sexta-feira, 31 de março de 2017

Yupi

O tema dos brinquedos ou bonecos na idade adulta daria um bom artigo em espaços dedicados à psicologia e não se pense que ao escrevermos isto estamos a tratar "o caso" como um problema, de todo. A verdade é que há uma imensidão de adultos a coleccionar brinquedos antigos ou bonecos e isto suscita a curiosidade. Aqui podemos apenas levantar hipóteses e tendo em conta apenas as nossas reflexões perante o que vamos vendo. O principal motivo será o saudosismo de tempos idos, é indubitável que a infância é uma fase marcante na vida dos seres humanos e o que retemos naquela fase vai-nos acompanhado. As repercussões variarão de indivíduo para indivíduo, sendo que a necessidade de obter um escape à idade adulta também parece ser uma razão para a procura de "bonecada". A forte adesão aos grupos de vendas de brinquedos e similares, com a evidente participação activa dos membros integrantes, é um bom barómetro para se perceber a razão da escrita destas linhas. Esta não é uma área que nos motive para coleccionar, mas sempre vamos acumulando uma ou outra peça, como se percebe na fotografia. Lá está, deste lote a nossa atenção recai logo para a caneca e apenas por ser da antiga Fábrica de Loiça de Sacavém. Outras repercussões de infância, com certeza!


quarta-feira, 29 de março de 2017

Iogurteira

Escrever acerca de iogurtes por estes dias é concorrer, de forma desigual, com uma imensidão de artigos sobre o campeão de vendas Skyr, o iogurte islandês vendido no Lidl. Segundo dizem, os entendidos na matéria, estamos perante uma "bomba proteica", com os mal amados açucares, gorduras e hidratos de carbono a serem reduzidos para níveis insignificantes. As antigas iogurteiras, que permitem fazer deliciosos e saudáveis iogurtes em casa, caíram em desuso, pois exigem trabalho e dispêndio de tempo. Há quem ainda tente contrariar esta tendência, mas estamos em crer que com o aparecimento de iogurtes mais completos e consensuais entre os nutricionistas o destino das iogurteiras será em definitivo a prateleira, de onde só sairão para saudosistas sessões fotográficas como esta. 



Eléctricos


Segundo poema da cidade

O segundo poema da cidade

Foi feito de manhã
Quando o sol começou
A brincar nos telhados,
Quando os eléctricos principiaram
A atravessar as ruas sonolentas,
Quando os barbeiros abriram as portas,
Os ardinas trouxeram os jornais,

Os caixeiros vieram para as lojas
E os automóveis e os camiões
Passaram apressados, buzinando, (...)

António Rebordão Navarro, 1952


Estas palavras de António Rebordão Navarro foram retiradas do livro "O Carro Eléctrico No Porto" (Helder Pacheco) e traduzem o seu registo, muito particular, de atenção ao quotidiano da cidade. Como não poderia deixar de ser, os carros eléctricos constam da dinâmica citadina descrita e fazem-nos deambular por memórias relacionadas com tão peculiar meio de transporte. Por falta de viabilidade económica, os eléctricos estiveram em risco de só poderem ser vistos entre as quatro paredes de um museu, mas o "boom" turístico na cidade do Porto parece ter resolvido, de vez, a questão e é vê-los passar repletos. Alguns dos modelos de carros eléctricos só são possíveis de contemplar quando saem à rua, no dia do Desfile do Carro Eléctrico ou, então, fazendo uma visita ao Museu do Carro Eléctrico, ainda assim, os que estão mais aptos à exploração comercial parecem fazer as delícias de quem procura uma experiência de "viagem à moda antiga", com a fotografia para a posteridade incluída. 



Uma terceira possibilidade para visualizar os diferentes modelos de carros eléctricos existentes é acedendo à fotografia desta pequena colecção de pins :) incompleta, sem qualquer catalogação, mas de grande estima. 

terça-feira, 28 de março de 2017

Mabor

Mabor é nome de bons pneus, mas também é nome de senhora. Confusos?! Como é muito usual em Portugal fazer-se, também o fundador da Mabor se inspirou nos nomes de familiares para formar a designação da empresa. Ao que parece, a esposa do fundador chamava-se Maria Borges e foi deste nome que saiu a marca de pneus que os portugueses se habituaram a reconhecer. A Mabor faz parte do exclusivo grupo de empresas que tiveram as suas sedes em plena Avenida dos Aliados, no Porto e, também por isso, é um nome apetecível para figurar nas colecções dos portuenses. A diversidade de brindes antigos disponíveis, ou publicidades antigas, como é comum dizer-se, não é muita, mas as peças que se podem encontrar são bastante bem feitas e apelativas. Na fotografia anexada está presente um porta chaves que continua a fazer muito furor, pelo seu formato em pneu e um calendário que não pode faltar numa boa colecção. Valerá a pena fazer uma pesquisa para se aceder a outros produtos passíveis de serem encontrados para coleccionar: isqueiros, a gasolina, cinzeiros e cartazes são os principais protagonistas. 



domingo, 26 de março de 2017

Colecções Senador

Há colecções particulares que deixam até os mais experimentados no mundo do coleccionismo de queixo caído. Em muitos casos, mais do que as peças reunidas, é a dedicação subentendida, a organização necessária e o conhecimento demonstrado que impressionam. As redes sociais, para além de facilitarem a organização das colecções, através da sua catalogação em fotografia, vieram também permitir que os coleccionadores possam expor os seus acervos ao público, sem precisarem dos sempre escassos apoios das entidades governamentais e os apreciadores agradecem. A "Colecções Senador", à primeira vista, reúne "apenas" notas antigas de todo o mundo, mas, na verdade, esta colecção conta também uma história de paixão. Valdemar Silva sempre foi um coleccionador de moedas e outras "tralhas*", mas isto foi só até ao ano de 2008. Quis o destino que, em Janeiro desse ano, Valdemar oferecesse uma série de notas, reunidas ao longo dos anos de coleccionador de moedas, a uma entidade ligada à numismática, o que o coleccionador não esperava era ter um mês de Fevereiro tão revolucionário nos seus objectivos da colecção. Ao consultar uma capa com notas para venda, numa banca de feira, Valdemar Silva, pura e simplesmente, perdeu-se de amores pelas notas com que se deparou e, a partir desse dia, a sua colecção passou das moedas e outras tralhas, em definitivo, para as notas. "- Grande galo!", ainda hoje exclama o coleccionador, é que das muitas notas que ofereceu nunca mais conseguiu encontrar outros exemplares iguais para a sua colecção. Ao efectuarmos uma visita ao blogue da colecção, facilmente, percebemos a paixão que certas notas podem suscitar, pois são verdadeiras obras de arte. Naturalmente, apenas podemos apresentar um exemplar, mas, já que tivemos essa permissão, procurámos escolher uma nota apetecível para os coleccionadores e também impactante visualmente para a generalidade das pessoas. 





Nota de 5000 francos da República Centro-Africana 

Toda a colecção disponível em: valdemartrofa.blogspot.pt

* Tralhas é um termo utilizado pelo Sr. Valdemar Silva  para se referir às mais variadas categorias de coleccionáveis. 

sábado, 25 de março de 2017

Kitchen Dreams

A cozinha, na maior parte dos casos, é a divisão mais movimentada de uma habitação e são infindáveis os apetrechos necessários para que aquela "área de produção" funcione em pleno. Há até empresas com negócios, como a Bimby é exemplo, que se dedicam à tentativa de agregar num só equipamento toda a parafernália de acessórios e utensílios de cozinha, de modo a facilitar a vida aos cozinheiros de serviço. A panela de pressão assume destaque em qualquer cozinha onde marque presença, pois, para além de ser um equipamento de dimensões consideráveis, permite também cozinhar de forma rápida e saudável. Também por estes motivos, acaba por ser muito bem feita a humanização da panela de pressão presente na ilustração da capa do livro de receitas, oferta da marca francesa SEB. Estes livros giríssimos eram muito utilizados pelas marcas como brindes, ali pelos anos 60 e 70, sendo que até os detergentes o faziam, tal como comprova o exemplar da Sunil. A cidade do Porto esteve muito bem representada, no sector do fabrico das panelas de pressão, pela Minchin, a pioneira em Portugal (1953, ano de lançamento da primeira panela de pressão Minchin, de fabrico nacional) e uma marca pertencente à fábrica J. Minchin & Mário Navega Esmaltagem e Metalurgia, S.A.R.L.. Durante décadas o edifício da fábrica causou impacto na Rua do Freixo, Nº 1460 e o sucesso dos negócios levou até à abertura de uma filial em Lisboa, no primeiro andar do Nº 121 da Rua dos Bacalhoeiros, mas tudo desapareceu com o fecho da empresa nos anos 80. Pena é que os autarcas da cidade não ponham em marcha um plano para preservar os sinais do património industrial da cidade do Porto, pois, pouco a pouco, todos se vão transformando em projectos habitacionais ou comerciais, quando não ficam ao abandono e em processo de ruína galopante. Outra marca, bem conhecida dos portugueses, que fazia e faz panelas de pressão é a Silampos, sediada em Cesar, S. João da Madeira. A qualidade dos seus produtos é reconhecida pelo mercado e o livro de instruções que apresentamos também tem graça, mas o que nos leva a escrever mais algumas palavras acerca do tema é um apontamento que nos intriga. Após uma breve pesquisa, descobrimos que a Silva & Campos Lda/Silampos SA reclama para si o pioneirismo do fabrico de panelas de pressão, na década de 60. Ora, a Minchin escreve (no manual de instruções apresentado em fotografia, datado de Abril, 1977) ter alcançado esse feito no preciso ano de 1953. Quem escreve a verdade?! Como se diz na cidade do Porto: "Não nos comam por lorpas!".




sexta-feira, 24 de março de 2017

Bilha

"Ó, meus amigos, valha-me Deus, num anúncio da Galp? A marca é uma boa marca, as pessoas apreciam e não... Metam uma velhinha a cozinhar! Agora, isto, para mostrar que os homens estão sempre dispostos a dar assistência técnica?! Não havia necessidade! Qualquer dia estão a fazer trocadilhos com a palavra bilha..." Diácono Remédios (vídeo do anúncio)



A partilha desta pequena colecção de botijas de gás acaba por ser uma boa oportunidade para recordar os tempos áureos do Herman José na televisão. O Diácono Remédios foi um dos seus personagens que alcançou mais sucesso junto do público e a GALP, claro, na altura, aproveitou para se associar àquela cómica figura. As famosas interjeições do Diácono andaram de boca em boca, mas, como é comum acontecer nestes casos com extrema aceitação do público, o registo foi utilizado até ao limite e acabou por se "gastar". Desconhecemos se a GALP realizou brindes publicitários de mais tipos de botijas, em forma de porta chaves, mas estamos atentos a ver se aparece alguma PLUMA, por exemplo. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Diana

Há um lugar, em Londres, que nos faz acreditar num mundo melhor: o Diana Memorial Fountain, no Hyde Park. Os arquitectos, responsáveis pela obra, conseguiram materializar toda a aura do bem que é reconhecida à Princesa Diana e isto é perceptível através da tranquilidade contagiante passível de ali ser experimentada. Para quem está à descoberta da cidade a pé é natural que a dimensão do espaço verde, onde o memorial está inserido, cause hesitações, mas valerá a pena o esforço suplementar e passar por aquele local. Uma fotografia que aproveita a incidência de um raio de sol sobre o objecto em foco é uma espécie de cliché artístico, mas, tendo em conta o tema do artigo, fez-nos todo o sentido. O conteúdo dos livros reunidos não nos é relevante, a nós interessa-nos apenas a alusão fotográfica das capas a uma figura marcante do século XX e o seu evidente lado fotogénico.



quarta-feira, 22 de março de 2017

Sonae

Depois de na anterior partilha termos abordado o grupo Jerónimo Martins, coincidência das coincidências, hoje cá estamos a brindar o grupo SONAE com uma recordação. Parece ser sina para estes "rivais" estarem sempre em disputa ou não fossem eles os dois gigantes portugueses do retalho. A SONAE tem a sua área de acção mais diversificada, em relação à Jerónimo Martins, sendo as telecomunicações, os centros comerciais ou a área financeira outros negócios que comprovam a diferenciação. Por outro lado, a fundação da SONAE é relativamente recente, remonta "apenas" ao ano de 1959, tendo o seu actual nome origem nas iniciais da primeira designação social: Sociedade Nacional de Estratificados. O produto que consolidou a empresa no mercado, aquando do seu arranque, foi o "Laminite" e, curiosamente, este produto ainda hoje é a marca dos laminados decorativos da empresa. Se nem Afonso Pinto de Magalhães, Belmiro de Azevedo ou Duarte Paulo Teixeira de Azevedo se atreveram a alterar seja o que for em relação ao "Laminite", então, caros consumidores, estamos perante um produto de elevada qualidade e altamente recomendável. Nesta área, portanto, não há rival para a SONAE, por isso e por enquanto teremos de continuar apenas a assistir ao duelo económico da marca Continente com os seus concorrentes. Para a posteridade fica a fotografia de uma amostra de "Laminite" relativa aos primórdios da sua comercialização, em aceitável estado de conservação, tendo em conta que a sua função seria a de andar de mão em mão para demonstração. 



terça-feira, 21 de março de 2017

"Force" Jeronimo Martins

Sabiam que a origem do grupo Jerónimo Martins remonta a 1792? Nós não! É admirável a longevidade da empresa e todo o seu trajecto, sempre dotada da plasticidade e "force" necessárias para se adaptar aos sucessivos desafios, proporcionados pelas constantes mutações dos mercados. Assim se percebe também a audácia do projecto de expansão dos negócios do grupo para a Polónia e Colômbia, países com características tão diferentes de Portugal, mas que uma visão empreendedora não quis deixar de colocar à prova. De uma pequena loja, em finais do século dezoito, a um império do ramo alimentar nos dias de hoje, assim se poderia resumir a história da Jerónimo Martins. Talvez seja egoísta de nossa parte, mas gostaríamos de ver alguns apontamentos históricos do grupo reflectidos nas lojas Pingo Doce ou nas suas comunicações com o público, na nossa modesta opinião, uma empresa desta natureza não se pode apresentar tão despojada do toque vintage que a própria ajudou a construir. Deliciem-se com alguns anúncios inseridos naquilo que seria, nos anos 20, um veículo de informação da empresa muito similar aos folhetos do Pingo Doce actuais. 




segunda-feira, 20 de março de 2017

Armamento Pesado

Pegámos, muito a medo, nesta antiga caixa, em madeira, pois o que nos saltou logo à vista foi a advertência: "Consumo Exclusivo das Forças Armadas". Seriam granadas?! Munições?! Este tipo de artigos para objectores de consciência podem ser, verdadeiramente, aterradores, mas, ficamos bem mais descansados quando nos apercebemos que, afinal, a caixa seria para transportar Licores, Xaropes, Aperitivo - Aniz com destino, exclusivo, às altas patentes (do levantamento do copo). A empresa responsável por tão importante mercadoria seria a Neto Costa, da Anadia e o destino das bebidas talvez fosse Angola, pois está gravado na caixa Luanda SUCDAMM. A cor da caixa não será a original, alguém resolveu dar umas pinceladas em verde à peça, mas o resultado final tem o seu quê de engraçado.





Mãe + Filhos = Pai

A espécie de fórmula que dá título a esta partilha pretende ser um singelo reconhecimento para com aqueles que tanto mimam a figura de pai no dia que lhe é dedicado. Como não poderia deixar de ser, deixamos aqui também a nossa "imagem do dia", utilizada nas redes sociais, em forma de tributo à figura de Mãe e Filhos. Utilizando o célebre discurso futebolístico: " - Sem vocês nada disto era possível!". 


domingo, 19 de março de 2017

(Indestructible) Paris

Ao escrever-se sobre Paris, nos dias de hoje, temos, quase que obrigatoriamente, abordar... o mesmo de sempre: a cidade das luzes e do amor chama por quem tem sonhos e quer vivê-los! Com o aparecimento das companhias low cost ficaram facilitadas as viagens para França, os custos com as viagens de avião podem ficar, realmente, reduzidos e já não é necessário fazer aquelas longas jornadas de automóvel. Quase todos nós temos familiares por aquelas terras, sempre muito receptivos a que lhes façam visitas e a hospitalidade é sempre do melhor que se poderá encontrar, mas as promoções nas agências de viagens também abundam, por isto e muito mais não faltam razões para uma ida a terras gaulesas. 



Não faltarão roteiros para se guiarem por Paris, por isso nós apenas deixamos a sugestão para uma visita ao Marché aux Puces (traduzido, será qualquer coisa como o Mercado das Pulgas), em Saint-Ouen, nos arredores de Paris. Este é um local de visita obrigatória para os amantes das antiguidades e do coleccionismo, pois, ali, para além de se poder encontrar aquela peça especial, também se poderá entender a génese das muitas feiras, mercados e lojas vintage que começaram a aparecer em Portugal. 

sexta-feira, 17 de março de 2017

Torralta

Assim, de repente, diríamos que há duas formas de abordar a Torralta, uma é a do ácido e corrosivo registo do jornalismo de investigação e para tal existirão "brigadas" mais competentes do que nós; outra é a da escrita ligeira do Monsieur d'Almeida. Todos aqueles que nos acompanham se lembrarão da demolição das torres da Torralta, em Tróia, com um simples toque do então primeiro ministro José Sócrates. Agora, poderíamos fazer uma série de graçolas, mas... adiante, escrevamos acerca da Torralta: o empreendimento mais conhecido deste grupo é o de Tróia e as razões são conhecidas, um projecto megalómano que acabou numa demolição transmitida para todo o país. Peguemos num prospecto do grupo, datado de 1973 e vejamos o que nos diz acerca do que estaria previsto para o investimento naquela região do país. "Terreno com um milhão quatrocentos e cinquenta mil metros quadrados. Projecto aprovado para 21.000 camas. Club-Hotel com 400 camas. Centros comerciais, restaurantes, apartamentos, moradias, piscinas, self-service, marisqueiras, cervejeiras. Garagem para barcos, campos de jogos, golf, cinema, teatro, praça de touros, hipódromo, marina." Ufa! A verdade é que uma parte destes intentos foi conseguida e Tróia chegou a ser uma referência europeia ao nível turístico, mas o país, na década de setenta, estava em mudanças severas e isso acabou por interferir em todo o processo de transformação daquele pedaço de paraíso. (Já lá estiveram?! Vale a pena, mas é inevitável imaginar toda aquela área sem toda a intervenção humana...) A Torralta acabou e deixou muitos amargos de boca pelo caminho, entre antigos trabalhadores, investidores e outros intervenientes no famoso processo. A Sonae assumiu a responsabilidade de devolver dignidade àquela região e a verdade é que conseguiu. Eliminaram-se as ruínas, recuperaram-se infraestruturas já construídas, não fosse algum do legado obra desse ícone da arquitectura portuguesa Arquitecto Tomás Taveira. Ao que parece, o dilema do grupo continua a ser o de conseguir taxas de ocupação aceitáveis nas épocas consideradas como baixas, mas, lá está, deixamos estes temas mais inflamáveis para que outros os abordem.



Uma curiosidade acerca da forma jurídica da Torralta Club Internacional de Férias, SARL. Segundo o que consta do prospecto em análise e ao qual a fotografia se refere a Sociedade Anónima por Acções foi constituída em 1967, com o capital social de 230.000.000$00 e para as actividades da Indústria Hoteleira, Turística e... Pecuária* :)

* ao que parece, o grupo tinha uma empresa, chamada de SNAPA, que se movimentava no mercado da pesca de arrasto, mas não deixa de ter piada a disparidade entre as áreas de acção. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Altis (Desde 1950)

Tendo em conta o que está a acontecer em algumas áreas da cidade do Porto, é difícil de acreditar como é que a Altis, uma loja de bicicletas, que ainda se pode considerar de comércio tradicional, conseguiu manter-se na Avenida da Boavista, ali mesmo ao lado da Casa da Música, da EDP, da Nespresso e de tantos outros sinais de modernidade que povoam aquela área da avenida mais longa do país. Ainda bem que assim acontece e esperemos que nada se altere, pois a Altis é património da cidade, está carregada de identidade portuense e isto deve-se ao trabalho desenvolvido desde o ano da sua fundação, em 1950. Curiosamente, a Altis começou a laborar nesse ano na Praça General Humberto Delgado, em pleno centro da cidade, mas, passado pouco tempo, mudou-se para a Boavista e a razão foi apenas o seu rápido crescimento. Tendo em conta a área de negócio em que se movimenta, onde muitas outras saudosas marcas sucumbiram (por exemplo a Vilar ou a Órbita), as razões para o sucesso só podem passar pela boa gestão. Se pensarmos que a moda das bicicletas veio para ficar - afinal, o Porto não é tão sinuoso como o pintavam - então, podemos esperar tempos de prosperidade para esta marca mítica da invicta. Naturalmente, para um portuense deparar-se com um troféu antigo da Altis é motivo de regozijo e não podemos deixar de realçar a beleza do azulejo da colectividade do Bairro de Francos. Há um je ne sais quoi nestas peças que nos atrai, está visto!




Made in Japan

O paradigma da restauração asiática em Portugal tem vindo a mudar, se há uns anos eram moda os restaurantes chineses; agora o que está a dar são os japoneses, ou será que deveríamos escrever os restaurantes de comida japonesa servida por chineses?! Trocadilhos à parte, é engraçado podermos estabelecer um paralelismo entre este sector e o das porcelanas. Algumas casas portuguesas, em especial as que foram decoradas durante os anos oitenta e noventa, estão pejadas de peças com motivos asiáticos, por isso é fácil fazer-se um pequeno exercício de observação. Por norma, no fundo das peças é possível aceder à sua origem e facilmente se percebe o oscilar de carimbos, ora é Made in China; ora Made in Japan. É conhecida a tradição chinesa na arte de bem fazer porcelanas e de conseguir recriar em objectos o fascinante mundo oriental, mas também é apanágio da China a rápida massificação daquilo que se vende bem. Hoje em dia, o que se pode encontrar no mercado de porcelanas chinesas são imitações de peças antigas e mesmo o comum dos consumidores - aquele que não pode aceder às originais peças antigas e de colecção - começou a perceber a sua vulgaridade. A cerâmica japonesa tem muito mais para oferecer do que os seus afamados serviços de chá, bem presentes no enxoval dos portugueses. Mesmo tratando-se também de imitações as peças japonesas conseguem diferenciar-se das chinesas pelos motivos apelativos e pelo requinte que apresentam, na sua grande maioria. Os chineses são atentos às movimentações do mercado, por isso deixamos à imaginação de quem faz o favor de nos acompanhar o que deverá acontecer também neste sector...


terça-feira, 14 de março de 2017

A maravilhosa história do nascimento

Puericultura vintage, ora aí está uma denominação pouco comum de se usar nos meandros das antiguidades, mas, para além de nos soar bem, a nosso ver faz todo o sentido a sua utilização, pois há muita procura pela parafernália antiga utilizada com os mais pequenos. Os carros de bebé são dos acessórios mais procurados e percebe-se a razão pela possibilidade de entender a evolução do design no equipamento. As linhas retro dos carros antigos são muito sedutoras, tanto que há marcas a replicar os modelos vintage, sem esquecer a sua dimensão. Claro que actualmente um "carrinho" de bebé grande acaba por ser também um grande inconveniente, pela questão do espaço que ocupa, mas o certo é que há pais corajosos a utilizá-los e acaba por ser uma recriação giríssima de se observar. Basta uma pesquisa simples no Google para se ter acesso aos mais variados modelos e o realce vai para o legado deixado por algumas marcas inglesas e alemãs, tão demonstrativo até das épocas importantes da história europeia. Uma chupeta antiga é menos comum de se encontrar, pelo menos, em bom estado, já que os seus materiais se degradam, facilmente e naturalmente, com a passagem do tempo. Uma chupeta Chicco, dos anos setenta, acaba por ter um simbolismo especial, pois é referente aos primórdios daquela marca em Portugal e não se pode negar a sua representatividade no dia a dia de quem é pai. Um utensílio, em vidro e borracha, para extracção de leite materno, através de um bombeamento que simula a sucção e um livro auxiliar dos pais completam os elementos presentes na nossa fotografia, mas muitos outros poderíamos ter utilizado. Na verdade, os anos passam, mas os rituais mantêm-se, por isso muitos serão os pais que se identificarão com os objectos relativos à puericultura vintage e com "A maravilhosa história do nascimento".



segunda-feira, 13 de março de 2017

Sea Sickness Pills

Há quem enjoe muito de barco, outros enjoam só um bocadinho e depois há quem enjoe só de olhar para um barco atracado. Nestes casos, o melhor mesmo é beber para esquecer e, ao que se diz por aí, é o que acontece com muitos passageiros dos cruzeiros, por exemplo. Às tantas, é a procura da cura para o enjoo que leva os marinheiros aos bares, à beira dos cais. Agradece-se a partilha de conhecimentos científicos que corroborem com estas afirmações, a condição é apenas a de reunirmos à mesa do Bonaparte, o da Foz, local emblemático da cidade do Porto e onde um quadro como o que apresentamos em fotografia teria lugar garantido. Estes quadros, em relevo e feitos em madeira ou num material resinoso, remetem para o ambiente dos bares típicos britânicos e tendo estado muito tempo expostos às agressões do fumo ficam com uma aparência vintage reforçada e irresistível. 



Peixe Comilão

Um peixe em vidro, é esta a solução que apresentamos para acabar com o "peixicídeo". Os peixes são animais relativamente fáceis de acomodar e pouco dispendiosos, por isso são dos preferidos para ter em casa, mas, pela sua fragilidade, na sua grande maioria, acabam por não durar muito. Os peixes interagem pouco com os humanos, excepto quando percebem que lhes vão dar comida: "Pela boca morre o peixe!". Os humanos não resistem a mimar o peixe, com comida, claro está e isso acaba, demasiadas vezes, por ser fatal para o animal. Quando se tem filhos, o peso na consciência pode ser ainda maior, já que é sempre um momento triste para os petizes, mas, o teste está feito, até as crianças adoram um peixe em vidro. Quando um dia lhes contarem as qualidades deste material para com o meio ambiente ainda mais vão gostar do "peixe comilão". Portugal tem no Depósito da Marinha Grande um fiel representante dos desígnios do Marquês do Pombal, quando em 1769 mandou instalar, na Marinha Grande, a Real Fábrica de Vidros. Nas lojas da DMG é possível encontrar peças decorativas em vidro, elaboradas através de uma mescla de técnicas inovadoras e antigos saberes das fábricas da região, mas um bom desafio, daqueles que motivam qualquer "vintage finder", é tentar encontrar peças antigas em vidro, sem qualquer dano, referentes às extintas grandes fábricas da Marinha Grande.


sábado, 11 de março de 2017

Clubes de Primeira

O principal campeonato nacional de futebol está ao rubro e as atenções estão viradas para os clubes que em Portugal são denominados de grandes, mas há vida para além dos holofotes nos "euroestádios". O A Portuguesa de Leça Futebol Clube foi fundado, em finais dos anos sessenta, por um grupo de jovens que, há imagem da grande maioria dos que praticam futebol nas camadas mais jovens, chegou à idade sénior e não teve a oportunidade de jogar em clubes mais profissionalizados. Atitude: é sempre uma boa característica para se ter como semente de um projecto e a dinâmica assumida ao longo das mais de quatro décadas de história do A Portuguesa de Leça F. C. confirma esta teoria. O azulejo que partilhamos é alusivo à II Volta ao Concelho de Matosinhos, em cicloturismo, nomenclatura esta que, aparentemente, está em desuso; agora é mais comum usar-se o termo passeio ou até a importação de termos estrangeiros. Bom, mas isto é apenas uma curiosidade, importa é realçar a diversidade de actividades que um clube pequeno consegue, com muita atitude, dinamizar. Ao que parece, a colectividade até já conseguiu formar campeões nacionais, em Pesca Surfcasting, entre outros feitos, todos bem celebrados, com certeza, na sua pequena sede. Muitos dos clubes mais pequenos (em dimensão, mas gigantes em atitude) acabarão por se rever na história desta agremiação, escolhida para escrevermos algumas palavras, por isso que encarem toda esta mensagem como um sincero tributo.




sexta-feira, 10 de março de 2017

Sabor a Primavera

Depois de um Inverno rigoroso, estes primeiros dias de sol, com temperaturas mais amenas, já começam a proporcionar programas à beira mar e a convidar a uma ida à gelataria do momento. Entre os anos 80 e 90, a D. Pasolini, da Praça dos Poveiros, era local de romaria em busca dos seus deliciosos gelados artesanais, muito bem promovidos através de campanhas publicitárias inovadoras para a época: "D. Pasolini, é D. Pasolini!". Esta marca era conhecida também pelo bolo rei e pelos semi frios, sem esquecer a sua pastelaria e hamburgueria. Com a qualidade dos seus produtos reconhecida, a dada altura da sua existência, a empresa apostou numa fábrica em Canelas, Vila Nova de Gaia e no franchising como estratégia de expansão nacional e internacional da marca. Terá sido dado um passo maior do que a perna?! Não sabemos, o certo é que "o gelado derreteu" e a marca desapareceu. A tradição dos bons gelados parece ser uma característica da cidade do Porto, hoje em dia são várias as opções que prometem surpreender, mesmo para quem tem os níveis de exigência elevados. Deixamos duas sugestões para uma visita, escolhas baseadas na importância das marcas para a cidade e na qualidade dos produtos, naturalmente. Muito provavelmente, já experimentou os gelados da Neveiros, pois há décadas que a marca existe, mas pode até nem saber que já provou as suas delícias, pois há muitos restaurantes fornecidos pela marca. Para não ter dúvidas, mais vale fazer uma visita à sua loja, na Rua da Alegria. Anda mais pelo centro da cidade e quer obter uma experiência similar?! A gelataria Sincelo, na Rua de Ceuta, também tem gelados que sabem à história da cidade, para além disso, as suas instalações e imagem corporativa foram renovadas obtendo assim uma frescura extra. 




Uma atenção especial para a colecção de calendários da D. Pasolini, possível de observar na nossa imagem. A sessão fotográfica foi realizada na desaparecida loja da Praça dos Poveiros, durante os anos oitenta e a modelo é a Mónica Ascherl.  Ambiente muito vintage, gelados de aspecto indulgente, portanto, tudo do nosso agrado. De praia escreveremos mais próximo do Verão, quando as temperaturas estabilizarem, é que não nos admiremos se, em breve, ainda tivermos de tirar os casacos mais grossos do armário.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Barber Shop

Haverá ainda alguma rua da cidade do Porto sem uma barber shop?! Passe o exagero, este tipo de espaços veio para ficar. A preocupação masculina com a imagem está mais massificada; não liguemos a quem diz que os homens de agora preocupam-se mais com a aparência, em relação ao antigamente, talvez essas pessoas não tenham olhado, com atenção, para aquelas fotografias, a preto e branco, que todos já pudemos observar num álbum de família: impecáveis! A sociedade de consumo cria as oportunidades e há jovens empreendedores a aproveitá-las e muito bem. Ir ao barbeiro, arranjar o cabelo ou a barba, pode ser também ir beber um copo, ouvir música e até fazer uma tatuagem, tudo no mesmo espaço. Se antigamente se podia fazer um curativo ou tirar um dente num barbeiro, o que era extraordinário, também nos parece muito apelativa esta versatilidade contemporânea das barber shops. Claro que receamos um escassear, ainda mais acentuado, das tradicionais barbearias, mas o tempo nos dirá qual o rumo que este ramo de negócio levará. Escolhemos a barbearia Orlando como exemplo de um espaço que consideramos muito aprazível, onde não falta até uma pequena exposição de antiguidades, reveladora de uma sensibilidade do proprietário para com o legado do passado, qualidade fundamental em quem quer dominar uma arte tão secular como a de barbeiro ou cabeleireiro, Com um serviço a preceito, deixamos o aviso, caso o queiram experimentar é melhor fazerem marcação, pois a afluência de clientes é enorme. A finalizar, uma curiosidade, o Barber Pole, aquele poste giratório e com cores, que faz parte obrigatória da decoração nestas barbearias modernas, antigamente indicava quem fazia cirurgias e extraia dentes, Pelo sim; pelo não, mais vale frisar o serviço, que pretendem ver efectuado, mal se sentam na cadeira. 


quarta-feira, 8 de março de 2017

São esmeraldas, Senhoras

Hoje celebra-se o Dia Internacional da Mulher, por isso e antes de mais enviamos uma saudação especial a todas as mulheres que nos dão o gosto de uma visita. Actualmente, este é um dia de festa que dá um empurrão ao comércio, mas nem sempre foram estes os propósitos da efeméride, por isso uma vénia a todas as mulheres que contribuíram para o mundo mais justo de hoje. Em forma de dedicatória, idealizámos uma fotografia com um apanhado de peças da nossa predilecção, tanto que até se poderá escrever colecção, verdes, em vidro, de todo o tipo, reluzentes: autênticas esmeraldas. Para nós, estas peças têm o inestimável valor atribuído pela passagem do tempo, qual jóia, remetem-nos para outras épocas em que os apontamentos com este verde se fixaram como modelos decorativos. Tamanho da fotografia? Extra Largo, o dia e as mulheres que lhe dão significado assim o merecem! 


terça-feira, 7 de março de 2017

Regisconta - Aquela Máquina


Há um artigo registado na "magazine regisconta", número oitenta e cinco, com data Maio de 1976, que regista, com um registo muito próprio, como um anúncio pode agregar tudo o que de bom a Regisconta registou no panorama empresarial nacional. Passamos a registar o que regista o artigo "caro leitor":
" A Nossa Natural Imodéstia"

A modéstia é uma daquelas qualidades que toda a gente diz que tem. Diz, mas nem sempre tem... É bonito dizer-se que somos modestos; fica mal dizer-se que não somos.

Mas a verdade é a verdade. E a verdade é que a modéstia, qualidade extremamente rara, só existe realmente em muito poucas pessoas. Mesmo aquelas que se fingem modestas, fazendo por esconder os seus méritos e as suas boas obras, fazem-no quase sempre deixando um rabinho de fora, na secreta esperança de que os outros acabem por descobrir essas boas obras e esses méritos, elogiando-os e elogiando ainda mais "aquela modestíssima pessoa, que fez uma coisa tão boa e, ainda por cima, não queria que se soubesse..."

Pois sim...

Nós achamos que anda por aqui (desculpem que o digamos assim, cruamente) muita hipocrisia. Só não gosta de elogios quem não fez nada para os merecer (e, mesmo assim...).

Bom. Tudo isto vem a propósito do último filme da Regisconta, que tem passado na Televisão nos últimos tempos. Sem hipocrisias, sem falsas modéstias, diremos que ficámos todos contentes ao verificarmos que esse filme recebia palavras elogiosas de muita gente. Houve quem nos telefonasse e quem nos escrevesse, de propósito, para nos dizer que o tinha achado muito bom. Sabendo-se que as pessoas têm, sempre, muito maior facilidade e muito maior tendência para dizer mal do que para dizer bem, seja do que for, isto deixou-nos muito satisfeitos.

E depois, não se limitaram a dizer que o filme era bom. Disseram que era o melhor filme do género a correr na televisão, neste momento; disseram que seria difícil concentrar melhor, de forma tão sintética (20 segundos) uma mensagem publicitária tão eficiente; disseram que a animação era sensacional; que a voz era giríssima; que os bonecos estavam cheios de vida; que o filme estava perfeitamente adaptado ao momento presente; e muitos outros elogios deste género.

Poderíamos dizer aqui, a armar ao efeito, que ficámos muito embaraçados com estas lisonjeiras opiniões. Mas não. Com a nossa natural imodéstia podemos, até, afirmar que concordamos plenamente com elas."






Em vídeo

segunda-feira, 6 de março de 2017

Jogar ao pião

Há uma "corda" que separa os tempos dos jogos do pião e a actualidade da febre do jogo League of Legends. Temos tido o gosto de visitar, com alguma frequência, um espaço da baixa portuense, o Doxa, conhecido por ser uma espécie de laboratório de gelados. Dali podem sair os sabores mais convencionais, mas também sabores inesperados, só possíveis de obter através da sabedoria obtida pelos proprietários junto dos mestres italianos. Para além desta saborosa descoberta, temos também a partilhar outra, para nós, mais surpreendente ainda: o Doxa tem uma equipa que compete num campeonato do jogo League of Legends e não se pense que a estrutura tem em vista o lazer, pois o objectivo assumido é a profissionalização, com a respectiva melhoria constante da performance dos seus elementos. Claro que todas estas informações fazem com que as conversas de café, por vezes, fluam e se façam pontes entre o presente e o passado, como é normal quando vem à baila o tema jogos electrónicos. Basta-nos recuar trinta anos para entendermos que a percepção de jogo mudou. Naquela altura, jogar seria associado a jogar ao pião, não havia escola que não tivesse aglomerados de jovens a ver quem partia, com mais espectacularidade, o pião ao outro. Na cidade de Porto, houve até escolas que proibiram o jogo tradicional, pois o constante atirar do pião ao solo começava a abrir crateras no pavimento alcatroado. Atirar o pião só para o ver girar era demasiado monótono, a piada estava em ver quem partia a peça ao adversário, este era o jogo que cativava realmente os jovens. Havia sempre quem arriscasse atirar o pião, numa zona mais recatada da escola, pois a vontade de mostrar a mestria era mais forte. Não interessava se o pião era mais ou menos corpulento, se tinha o bico mais ou menos afiado, o que fazia a diferença era a força do executante e a pontaria. Acertando em determinada área do alvo era certo que se lhe abriria uma rachadela e se provocaria o êxtase na assistência, para grande humilhação do adversário. Os piões das lojas de artesanato modernas são lindíssimos, cheios de cor e de texturas refinadas, mas torna-se inevitável, para quem viveu aquelas épocas passadas, imaginar como seria tê-los como adversários, como se comportariam ao levar com um lançamento certeiro em cima. Sorte a destes piões, hoje em dia o seu destino é representar a modernidade em colecções ou então servirão para os pais saudosistas explicarem aos filhos como se jogava ao pião. Claro, tudo isto antes dos filhos ambicionarem fazer carreira na área dos jogos electrónicos, aí, pais, esqueçam as tutoriais de jogos tradicionais. 



sábado, 4 de março de 2017

Pelos caminhos...

Há muito tempo que admiramos a estima de um coleccionador de carros clássicos nosso conhecido pelos exemplares que possui. Temos a oportunidade de nos cruzarmos amiúde com ele e é um regalo percebermos que naquelas viaturas tudo está original e imaculado. O seu Fiat 500 e o Fiat 1100 brilham mais do que carros acabados de sair do stand de vendas e não vamos escrever o clássico "passe o exagero", pois isto é literalmente verdade. Reparem nos reflexos que se percebem nas fotografias ao Fiat 500: foi impossível ocultá-los, tal o primor do trato. " - Só tenho pena de ter de lhes colocar o dispositivo da Via Verde, sabe, sempre é mais cómodo depois." Pois é, há puristas que não admitem nenhum sinal de modernidade nas viaturas, mas a nós, meros admiradores, não nos choca a Via Verde. Já o GPS... para quê?! Se temos um mapa oferta da Pasta Medicinal Couto à mão... A sessão, improvisada, de fotografias resultou de um motim interior de emoções ao vermos, novamente, os carros a serem mimados. Não resistimos a pedir ao dono para tirarmos algumas fotografias e a disponibilidade foi total, mais, esta foi acompanhada da partilha de algumas peripécias proporcionadas pelas imensas viagens feitas, em especial, pelos caminhos de Portugal. Fomos munidos de mapas antigos, de prospectos relativos a destinos de férias e hotéis, óculos de sol para chamar a primavera, por isso não faltaram motivos de conversa, em que todas as pontas soltas iam dar ao clássico do antigamente. Ingenuamente, mas com toda a intenção de obter uma fotografia apelativa, levámos as malas que podem observar nas fotografias, mas não é que umas malas assim não cabem no porta bagagens de um Fiat 500 antigo?! As coisas que se aprendem nestas andanças...


sexta-feira, 3 de março de 2017

A nossa coleção

Parece haver uma tendência para que o bichinho das antiguidades e das colecções passe de geração em geração. Pelo menos, é isso nos vão dizendo as pessoas com quem vamos lidando nas lojas e feiras dedicadas à área. Há quase sempre alguém mais velho na família que coleccionou ou colecciona algo e se responsabilizou, mesmo que involuntariamente, pelo contágio aos mais jovens. Passou-lhes a curiosidade e a vontade de reunir peças pelas quais aprenderam a nutrir fascínio e admiração. Paralelamente ao negócio, muitos dos que trabalham em antiguidades e coleccionismo têm uma colecção para acompanhar e isto mostra paixão pela área, mas também capacidade de sofrimento. Alguém consegue imaginar a angústia de um coleccionador ao receber uma proposta irrecusável por uma peça importante da sua colecção?! Somos uns novatos nestas andanças, mas já começamos a sentir na pele todas estas emoções. Também nós recebemos de familiares o gosto pelo coleccionismo e a aprendizagem para o respeito pelo património deixado pelos antepassados. Esta fórmula, aliada a um percurso académico com forte componente de comunicação, levou-nos a enveredarmos pelo gosto para com a publicidade no geral, a antiga no particular. Para não nos tornarmos nuns acumuladores - há uma linha muito ténue a separar um coleccionador de um acumulador - balizámos as angariações pela antiguidade e pela ligação à nossa cidade do Porto. Os amigos e familiares sabem deste gosto e vão contribuindo para o aumento de peças, por isso sublinhamos o nosso agradecimento. Apesar da sua curta existência, o blogue Monsieur d'Almeida, em conjunto com a presença nas redes sociais, tem sido uma extraordinária experiência para nós, pela receptividade que tem tido, traduzida  em constantes palavras de apoio por parte das pessoas que fazem o favor de nos acompanhar. Temos em mente, a médio prazo, utilizar este espólio para concretizar algumas ideias entretanto traçadas para este projecto, por isso continuaremos atentos ao que de muito interessante se pode encontrar. Naturalmente, há sempre excedentes numa colecção e outras peças há que, apesar de nos serem altamente desejáveis, não preenchem os nossos requisitos para que possamos guardá-las. Em breve, começaremos a carregar o álbum de fotografias no Facebook, designado como "à procura de um novo dono", com estes excedentes, por isso sintam-se à vontade para uma visita e uma troca de mensagens.




quinta-feira, 2 de março de 2017

Garrafas Pirogravadas

A nossa incursão pelo maravilhoso mundo do vintage e do coleccionismo de peças antigas tem-nos colocado perante algumas situações que nos conseguem surpreender. Em relação ao tema deste artigo, assumimos que desconhecíamos a enorme adoração existente pelas antigas garrafas pirogravadas, mas, agora que temos tido contacto com esta realidade, reconhecemos o total fundamento para a existência da autêntica legião de coleccionadores. Em especial no produto refrigerantes, houve uma época em que as marcas recorriam à técnica da pirogravura para embelezar as garrafas, rotular as garrafas, melhor escrevendo. A verdade é que aquela técnica atribui ao trabalho final um efeito muito característico e duradoiro, ao contrário da aplicação contemporânea do rótulo em papel. Nos últimos tempos, temos tido o privilégio de conhecer extensas e muito completas colecções de garrafas e foi nesses aglomerados que nos apercebemos de algo extraordinário. É infindável a quantidade de marcas nacionais que existiam a dedicar-se à produção de refrigerantes, mas o mais interessante é perceber, através das suas garrafas, a indicação, em destaque, das localidades a que pertenciam as empresas produtoras. A relação de identidade entre o local, o produto e muitas vezes o seu próprio nome era plena, havia diversidade de oferta no mercado e um meio, muito original, de se veicular uma espécie de mensagem turística. Contagiados pela febre das garrafas pirogravadas temos estado mais atentos e não resistimos partilhar a indescritível sensação de encontrar, na feira mensal das velharias de Aveiro, duas garrafas dos refrigerantes Invicta, fabricados, à época, pela CUFP. A motivação é total para continuarmos a recolher património da nossa cidade, em especial publicidades antigas ou similares - como acontece com estas garrafas - de modo a concretizarmos as ideias que temos para o médio prazo deste nosso recente projecto.



quarta-feira, 1 de março de 2017

Ach. Brito

Há um perfume que nos une

Apesar de integradas na Área Metropolitana do Porto, de estarem próximas geograficamente e de terem ligações históricas, de diversa ordem, as cidades do Porto e de Vila do Conde são dotadas de identidades muito próprias e não admitem confusões. 

Por todo o concelho de Vila do Conde parece estar em desenvolvimento um cluster de empresas a apostarem no conceito Outlet, como forma de posicionamento no mercado. Os clientes vêm de todo o país, para se deslocarem aos centros de compras ou às diversas lojas de fábrica presentes em Vila do Conde, mas, em especial, por parte de quem vem de mais a Sul é comum dizer-se: “- Vou ao Porto, a um Outlet!”. 

Não se preocupem, amigos vilacondenses, de parte dos portuenses podem contar sempre com a devida correcção. Há amizades que não se perdem e são muitas as que se fazem entre cidadãos das duas cidades. Aos portuenses é logo perceptível o orgulho em quem tem como berço essa bela cidade, de extensas praias, modernidade e ruralidade com história.

As desorientações geográficas que apontamos talvez se devam a casos de marcas e negócios em que as duas cidades se imiscuem na sua essência. A Ach Brito será a mais evidente, pois, se a sua génese e cidade aportada à sua marca de luxo Claus é a cidade do Porto, celebram-se, no corrente ano de 2017, os 10 anos da inauguração, em Vila do Conde, Fajozes, da nova unidade fabril, loja de fábrica e sede da empresa.

Uma caixa de sabonetes Ach Brito despertou esta vontade de partilha, por reunir um Porto do antigamente e uma Vila do Conde moderna. O metal permitiu que este antigo objecto de colecção chegasse aos dias de hoje quase intacto, apenas com uma pátina conferidora de toque vintage. Encontrar esta caixa foi motivo de regalo pessoal e nem a alusão figurativa a Guimarães fica fora das nossas considerações, ou não estivesse a primeira designação Villa de Comite numa carta direccionada àquelas terras que hoje são a cidade vimaranense.




O que dizer desta caixa de madeira?