terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Há por aí uma escola

Com o Inverno a dar mostras das suas agruras é natural que, com o título desta mensagem, todos pensem estarmos a iniciar um texto sobre a escola mais famosa do país, a Alexandre Herculano. Não estávamos com essa intenção, mas é demasiado tentador não escrever duas linhas a respeito do que se tem vindo a passar. Os portuenses não são distraídos e sabem não ser de agora a falta de condições naquele edifício, gritante (gritemos, então: que vergonha!), para albergar um estabelecimento de ensino. Todos os anos é a mesma coisa, quando começa a chover, abrem-se os chapéus de chuva nas salas de aula, lá vão as televisões ao local, agitam-se os gabinetes da assessoria de quem se sente acossado, mas, novidade das novidades, ao menos este ano o tema chegou aos comediantes ("Ruínas Escolares. Trazer caderno, lápis, borracha e galochas"). Pode ser que o humor mordaz surta efeito, mas da chacota não se livra quem tem de construir o seu futuro assim, tão próximo da natureza, como dizem os animadores humorísticos. Todos nos rimos, mas ninguém acha piada! A escola abordada, originalmente, no título da mensagem, é a Escola de Arquitectura do Porto e, como um dos seus percursores foi o autor do projecto Alexandre Herculano, os temas acabaram por se imiscuir. Marques da Silva, para além de património arquitectónico, também edificou matéria humana. Foi com ele que Rogério de Azevedo estagiou e amadureceu como o modernista capaz de projectar, à distância dos anos 30, a Garagem do Comércio do Porto. À imagem de outros edifícios históricos da cidade, a sua localização não beneficia do terreno acidentado, característico da invicta, por isso é, demasiadas vezes, ignorado por quem passa. O Hotel do Infante Sagres, obra do mesmo autor, terá mais visibilidade, pois está numa cota alta, como que num pedestal e tem mais reconhecimento mediático, não fosse propriedade de um grande grupo económico e não  tivessem já lá ficado alojados os elementos da banda U2. O legado deixado pelo Arquitecto Rogério de Azevedo é extenso, mas deixamos estes dois apontamentos, como sugestão de observação mais atenta à zona envolvente ao túnel de Ceuta. Motivos não faltam para uma incursão pela baixa da cidade, por exemplo, na medalha apresentada, alusiva a Rogério de Azevedo, têm numa das faces um pormenor da zona da Ribeira, a qual, apesar do tempo chuvoso, é sempre uma opção válida. Para além dos nossos motes, deixamos ainda uma fonte inesgotável de boas dicas para um programa bem passado no Porto: Baixa.




Veja esta e outras medalhas, com mais pormenor, na nossa "montra" no Facebook

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A boa nutrição é amiga da balança (antiga)

Sinergias entre o passado e o presente, da gastronomia à nutrição, do rudimentar utensílio ao tecnológico. A precisão de uma balança, muito casa portuguesa, ao serviço das "cosinheiras" e dos cozinheiros. Contagiados pela corrente sinergética, partilhamos uma receita, da nutricionista Eduarda Coutinho, com os votos de uma excelente semana.
"Receita: Panquecas de aveia
Ingredientes:
1 ovo
1 clara de ovo
3 colheres de sopa de flocos de aveia
100ml de bebida de soja (ou outra bebida vegetal ou leite magro)
1 colher de chá de sementes de chia
1 colher de chá de linhaça dourada em pó

Preparação:
Colocar no liquidificador todos os ingredientes e bater até ficar uma textura homogénea;
Aquecer uma frigideira anti-aderente;
Quando estiver quente, colocar a mistura e baixar a temperatura;
Quando aparecer bolhinhas á superfície, vire a panqueca;
Depois de pronto, pode juntar o que preferir: fruta, frutos secos, sementes, canela, mel ou compota sem açúcar

Nota: Pode fazer o ponto 1 na noite anterior e colocar num tupperware o preparado. Coloque no frigorífico. Assim, na manhã seguinte é muito mais rápido."


sábado, 28 de janeiro de 2017

Prefira Sintra

O pitoresco é muito utilizado nas designações turísticas, umas vezes acertadamente; outras de forma displicente, mas em Sintra todas as utilizações são ajustadas e devem ser muitas, tendo em conta a tipologia da vila, em especial nas áreas do centro histórico. O serpentear de ruelas, as fachadas dos edifícios, que nos confundem quanto à época da visita, tal é a originalidade mantida, são muitos os atractivos que tornam tão adjectivada esta localidade. As passagens pelos monumentos são obrigatórias, assim indicam os mapas e restante papelada fornecida aos turistas, mas não experimentar as delícias da doçaria de Sintra dá direito a fazer parte de uma qualquer lenda local, repleta de dolorosas punições. Lord Byron é talvez o mais conhecido daqueles que procuraram inspiração naquele pulmão verde, mas foram várias as personalidades das artes a ter o nome relacionado com a vila e esta busca pela criatividade entende-se no quadro que apresentamos. Observe-se a paisagem deslumbrante e sinta-se a melancolia que deixa os pensamentos fluírem. Não será ao acaso a utilização, nos anos setenta (1976/1977), destes cenários num calendário publicitário à vila. Prefira Sintra!



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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

"Tienes Algo. Tienes Don"

Nos anos 80, antes da febre Zara se espalhar pelo mundo, o slogan "Tienes algo. Tienes Don" era dos mais ouvidos pela península ibérica. A Don Algodon era dona e senhora da moda jovem e foram várias as personalidades que deram a cara pela marca. Apesar de nos últimos anos se arrastar pelos mercados, devido às dificuldades financeiras, Helen Svedin, mulher do antigo futebolista Luís Figo, teve algumas aparições públicas relacionadas com a Don Algodon, o que atesta do prestígio angariado ao longo dos anos. Segundo as mais recentes notícias, a marca espanhola foi comprada por um grupo norte americano e este tem a missão de a trazer de volta à ribalta. Quem está mais atento à secção dos perfumes, nas grandes superfícies, em especial, repara que as fragrâncias da Don Algodon nunca deixaram de lá estar, apesar de já não serem tão frequentes como prendas de aniversário ou de Natal. Quem nunca recebeu?! Há exemplares merecedores de marcarem presença numa colecção de perfumes e aquele que apresentamos é um desses casos. Antigo, raro, altamente colecionável e com um je ne sais quoi de 80's, eis o protagonista da noite...




Ou será que o protagonista é outro?! Descubra mais em: Instagram

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Numismática

As moedas, pelas suas características físicas, estragam as carteiras e há muitas pessoas que nem lhes dão tempo para testar esta teoria, despacham-nas logo. Tem sido notícia de que há uma moeda, de um cêntimo de euro, a valer uma fortuna, só por ter sido mal cunhada e apresentar defeito. Alguém, em Itália, ligado ao processo de cunhagem, teve a "brilhante" ideia de executar mal o seu serviço só para depois, devido à anomalia, obter lucro no mercado do coleccionismo. O certo é que a moeda está em circulação e é muito valorizada no seio dos coleccionadores, por isso e tendo em conta a divulgação da notícia é bem provável que os comportamentos se tenham alterado em relação à presença das moedas nas carteiras. Uma caça ao tesouro, um mito da fortuna que só meia dúzia de afortunados poderão, um dia, desfazer ao encontrarem e ganharem muito dinheiro com a referida moeda. Este é só um exemplo para as inúmeras motivações das pessoas no sentido de encontrarem determinadas moedas ou para as coleccionarem compulsivamente. A numismática figura no topo da lista dos passatempos preferidos dos portugueses e, se é que poderá servir de barómetro, recue-se aos tempos da mudança do Escudo para o Euro e lembrem-se os valores noticiados como fazendo parte dos escudos "desaparecidos". Quem tiver colecções que se acuse! Ainda não tínhamos feito nenhuma partilha acerca deste tema e já tínhamos pedidos de informações acerca de determinadas moedas, por isso achamos por bem antecipar a dedicação ao tema. Quem está ligado ao ramo das antiguidades procura sempre o mais antigo possível e o mais bem preservado, é inato à natureza de quem tem sensibilidade para a matéria, mas será sempre difícil encontrar objectos tão antigos como acontece com determinadas moedas. Temos moedas desde os tempos da monarquia, nas suas várias dinastias, até às mais recentes, de Euro, nos diversos estados de conservação. 




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Até breve

Lara, o bon vivant de Silves

O coelho mais famoso do mundo, o Bugs Bunny, contribuiu para que, na memória colectiva, a cenoura esteja sempre relacionada com a imagem daquele animal, porém, este é um mito muito bem contado. Ao que julgamos saber, a cenoura até deve ser bastante doseada na dieta dos coelhos e há até alguns que não gostam sequer de a comer. Percebemos, também, que todo o bom humor aplicado àquele personagem nos vicia a percepção das características dos coelhos, em especial, quando nos deparamos com um, de ar alucinado, como aquele apresentado no copo dos sumos Lara. Os coelhos não são todos fofinhos e brincalhões! Os autores gráficos do trabalho deram aso a que as interpretações possam ser muitas e a nossa vai ao encontro de um coelho que gosta de um bom screwdriver. Só pode! E os sapatos, desgastados na sola, não deixam margem para dúvidas: o coelho Lara vai de Silves a Albufeira, para a noite e saltita de capelinha em capelinha. Gosta do tremelique das velas, das luzes, melhor dizendo! Antes passou pelo Teodósio, na Guia, sim, que a dose de salada só leva tomate e cebola, bem temperados, como manda o Lara, o coelho que não gosta de cenoura. 



Copo Lara 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Gentlemen, stop your engines

A fotografia partilhada pela manhã, com as marcas de uns pneus no asfalto, é de nossa autoria e foi tirada numa área habitacional onde têm ocorrido relatos de que andam a praticar City Car Drift no real. Portanto, alguém, com uma perícia de assinalar, diga-se, começou a semana, literalmente, a queimar pneu, mas também a colocar em perigo a sua vida e a dos outros. Umas marcas assim não se conseguem sem que se leve ao extremo o carro, o qual tem de ser bastante potente. Escreve um leigo na matéria que um dia se atreveu a entrar no automóvel de um piloto profissional. Nunca mais! Admitimos que não seja fácil conter a cavalagem, a do condutor habilidoso e a do potente carro, mas, nos dias que correm e com a informação existente é um dever cívico a contenção ao volante. Esta não existindo, impõe-se a velha questão, será que disponibilizando locais próprios para este tipo de exibicionistas conseguir-se-á alterar comportamentos? Locais bem próprios para corridas seriam os circuitos representados nas chapas da Casa do Pessoal Cidla que anexámos à fotografia da celeuma. Esposende e Guimarães são as cidades gravadas no metal e assistiram às memoráveis corridas do início dos anos 70, onde tudo era fascinante, mas, nós que não ligamos tanto à velocidade, realçamos o design dos carros. As duas peças, com certeza, despertarão a atenção dos coleccionadores e aficionados, por isso contamos com a vossa ajuda para sabermos mais acerca destes encontros automobilísticos.




Vale a pena assistir: Anúncio Gazcidla "Santos Populares"

domingo, 22 de janeiro de 2017

O amarelinho de Lisboa

Quem pergunta: "O que seria do amarelo se não fosse o mau gosto?" não presta a devida atenção ao Terreiro do Paço, não pede batatas fritas no La Brasserie de L'Entrecôte, faz-lhe impressão o Ascensor da Glória, não crava convites para o Estoril Open, não bebe uma Sagres com o prego da Cervejaria Ramiro, não anda no autocarro da HIPPOtrip e ainda diz que prefere as viagens de barco. Hello! Não experimenta o eléctrico 28, com medo dos carteiristas, ri-se quando lhe dizem que o Porta 6 é um bom vinho, pede Coca-Cola sem limão, na esplanada Portas do Sol, mas mesmo quem não gosta do amarelo consegue ficar indiferente a uma Vespa naquela cor. É uma peça de eleição e propícia a um passeio por uma cidade como Lisboa. Apesar de toda a cantilena, aproveitamos a oportunidade para, ainda que só aqui no blogue, sairmos do Porto e partilharmos algumas sugestões para uma aventura na capital. A mota foi só utilizada como acessório, para a recolha de imagens dos nossos artigos e de forma a criar um ambiente mais retro. O modelo não é, de todo, antigo, mas a marca está associada aos anos 60, 70 e foi esse registo que pretendemos relacionar. A nossa "montra" contém desde um rebobinador de cassetes VHS, o amigo inseparável dos leitores de vídeo, a um vinagreiro da Secla, já sem uma pequena lasca, mas até por isso com graça. O amarelinho de Lisboa também lá está, o eléctrico, tão icónico da cidade alfacinha. Há um denominador comum aos elementos presentes, AMARelo, uma cor que nos lembra a Primavera; o Verão, que nos dá vontade de sair e apanhar sol na cara. Hoje Lisboa está engalanada e há festa no Saldanha, anda pela cidade e ainda não tem programa?! Fica a nossa sugestão! 




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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Encontro com a A Liberdade

O frio, em Portugal, veio para ficar, mas, na cidade do Porto, como está sol, até nem se sente muito o "briasco", como tal, o Monsiuer d'Almeida resolveu ir ao encontro de cenários mais arejados. Hoje é a tomada de posse do Donald Trump e falar-se-á muito de liberdade, por isso, sem querer tecer comentários directos acerca da sucessão de Barack Obama na Casa Branca, adoptámos um registo que - Ui! Semiótica... - pretende rechear-se de significados. Deixamos à vossa "A Liberdade" a interpretação, ficando as etiquetas e hashtags à nossa responsabilidade, mas vamos já adiantando que a lata é de Xylophene, os óculos são para cortar cebolas e não revelamos a verdadeira identidade do Banksy.





Magnificência

Toda a magnificência presente no Palácio do Comércio representada numa garrafa. Tal como se escreve, nas memórias do projecto, tudo foi pensado para causar impacto e as ofertas, como esta garrafa, parecem confirmar a teoria. Pensamos que a Triana referida será uma histórica fábrica, espanhola, de cerâmicas, oriunda de uma zona com o mesmo nome, em Sevilha. Reza a lenda que tirando a rolha à garrafa a cidade ficará a saber muitos dos segredos relacionados com o Palácio. É melhor não a tirarmos, para já! :)




Garrafa Palácio do Comércio

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Palácio do Comércio

Uma champanheria, não poderíamos pensar em negócio mais adequado para servir de montra a tão imponente edifício: o Palácio do Comércio, na Rua de Sá da Bandeira. Bastaria um olhar mais atento para se perceber, facilmente, que os elevados custos não foram entrave para uma execução plena de materiais com qualidade e requinte, mas recomendamos alguma leitura mais especializada para se perceber melhor a elevação pretendida para o edifício, por parte dos seus promotores e executantes. Não nos parece um espaço de fácil acesso, para quem deseje ficar a conhecer os interiores, das áreas dedicadas a escritórios e habitação, mas a Champ's Bistrô da Baixa reúne bastantes traços arquitectónicos comuns à generalidade do prédio, por isso será um bom local para se sentir toda a magnificência de que se escreve. Este espaço comercial acaba por ser uma ode à bebida oficial do prédio, em muitos dos encontros sociais organizados e, estando a escola de Chicago implícita em toda a obra, não deixa de ser curioso encontrar, algures naquela cidade americana, uma champanheria bistrô que em muito faz lembrar o conceito da que marca presença no Palácio do Comércio. Pontos que se tocam, entre as duas cidades e que atribuem apontamentos de grande metrópole ao Porto. Ficamos na expectativa para percebermos se, com a revolução imobiliária em curso na baixa, haverá algum projecto que consiga potenciar a visibilidade da escultura alegórica presente no topo do edifício. É um desperdício, mas quem passar, mais cabisbaixo, na calçada acaba por não ter percepção da imponência do que lhe está acima. Portanto, bebidas, Palácio do Comércio, Porto, requinte, o que virá por aí numa das próximas partilhas?!



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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Portugalidade

A caminhada matinal, pela baixa da cidade do Porto, em busca do painel de azulejos da Oliva serviu para a recolha de imagens, mas também para nos inspirarmos para a recriação de um cenário que nos é particularmente querido. É comum a muitos de nós a imagem da avó a costurar, num acto que era um misto de solidão e criação, mas todo repleto de dedicação e emancipação. A máquina de costura contribuiu e muito para que a mulher passasse a ter um outro papel no seio familiar e também no mundo das oportunidades de trabalho. Costureiras e modistas passaram a ser profissões que permitiam à mulher ter alguma independência económica e até algum estatuto social. Não é de estranhar, portanto, que estas máquinas tenham um grande simbolismo, sendo muito procuradas mesmo não estando na plenitude das suas funcionalidades. 



No teaser que criámos, na primeira partilha, há a aparição de um rádio e no nosso pensamento esteve a utilização daquele aparelho pelas costureiras, para se distraírem nas longas maratonas de costura. Na segunda fotografia há uma explosão de portugalidade e o armário, já de si muito original, transforma-se numa completa bancada de trabalho, onde não falta sequer o icónico livro de instruções da máquina. Os turistas brasileiros, que tão agradável momento nos proporcionaram, junto à estação de S. Bento, já devem estar de partida para o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, mas temos a certeza de que lhes tentámos passar todo o simbolismo aqui presente e isso deixa-nos com uma indescritível sensação de dever cumprido.

                             

Ambiente de trabalho carregado de simbolismo 


A Oliva aqui republicitada pelos autores do blogue

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

"Escultura" ao Império do Ferro

Nos dias que correm, na cidade do Porto, tirar uma simples fotografia, a algo que saia dos habituais monumentos fotografáveis, pode originar reacções inesperadas nos "turistinhas de imitação" (passe o pejorativo da expressão, que nós gostamos muito de ver a cidade a pulsar turismo). A nossa intenção era só a de recolher uma imagem do azulejo da Oliva, em forma de cartaz publicitário, localizado ao lado da estação de S. Bento, mas reparámos que deixámos de ser os únicos a fazê-lo. Um casal, originário do Brasil, colocou-se atrás de nós, a tirar fotografias e não demorou muito a perguntar-nos a razão de estarmos a tirar fotografias àquele conjunto de azulejos. Sem contar, ali estivemos a passar um pouco do que sabemos acerca da Oliva e do que esta representou para Portugal, a dada altura da nossa história. O pioneirismo e a inovação são marcas que temos em consideração para com esta extinta fábrica, mas não pudemos deixar de contar aos nossos visitantes brasileiros os feitos ao nível da comunicação. 


                                           


Só este cartaz, em azulejo, colorido e com um design gráfico que dava pano para mangas - mesmo a propósito -  é bem elucidativo da razão do nosso fascínio, mas fizemos questão de os incentivar a fazerem alguma pesquisa posterior, pois o património, deixado por todo o país, é imenso. Este é o nosso pequeno contributo para a preservação da memória, até por recearmos que o fim deste azulejo possa estar próximo. O mau estado é evidente e o facto daquela área da cidade ser muito apetecível para o sector imobiliário não augura nada de bom, mas vamos acreditar que a sensibilidade crescente para o património prevaleça e este trabalho possa encaixar em algum projecto futuro e assim continuar a embelezar a cidade e a fazer pose para a fotografia. 



Vista lateral da Estação de S. Bento


Monsieur d'Almeida no Facebook. Hoje em dia, parece ser uma tendência acompanhar os blogues através de outras plataformas. No caso referido, basta clicar no artigo partilhado e será remetido para a blogosfera.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Instante

" (...) Prompto o jantar, vão p'ra meza
e depois de bem comidos
ficam-se á meza entretidos,
a ajuntar n'um prato os ossos,
E até do chá serem horas

entregam-se ás diversões
do bello quino a feijões
ou da bisca a Padre-nossos.

Apoz o chá, o burguez,
feliz, contente, ditoso,
co'a esposa volta p'ra o goso
dos lençóes frescos, lavados;
a creada arruma a casa, 
e as innocentes donzellas
desesperam ás janellas
á espera dos namorados.

Eis como o burguez do Porto
aos domingos passa a vida
n'esta terra aborrecida,
d'eterna semsaboria,
onde quem quer divertir-se
n'um dia santificado
tem, como prato obrigado:
- Jardim da Cordoaria"

Em Um Certo Porto - Helder Pacheco


Contrariando o ponto de honra do Instagram, mostre mais e escreva menos, mas indo ao encontro da liberdade para a escrita do Blogger, deixamos aqui o nosso endereço, naquela rede social mais pictórica, juntamente com uma fotografia de um cenário que esperamos seja inspirador para as vossas criações. O nosso instante! Fazemos, ainda, uma citação carregada de memória e de identidade portuense, como não poderia deixar de ser, tendo em conta a nossa prezada fonte.


Livros de e para uma vida

Domingo, de manhã, é uma boa altura para se escrever sobre livros. Numa ida ao café, há quem leia, com mais detalhe, as notícias do jornal. Outros aproveitam o dia soalheiro para ler um livro na esplanada. É uma sorte viver numa cidade com a opção rio e mar! Há ainda quem prefira dedilhar no telemóvel a procura de matéria para se exercitar na leitura. E o curioso, em relação a estes últimos, é que muitos deles não tinham hábitos de leitura antes da aparição destes fenómenos das redes sociais e dos "telemóveis espertos". É um ponto muito positivo, este e também o é a possibilidade de todos fazermos a construção de frases através dos comentários. Têm muitos erros ortográficos e de outra ordem?! Verdade, mas há exercício de escrita e isso é que nos importa realçar. Ao mergulharmos na imensidão de livros que vamos acumulando escolhemos um, em especial, para tecermos algumas considerações. Trata-se de um livro de curso, referente a Engenharia Civil, da Universidade do Porto, datado de 1952. A nós, que tivemos uma experiência académica mais contemporânea, sem nunca se ter sugerido a execução de tal obra, impressiona-nos a dedicação e o cuidado com que foi feita toda a publicação. Escolheu-se uma pessoa especial para cada um dos alunos e pediu-se para lhe fazerem uma dedicatória. Alguém ilustrou a figura dos alunos, com características que os distinguiam e anexaram-se os textos, sendo o resultado final muito envolvente, mesmo para quem não tem nenhuma pessoa conhecida na lista de alunos ou professores (destes, um ou outro era mais conceituado, como Antão de Almeida Garrett). Visto o livro, com a distância temporal de décadas e com a percepção do que se passa nos dias de hoje, fica no ar a sensação de que na altura era tudo encarado com mais seriedade, mesmo que a amostra seja apenas este pequeno apontamento da tradição académica. 


É pato na descendência
Cisne n'apresentação 
É um cordeiro na família 
É na vida um pavão...
Desculpa amigo pato
Melhor não sei rimar
Aproveito a ocasião
P'ra daqui te abraçar

Manuel Morais


Apenas um exemplo, com nota humorística, dos textos que se podem encontrar no livro de curso de Engenharia Civil, da UP (1952). Para quem assumia não saber rimar, está muito bem, sim senhor, merecendo a nossa citação. 


Esta preciosidade encontra-se agora disponível para consulta na Biblioteca de Bustos 

sábado, 14 de janeiro de 2017

Toca o disco

Escrever sobre discos, num sábado, à noite, faz com que os pensamentos deambulem pelo actual movimento noctívago portuense. Pensar que antigamente a noite acabava quando a noite actual começa - passe o exagero - é bem representativo de que tudo mudou. Isto não quer dizer que a mudança tenha sido descaradamente para pior. Não foi! Há opções, há movimento, há vida e a cidade agradece, mas isto é se ocultarmos o que se passa já quando o estômago triturou o jantar e o efeito corrosivo do álcool começa a fazer das suas. É demasiado tarde! Escrevamos acerca de discos! Aquando da estruturação do material que nos auxilia na elaboração dos artigos, houve um exemplar que nos suscitou a vontade de escrever algumas linhas a seu respeito. Confessamos que não conhecíamos o seu autor musical (Raymond Lefèvre), mas, na verdade, não foi esta componente que nos suscitou mais interesse: reparem na capa e no arranjo gráfico! Goste-se ou não, estamos, certamente, perante um claro vestígio do movimento Pop Art em Portugal. Data de 1972 e o desenho da capa é atribuído a Manuel Vieira. Quem será tal artista?! Manuel João Vieira poderia sê-lo, perfeitamente, pois já demonstrou ter rasgos criativos de grande mérito, mas seria, à data, demasiado novo. É uma incógnita que aqui fica como repto para que alguém nos possa ajudar, de modo a todos ficarmos a saber um pouco mais acerca do tema, mas certo é que Andy Warhol (prometemos, para breve, a partilha de alguns trabalhos do autor) ficaria satisfeito por ter por cá um bom discípulo. Será?! Dizem que estas personalidades têm mau feito, às tantas...

Página de Facebook

Sinergias! Desmontando o termo, encontramos na nossa divulgação em simultâneo um ponto em que os significados se tocam. Para além do blogue, criámos uma página no Facebook para espalharmos a palavra, de modo mais abrangente e para tentarmos conquistar audiência.

Página de Facebook Monsieur d'Almeida


Funcionalidade "Ver Primeiro"

As pessoas mais rotinadas com as redes sociais sabem que bastará fazer "Gosto" na página para ficarem a par das nossas partilhas e poderem interagir connosco. No entanto, existem algumas funcionalidades que refinam mais o acompanhamento, por isso e desejando que seja sempre o caso: sendo a nossa página do vosso interesse podem fazer "Ver Primeiro" e ter-nos-ão com mais visibilidade no vosso "Feed de Notícias". 



sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O acrescentar de valor pela passagem do tempo

Olá, blogosfera, o Monsieur d'Almeida pretende ser um blogue em que se escreva sobre antiguidades, de todo o tipo, mas todas enquadradas no perfil dos seus criadores. Bom gosto?! Dir-nos-ão vocês, mais tarde, quando a impessoalidade se começar a dissipar e os contornos mais intimistas aparecerem, no fundo, quando todos nos sentirmos mais à vontade aqui neste "cantinho". Esperamos despertar o vosso interesse pelos artigos e também pela área, repleta que está de mensagens implícitas, tais como a importância da reciclagem e do valor para com o património e identidade.

A cidade do Porto tem, na sua gente, o cultivar de uma identidade e a sensibilidade para o património parece ser inata. Talvez seja por isso que algumas ruas da invicta estejam pejadas de espaços dedicados a uma certa cultura vintage e a verdade é que toda essa ambiência criada combina muito bem com a dinâmica citadina portuense. Regalo de turistas estrangeiros, mas não só, pois são muitos os visitantes que vêm de outras cidades nacionais e alguns só em busca das viagens no tempo que as lojas de antiguidades proporcionam.

Verdadeira inspiração! Temos alguma predilecção pela Rua do Almada, dada a diversidade de temas inerentes às lojas mais recentes e à forma como os espaços históricos se mantêm activos, estoicamente, muito provavelmente, mas com presença obrigatória numa cidade que não se quer confundível.

Entusiasmados, procurámos também nas plataformas virtuais satisfazer a nossa necessidade de absorver informação acerca das antiguidades, do vintage, do coleccionismo e encontrámos alguns projectos interessantes, que denunciam o interesse existente por este tema. Imbuídos do espírito, não o conseguimos evitar, faz parte da nossa natureza e, como tal, decidimos criar um projecto próprio. Tentaremos trazer algo de novo, mais adorno textual às imagens, as tais histórias e estórias com que as peças icónicas nos podem brindar, fazendo, sempre que possível, pontes para o presente.



Brincar às decorações