador incêndio de Londres para encontrarmos os primeiros sinais daquilo que começava a ser feito, de modo a encontrar soluções para salvaguardar bens e pessoas dos imponderáveis da vida. Acredita-se que os seguros tenham aparecido no seguimento da catástrofe londrina e que as chapas de incêndios seriam utilizadas para facilitar a articulação entre as corporações de bombeiros e as restantes organizações envolvidas no tratamento das ocorrências. As chapas eram afixadas no exterior das habitações seguradas, com indicação do número da apólice do segurado, facilitando assim todo o processo. Com o passar do tempo as chapas foram perdendo alguma importância nestas dinâmicas internas da actividade, foi-se criando outro tipo de logística, mas, qual sina dos imprescindíveis, passaram a ganhar maior visibilidade para a publicidade. Portugal bebeu muita desta sabedoria vinda de Inglaterra e viu muitas seguradoras serem criadas, utilizando as icónicas chapas de incêndio e as chapas de seguro de automóvel que agora fazem as delícias dos coleccionadores. As "taxas e taxinhas", tão portuguesas, afinal, impossibilitaram as seguradoras de continuarem a utilizar as chapas com fins publicitários e a natureza frágil dos materiais presentes nos automóveis modernos fez com que caíssem em desuso nessa vertente.


É infindável a diversidade de objectos existentes no espólio recolhido até ao momento pelos mentores do projecto. Destacamos um documento alusivo à seguradora Argus, sediada que esteve na cidade do Porto, mas valerá a pena fazerem uma visita ao museu virtual do Clube Chapas e, quem sabe, estabelecerem contacto com os seus dinamizadores no sentido de contribuírem para o seu crescimento. 

sábado, 13 de maio de 2017

Voz

A participação de Salvador Sobral no Eurovision Song Contest promete acabar de vez com o "triste fado" associado a Portugal, pelo menos, no que às competições europeias se refere. Depois de Éderzito ter materializado em conquista toda a bravura de Cristiano Ronaldo e restante Selecção Portuguesa de Futebol, comandada por Fernando Santos, no UEFA EURO 2016, só nos falta mesmo ganhar o festival da canção. Um feito já foi alcançado, levar a concurso uma canção e uma voz que vão ao encontro do orgulho de uma nação e nos fazem lembrar outras vozes extraordinárias e boas presenças em festivais, como foi o caso de Simone de Oliveira. A realidade do festival em Portugal era outra, naquela altura o país parava para assistir às emissões, tanto na espécie de eliminatória prévia, só com candidatos portugueses, como na etapa mais a doer, já em competição europeia. Havia uma outra simbologia no festival, há quem fale em identidade nacional e talvez seja assertivo fazê-lo, afinal era um dos nossos que estava a concurso e levava a canção em português, adornada por apetrechos tradicionais. Hoje em dia, as vitórias, nestas competições, estão mais relacionadas com outro tipo de fenómenos e a possibilidade do candidato se tornar viral nas redes sociais, por exemplo, pode fazer a diferença. Esta parte já foi conseguida, portanto, se a isto juntarmos as capacidades comprovadas do artista e da sua irmã compositora, Luísa Sobral, temos todas as condições reunidas para que, com a bonita canção "Amar pelos Dois" (vale a pena assistir ao primeiro desempenho no festival, para tal, carreguem na hiperligação), se possa trazer a vitória e a próxima edição do Festival Eurovisão da Canção para o nosso país. 


Copo com figura de Simone de Oliveira





E quando de boas vozes se escreve, em Portugal, claro, convide-se a Sra. Dona Amália Rodrigues a subir ao palco: Amália no Olympia. < Assistir ao vídeo

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Mulher

" - Neste fim de semana só se falará de Fátima e da visita do Papa Francisco!" Na TVI isso é mais do que certo e estão todos em campo: a Fátima Lopes, a Cristina Ferreira, o Pedro Pinto, o Manuel Luís Goucha e está bem que assim seja, a ocasião assim o merece. Basta olharmos para as imagens e não há dúvidas de que é um momento importante para milhões de pessoas! Ao menos, com eventos desta dimensão, os murais nas redes sociais deixam de ter tantos vídeos com chacota à desgraça alheia e deve haver muitas pessoas a visualizá-los, a aferir pelo número monstruoso de visualizações, com direito a comentários e tudo, não será pecado rir do mal alheio?! Em alguns casos dos vídeos, as pessoas implicadas devem aleijar-se ou até ter acidentes fatais. Adiante, claro que quem, durante este fim de semana, ousar lançar outros temas para além de Fátima corre o risco de não ter audiência, mas a nós bastar-nos-á "petiscar" alguns dos fieis leitores e já nos daremos por muito satisfeitos. 


Também se diz corte e costura quando queremos dissimular a "fofoca". Olha, boa, vamos escrever sobre o quanto nos parece estranho Marcelo Rebelo de Sousa aparecer sozinho nos eventos. Ele que assuma o namoro com a Rita Salema! Ai, não sabiam?! É, parece que a coisa é para levar a sério e promete encher, muito em breve, as revistas e jornais de tons cor de rosa. Aproveitemos que está tudo a olhar para a televisão e escrevamos mais umas "fofoquices"! Então, o Jorge Jesus foi visto na cidade do Porto?! A meio da tarde estava na A Badalhoca! Não queremos estar a insinuar nada, mas, apesar de ele estar com a boca cheia, de certeza que era ele. A transmissão, desde Fátima, foi para intervalo, apesar de ser remota a possibilidade de alguém nos ler, é melhor voltarmos ao nosso registo.

Nos anos oitenta existiam uma série de negócios em Portugal que se dirigiam, directamente, à mulher. Viviam-se tempos em que a sua emancipação estava em clara progressão e a culinária, moda, estética e sexualidade serviam de temas para variadas abordagens comerciais. O anúncio publicitário que partilhamos foi retirado de uma revista da Teleculinária, do Chefe Silva e publicita um curso prático de corte e confecção. O objectivo final seria vender uma colecção de livros que, por acaso, até é muito completa, segundo especialistas consultadas e muito apelativa quanto à concepção gráfica, mas isto já somos nós a avaliar. Em casa, a mulher formar-se-ia na área de forma autodidacta, mas, segundo indicam no anúncio, com apoio pedagógico dado pela empresa promotora do curso. Também seria possível à mulher formar-se em Contabilidade, Línguas e Cultura Geral, enfim, seriam garantidas as ferramentas necessárias para as movimentações sociais e, quiça, para engendrar um negócio. Há quem diga que as colecções de livros só ocupam espaço em casa, que ninguém depois lhes pega, mas quando até as capas, por si só, garantem valor como elemento decorativo "vale a pena pensar nisto". Dizer ainda que a colecção em questão sai também do registo Selecções do Reader's Digest ou Círculo de Leitores o que, sem menosprezar ninguém, também nos parece uma mais valia, pelo menos, vai mais ao encontro das nossas preferências.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Arrozada

A fundação da maior exploração agrícola, pecuária e florestal do país, que tem por nome Companhia das Lezírias, remonta a 1836. A cultura do arroz acompanhou a Companhia desde os seus primórdios, por isso não é de estranhar que a instituição tenha a posição de líder como produtor individual e atribua ao sector uma algo surpreendente tradição em Portugal. Apesar de existirem referências escritas, relativas à produção de arroz em Portugal, nos reinados de D. Dinis e D. José, frise-se que a produção de arroz esteve interdita em vários períodos da história portuguesa, pois acreditava-se e, ao que parece, com alguma razão que as águas paradas dos cultivos, sem tratamentos adequados e técnicas desenvolvidas, contribuíam para a propagação de doenças graves, como o paludismo. Curiosidade histórica satisfeita, a Companhia das Lezírias aderiu ao agrupamento de produtores Orivárzea, de forma a potenciar a sua capacidade de transformar e comercializar o arroz. A medida foi seguida pelos dez mais importantes produtores de arroz do Ribatejo, nos anos 90 e é aqui que entra o protagonista do anúncio que recuperámos, Arroz Bom Sucesso, marca também aderente.




Na altura da publicação anexada, finais dos anos oitenta, a denominação social seria Sociedade de Descasque de Arroz Bom Sucesso de João Baptista Lda e o mais curioso é terem-na como parte integrante da estratégia de publicidade seguida. As curiosidades não se ficam por aqui, o que escrever mais quando estamos perante "A Fábrica mais nova do país para servir o povo a nível mundial."? Do produto, não restarão dúvidas, "É bom! É garantido! É qualidade!", caso contrário e tendo em conta o nível de exigência do mercado nacional não teria chegado aos dias de hoje com a enorme reputação que tem, da qual os seus responsáveis se podem orgulhar. O Chefe Cordeiro ou a Cátia Goarmon são nomes muito bem cotados no panorama nacional ligado à indústria que, de uma ou outra forma, gravita à volta da gastronomia e são também exemplos de agentes a utilizar este arroz nas suas criações públicas. É por demais evidente que a marca Bom Sucesso se refinou, basta olharmos para um anúncio contemporâneo e percebemos a sofisticação geral da sua presença no mercado. O logótipo, a embalagem, a disposição dos elementos, o talão para desconto, nada é deixado ao acaso, mas tudo isto só atribui ainda mais graça ao anúncio antigo partilhado. 


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Material Didático

Há pessoas dotadas com a capacidade, inata, de conseguir passar conhecimento ao próximo e algumas dessas pessoas têm o privilégio de exercer as profissões de professores, formadores e outras actividades similares. É comum dizer-se: nasceram para isto! Por norma, os docentes competentes, mas pouco ortodoxos são aqueles que mais marcam quem tem a sorte de com eles se cruzar. O filme O Clube dos Poetas Mortos retrata muito bem esta e outras questões, não o viram?! Fica a sugestão para o fazerem, há vários pontos valiosos abordados na película e que são sempre de útil reflexão. Quem fez a escola primária a partir dos anos setenta e até ao início do novo milénio lembrar-se-á, com certeza, do material didáctico da antiga empresa portuense Agatha. Estamos em comunhão de bens?! Os seus carimbos serão, talvez, as peças mais facilmente reconhecíveis, pois estas faziam parte da panóplia de objectos que auxiliavam os professores primários no ensino aos seus alunos. Quando uma professora primária, em plenos anos oitenta, garantia a existência de adultos a utilizarem aqueles carimbos no exercício das suas profissões só poderíamos estar na presença de uma docente muito à frente no seu tempo, que procurava acrescentar conhecimento fora da norma e induzir o raciocínio. Em resultado da inocência própria da idade, àquelas informações, o máximo que a professora Alice conseguiu arrancar - no momento - foram umas estridentes gargalhadas, mas a "pulga atrás da orelha" ficou em alguns alunos. A maioria desses alunos, daquela que era conhecida como a Escola Primária de Nevogilde, seguiu os estudos em conjunto e pôde perceber, mais à frente no ciclo, que a referência feita pela professora seria a Andy Warhol e à sua obra Purple Cows, parcialmente executada com imagens carimbadas. Como gostaríamos de voltar a discutir o tema com a professora Alice e acrescentar outros nomes de adultos que utilizavam os carimbos nas suas profissões, Manuel Cruz, por exemplo, da banda Ornatos Violeta, que ainda colaborou com a Agatha como ilustrador das icónicas imagens. As condições das escolas evoluíram e, hoje em dia, os professores fazem uso de outro tipo de material didáctico nas escolas, mas, em casa, por exemplo, ainda nos parece, perfeitamente, adequado recorrer-se a este material e executar aquilo que se poderá apelidar de ensinamentos em modo vintage




Em feiras ou lojas de antiguidades ainda se podem encontrar peças da Agatha, mas, se não forem assim tão puristas, também podem aceder a este tipo de carimbos, de marcas mais contemporâneas, é certo, em qualquer superfície comercial. As crianças acham graça, isso está comprovado e fica partilhado!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Ténis

De 29 de Abril a 7 de Maio disputa-se o Estoril Open, o torneio de ténis mais importante a ocorrer em território nacional e que faz parte do ATP World Tour, estando, por isso, debaixo de olho da imprensa internacional. Os notáveis fazem-se aparecer e a plateia faz as delícias dos fotógrafos, por muito que uma boa parte destes aficionados de ocasião fique surpreendida por os treinadores gritarem para os jogadores, em jeito de lembrete, " - O ténis joga-se com as pernas!". Feira das vaidades, chamam alguns a este tipo de eventos, elitista, apelidam outros o ténis, mas a verdade é que esta modalidade faz corar de vergonha outras quanto ao exemplar fair play demonstrado em campo e nas bancadas. Segundo se consta, nos bastidores do ténis nacional anda tudo às turras e isto por causa da resiliência de João Lagos, um nome, indubitavelmente, ligado ao Estoril Open e que quer recuperar o protagonismo perdido. Conflitos de interesses, como acontece em quase tudo o que tem sucesso neste país, mas a nós apenas nos interessa realçar a possibilidade existente de transformar o torneio num modelo itinerante, criando condições para alternar a cidade organizadora de edição para edição. O desenvolvimento da modalidade em Portugal sairia a ganhar, sem dúvida, por isso pode ser que o estilo omnipresente do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, adepto de ténis e presença assídua no torneio, se difunda e contagie os organizadores. 



Um prato da SPAL, que seria oferta aos participantes do Porto Open, é o objecto central de uma fotografia em que o ténis impera, com laivos de vintage. De S. João da Madeira saíam as sapatilhas de ténis Centro, de Valadares, em Vila Nova de Gaia, as meias de desporto Keit e na Solisport, à Boavista, no Porto, saía tudo o que com a modalidade se relacionava. No norte do país o ténis tem muita representatividade e o Porto Open tem tudo para ser um torneio mais constante e ambicioso, até pela importância assumida no lançamento de jovens jogadores portugueses. João Sousa, o nosso melhor jogador, vem de Guimarães e acaba por ser uma bandeira do sucesso na formação de tenistas a norte. Tudo isto para dizer que também gostaríamos de ter por cá um torneio a contar para o ATP World Tour :)

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Camisaria de Moda

A cidade do Porto está em suspense para saber onde se vai instalar a colmeia de lojas das grandes marcas mundiais associadas ao luxo e que, por norma, aparecem em cidades turísticas de excelência. O modelo de aparição resulta, os locais onde estas lojas se implementam estão sempre pejados de clientes e de "mirandas", como no Porto se designam aqueles que miram e andam. É uma questão de tempo até termos na invicta uma loja da Louis Vuitton, da Prada ou da Gucci. OK, a Rimowa tentou antecipar cenários e instalou-se no número 145 da Avenida dos Aliados, mas será que vai ser ali a meca das grifes no Porto?! A área envolvente ao Edifício Avis, em tempos, deu sinais de que poderia ser uma real candidata a receber tão ilustres inquilinos, mas a grande maioria das lojas fica fora do raio de visão de quem passa na avenida mais longa do país, a Avenida da Boavista, por isso ficou-se pela Ermenegildo Zegna, marca privilegiada no sentido apontado. A apostar, nós colocaríamos as fichas todas na Rua 31 de Janeiro como destino das lojas referentes às grandes marcas mundiais de luxo. Aquela artéria, do coração da cidade do Porto, tem tudo para dar certo num desafio desta natureza e a grande vantagem começa logo pela sua história, tão ligada que está a uma época de glamour no comércio tradicional. Por ali, em tempos, situaram-se as lojas mais finas da cidade do Porto e muitos dos proprietários eram de nacionalidade estrangeira, franceses e espanhóis que trouxeram à cidade os seus refinados produtos. Há similitude no processo sobre o qual aqui se escreve, estaremos destinados a acertar na aposta?! Aquela rua está também relacionada com momentos importantes na cronologia republicana portuguesa, sendo, independentemente das orientações políticas seguidas, de referência obrigatória em todos os roteiros traçados. Ao seus pés tem, na nossa modesta opinião, um dos espaços mais subvalorizados da baixa portuense: a antiga passagem subterrânea para peões que ligava a "margem Estação de S. Bento" à "margem Hotel Intercontinetal". Alguém compreende a sua supressão?! Nós não! Tendo em conta o cenário catastrófico criado, para peões e viaturas, não nos admiraríamos se alguém reconsiderasse a hipótese de recuperar tão pitoresco local, quem sabe, se já não será com os interesses dos grandes grupos económicos incluídos no processo. Outro dos argumentos a ter em conta é que aquela rua está virada para a Torre dos Clérigos; está virada para o mundo...




A Rua 31 de Janeiro era designada, inicialmente e antes dos acontecimentos históricos que a levaram a ser rebaptizada, por Rua de Santo António. O cinzeiro que apresentamos é alusivo à Camisaria de Moda, com endereço na Rua de Santo António, 66. A peça é antiga, foi fornecida por uma empresa francesa, a figura feminina tem traços de época e nós, por tudo isto, somos levados a crer que a Camisaria de Moda terá sido um estabelecimento pertencente à época áurea da Rua de Santo António, actual 31 de Janeiro. Não temos certezas, por isso, se algum de vocês tiver informações mais precisas, por favor, partilhe-as connosco e ajude-nos a enriquecer este artigo. 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

NIVEA

Neve branca, assim é a tradução literal de NIVEA, a marca dada a um produto que tem atravessado gerações. Não complicar parece ser o segredo do sucesso, se o nome é cândido a fórmula do creme também parece simples e não é preciso ser químico para o perceber. Curiosamente, a primeira lata de creme NIVEA, lançada em 1911, destoa do registo geral descomplicado associado a esta marca, aquela apresentava-se com um acentuado "floreado" e demorou mais de uma década (1925) até que a lata azul ganhasse lugar, mas ganhou, ó, se ganhou. Não é fácil encontrar latas antigas de NIVEA, mas, por vezes, estas peças aparecem, em feiras, lojas de antiguidades ou sites de vendas e não se pode desperdiçar a oportunidade para as adquirir, sob pena de a ocasião não se repetir com facilidade. Há uma fotógrafa portuguesa e portuense, de seu nome Ana Dias, que adoptou, para seu estilo fotográfico, o colorido, sensual e atractivo registo baseado num ambiente imaginário dos anos 50. Nos seus cenários há sempre muita luz, cor e sensualidade, tanta que Hugh Hefner resgatou Ana Dias para dar uma nova roupa(gem) à Playboy. Decisão acertada, a fotógrafa foi uma mais valia e trouxe algo de novo a um conceito que procura reinventar-se; mas daí a uma decisão posterior em banir o nu parece-nos algo desajustado. Com mais ou menos roupa, o que aqui importa realçar é a forma como a simplicidade da NIVEA, no ensaio da fotógrafa e através da sua icónica bola de praia, encaixa, na perfeição, na estética vintage adoptada e que está tão em voga.