quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Publicidade Antiga

A "publicidade antiga" é um dos temas no ramo das antiguidades que suscitam mais interesse e as razões para tal são diversificadas. Há pessoas que se dedicam ao estudo da evolução nas técnicas publicitárias e procuram documentos para fundamentar as suas teses, outros fazem colecção de peças com publicidade e tentam encontrar "aquela" relíquia, há ainda aqueles que usam o legado publicitário para decoração e o que fornecer mais impacto é que tem interesse e outros gostam apenas de recordar outros tempos e respectivas marcas de então. Certo é que toda a arte imposta nos trabalhos publicitários não deixa ninguém indiferente, por isso estão todos convidados a percepcionar a plasticidade publicitária, demonstrada ao longo dos tempos e que está patente nas imagens apresentadas de seguida.

Pasta de dentes Kolynos


Margarina Vaqueiro


Acetona Atrix


Rei Sport


Ted Lapidus


Cremes Pond's


A Prestcold "republicitada"


Fábrica de Produtos Estrela


Madame Campos


Marianela


Kemt


Maclean


Saltratos Rodel


Waldorf


Alfa


Tokalon


Walt Disney


Peça decorativa com publicidade antiga


Ainda que sem datação nos trabalhos ou grandes incursões científicas, através da dispersão de imagens apresentada percebe-se como a publicidade acompanha as correntes artísticas de época, seja ao nível de uma ilustração, de uma fotografia ou até dos textos elaborados. A publicidade antiga é uma das áreas pelas quais nos sentimos mais atraídos no mundo das antiguidades e coleccionismo e é por essa razão que vamos acompanhando alguns grupos de vendas no Facebook. Temos muito gosto em divulgar dois desses grupos, pois destacam-se dos demais pelos interessantíssimos artigos que vão sendo colocados e aprovados para as avaliações de diversa ordem. Publicidade Antiga Portuguesa e Memorabilia d'Antigamente são os nossos destaques e para os visitarem bastará clicarem na hiperligação criada nas denominações ou, então, pesquisarem directamente na referida rede social. Estamos convencidos de que irão ser surpreendidos pelos artigos apresentados e talvez sejam até tentados a adquirir uma ou outra peça que por lá aparecem: são irresistíveis! 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

(Rotunda dos) Produtos Estrela

A presença da Fábrica dos Produtos Estrela no Porto é de abordagem muito interessante. É inquestionável a importância que a fábrica teve para a cidade ao nível da empregabilidade e estatuto adquirido pela qualidade dos diversificados produtos fabricados. Já muito se escreveu sobre tudo isso! O edifício que albergou a fábrica ainda existe, em tempos, chegou mesmo a receber a Moviflor, mas quis o acaso que a falência fosse também o destino deste negócio. Na época alta da Fábrica dos Produtos Estrela a imponência do edifício era de realçar, com uma excelente visibilidade para quem passa nas vias que o circundam ninguém lhe ficava indiferente e a prova está no baptismo eterno recebido pela "Rotunda dos Produtos Estrela". Apenas uma curiosidade para enquadrar um anúncio, retirado de uma revista dos anos cinquenta do século passado, em que é possível perceber que as máquinas e acessórios para forrar botões também faziam parte do cardápio da fábrica.


Anúncio de revista a um dos produtos fabricados na PE

Madame Campos recomenda...

O curso superior, tirado na Escola Superior de Farmácia da Universidade de Coimbra, é o ponto mais relevante do extenso curriculum de Inácia Camila de Oliveira Campos, mas o rol de competências era alargado e tudo referente ao ramo da beleza. Mais conhecida por Madame Campos, Inácia era viajada e dotada de um forte sentido empresarial que a levou a ser pioneira no sector da cosmetologia em Portugal. Em 1912 fundou a sua Academia Científica de Beleza e, não fez por menos, instalou-se logo na capital e em plena Avenida da Liberdade oferecendo tratamentos de beleza e produtos próprios. O negócio prosperou, ao servir uma elite ávida de modernidade e Madame Campos alargou o seu raio de acção para o Porto e para o Brasil, sendo muito bem sucedida nesta medida arrojada para as épocas.


Anúncio de revista a um produto Madame Campos

São muitos aqueles que ainda guardam recordações dos primeiros contactos em Portugal com a alta perfumaria, serviços e produtos cosméticos proporcionados pela arte e engenho de Madame Campos. É frequente encontrar pessoas que ou trabalharam como conselheiras de beleza ou receberam em casa estas senhoras, sempre atentas às necessidades da pele de cada um e prontas a recomendar um produto apropriado. Para nós, que não tivemos esse privilégio, é um regalo acedermos a um exemplar fantástico de publicidade antiga à marca e é com satisfação que o partilhamos por esta via. 

Ameal 1938

O Ameal ou Amial, na cidade do Porto, é um local pejado de estruturas industriais abandonadas. Os terrenos que o compõem eram, em outros tempos, apetecíveis para a instalação de fábricas, pois referem-se a uma ampla área geográfica, localizada relativamente perto do centro da Invicta. A Nova Empresa Industrial de Curtumes, com inícios de laboração nos anos 20, do século passado e as mais contemporâneas Fábrica de Malhas do Ameal e Francisco F. d'Almeida Herdeiros, Lda são os casos mais impactantes, dotados de edifícios megalómanos e que estão, hoje em dia, totalmente ao abandono devido ao encerrar das actividades.


Francisco F. d'Almeida Herdeiros, Lda

Nos seus tempos áureos, estas industrias davam emprego a centenas de operários e talvez esteja relacionado com o movimento gerado o desenlace no processo de escolha desta área para a construção de alguns bairros sociais. O Agrupamento de Moradias Económicas do Ameal, inaugurado em 1938, destaca-se dos demais pela sua tipologia e dimensão, isto comparado com os similares existentes na cidade. A arquitectura reinante atribui àquele serpentear de ruas um ambiente geral muito pitoresco e esta característica encaixa, na perfeição, nas intenções dos mentores do projecto. Direccionado às famílias, um bairro desta natureza deveria ser dotado de características que permitissem obter qualidade de vida e transmitissem identidade e é isto mesmo que se pode encontrar no actual Amial.


Uma das encantadoras e originais moradias do Ameal

Uma escola primária, seguindo um projecto tipo de Rogério de Azevedo e algumas aprazíveis pracetas fazem também parte deste complexo habitacional. Não deixa de ser interessante, mas, ao mesmo tempo, preocupante, verificar que muitas das pequenas moradias estão a passar para jovens casais e que estes estão agora a remodelá-las e, em alguns casos, a ampliá-las, sendo que a descaracterização evidente poderá levar à perda da tão famigerada identidade. 


Moderna moradia com revestimento a cortiça

Com visão mais ou menos puritana, a verdade é que o Ameal ou Amial ainda é um local pouco ou nada referenciado nos mapas com roteiros recomendados aos turistas, por isso, para quem desejar ter uma percepção diferente da cidade do Porto, com uma tranquilidade já difícil de encontrar pelo centro, este é um destino a colocar na agenda. 


A toponímia do bairro tem nomes de flores, o que reforça o ambiente bucólico sentido

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Momentos da História - São João

Foi a 24 de Junho, de 1959, que a cidade do Porto ganhou o seu Hospital Escolar, sendo que esta designação se deveu à sua característica híbrida de oferecer serviços hospitalares e de alojar a Faculdade de Medicina. A traça arquitectónica denuncia as origens de Hermann Distel, o alemão responsável pelo projecto, pois perante a presença majestosa daquele edifício rectilíneo somos remetidos para determinados ambientes, proporcionados pelo betão, por terras bávaras. Considerado um especialista em construções hospitalares, refira-se, como curiosidade, que Hermann Distel não chegou a ver a obra materializada, pois faleceu entre a data de criação do projecto (1943) e a sua finalização, já abordada inicialmente. 


 Perspectiva da imponência 

A importância do Hospital de São João é inquestionável e as suas dinâmicas internas dariam, com certeza, páginas sem fim de considerações. Não fugindo do nosso tema, a área envolvente à globalidade do complexo hospital é, hoje em dia, fértil em pontos de interesse na nossa perspectiva, por isso, numa breve caminhada, poder-se-á observar o Passeio Manoel de Oliveira, a Escultura de Paulo das Neves, a Casa Ronald Mcdonald, a fachada da Faculdade de Medicina e a própria sinalética exterior de design muito sofisticado para a época. 







O assinalável respeito pelo património e história do hospital, por parte dos seus responsáveis, está bem patente na pequena exposição "encaixada" num dos poucos espaços livres das instalações interiores. Louve-se a iniciativa! Não há muita informação disponível e o acesso é condicionado, mas, pelo que é dado a perceber no local, a exposição chama-se "Momentos da História - São João" e visa dar a conhecer peças de memorabilia hospitalar de importância assumida em diversas épocas e que chegam aos dias de hoje como parte integrante de uma corrente de valorização do passado.








Apesar deste apanhado de imagens e informações estar longe daquilo que é possível obter, esperamos ter despertado a curiosidade e a vontade de descobrir todos estes e outros elementos presentes no Hospital de São João. Numa próxima visita, que se espera sempre ser por bons motivos, não percam a oportunidade e recebam estes "extras" que o HSJ tem para partilhar.

domingo, 20 de agosto de 2017

Do Grão à Chávena

Este é um título com forte aroma a café, daquele "cheirinho" que nos faz, muitas vezes, abusar da bondade da chávena, de modo a que esta nos presenteie com uma bebida saciante em tão variados campos. Se a alguns só o sabor e a intensidade do café interessam, a outros a atenção está virada para tudo quanto o envolva... sendo que depois ainda há Manuel Guedes. Este valonguense, emigrado na Suiça, não se acomodou à condição de insaciável coleccionador, extrapolando o seu perfil para a posição de autêntico embaixador do café. Ao seu espólio de documentos e objectos, relacionados com o mundo do café e reunidos ao longo de anos a fio, Manuel Guedes aliou uma grande força empreendedora e a vontade de ganhar o seu lugar na história da grande indústria que gravita à volta do tema. Todo o processo necessário até que a bebida jorre da chávena é possível ser retratado só com peças da colecção pessoal de Manuel Guedes, por isso, perante este grande mostruário, pressentem-se todas as suas várias etapas: o cultivo, a transformação, o comércio e consumo do café. 


Manuel Guedes no MUMAC

Em pleno período em que uma boa parte dos portugueses está de férias, mesmo a calhar, estará patente a exposição "Do Grão à Chávena", na Sala Gótica da Câmara Municipal de Barcelos, por isso, até 17 de Setembro, esta será uma boa oportunidade para se inteirar da dimensão que uma colecção pode alcançar quando o seu dinamizador se move por verdadeira paixão. 


Flyer alusivo à exposição


Algumas das relíquias da "Acervo do Café"

Manuel Guedes é detentor de altruísmo intelectual, na medida em que faz questão de partilhar o seu próprio conhecimento e este é bem consolidado através de formações e vasto em resultado da sua ambição sem fronteiras. Naturalmente, as oportunidades para tão valioso espólio material e imaterial vão aparecendo e a criação da marca Acervo do Café tem em vista o seu aproveitamento através da oferta de serviços que vão ao encontro de uma inovadora acção de divulgação didáctica, cultural, científica e gastronómica. As exposições são a faceta mais visível da marca, mas os congressos, as conferências, os workshops e eventos também fazem parte de um reportório que garante, logo à partida, um aroma do agrado de todos e que oferece um sem número de hipóteses para aproveitamento comercial.


CD da família Guedes

Não poderíamos acabar este artigo sem uma menção a Olga Guedes e restante família de Manuel Guedes. Nas palavras de Manuel sente-se, perfeitamente, que a base da estabilidade para os seus projectos em curso está na família e a edição do "CD de família" é apenas um exemplo dos vários gestos de gratidão adoptados ao longo do tempo por Manuel. Nini, como carinhosamente é apelidada, também está imbuída do espírito de coleccionista reinante na família e participa, amiúde, nas variadas acções, por isso endereçamos os nossos agradecimentos, pelas informações partilhadas, a todo o clã, desejando a melhor das sortes a nível profissional e pessoal.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Livraria Ferreira 1891

Não é todos os dias que nos passa pelas mãos um original guia para conversação de 1891 - Inglez e Portuguez - ainda para mais sendo referente à Livraria Ferreira, ligada que está historicamente às escolhas para as leituras de Fernando Pessoa. Sim, ao que parece, a Livraria Ferreira era um dos abastecedores de livros de Pessoa, nós perguntamos, terá sido este seduzido pela localização da loja na, rodeada de misticismo pela singularidade do nome, Rua Aurea?! E, a propósito do pequeno texto extraído do guia, que agradável é a viagem de Lisboa a Sintra, ao som da artista com o mesmo nome da artéria lisboeta. Não importa o meio de transporte, importa ir...


Bonita capa, em verde esmeralda e com um tipo de letra a condizer 


Irresistível passagem do secular guia para conversação

O exemplar apresentado esta assinado, Maria Beatriz Pinheiro e, a avaliar pelo que está escrito, seria para ser utilizado no "Collegio Inglez do Sagrado Coração de Maria", isto, recorde-se, no ano de 1891. Não é de admirar a identificação, pois o guia é adaptado ao uso dos "Collegios de meninas", mais concretamente, a um ensino particular colegial, com um forte pilar religioso, muito dirigido a descendentes de famílias abastadas. São vários os nomes deste tipo de estabelecimentos de ensino que se foram enraizando em Portugal, sendo que estaremos familiarizados com alguns: Colégio Liverpool, Colégio Luso-Britânico, Colégio do Sardão, Colégio Luso-Francês, etc. Este é um tema que facilmente poderá divergir para questões de abordagem mais densa, por isso e como curiosidade apenas algumas considerações em relação ao Colégio Inglês do Sagrado Coração de Maria, actualmente denominado de Colégio de Nossa Senhora do Rosário. Pertença do Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria, em Portugal - Congregação fundada originalmente em 1849, em França - funcionou inicialmente na Rua da Fábrica e depois na Praça Coronel Pacheco, foi doado por Miss Hennessey, uma generosa irlandesa que o entregou às irmãs do instituto, que iniciam a sua acção educativa, no Porto, em 1871. O nome em inglês tem que ver com a hostilidade aos franceses, a proclamação da república, em 1910, impediu que a missão das irmãs continuasse no nosso país, mas a sua resiliência fez com que em 1926 fosse lançada a semente do actual Colégio de Nossa Senhora do Rosário. Estamos em crer que até aqui ficaram bem patentes os níveis de densidade do tema, por isso e antes que se adensem... FIM.

Grande Hotel do Porto

Encontrar um panfleto antigo do Grande Hotel do Porto originou uma faísca no circuito interno da introspecção: "- Espera aí, nós admiramos este hotel, mas ainda não conhecemos o seu interior...". Para os portuenses, residentes na cidade do Porto, é natural que o alojamento esteja fora das hipóteses em aberto para efectivar a visita, mas, era de esperar em tal instituição, o GHP tem uma série de serviços que permitem contornar a posição de simples admiradores locais. 


Um desdobrável que se destacou num monte de papelada


O Miradouro da Serra do Pilar oferece um postal vivo da cidade do Porto 


As remodelações não têm retirado a identidade ao Grande Hotel do Porto

Uma placa reluz, como se de ouro se tratasse, a quem passa na Rua de Santa Catarina e torna inevitável a paragem no número 197. A memória da hospedagem dos Imperadores do Brasil, Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina, em 1889, dá as boas vindas aos inúmeros transeuntes que não resistem a entrar no Grande Hotel do Porto para saciarem a curiosidade despoletada por tão importante alusão. Sejamos sinceros, o corredor da entrada e a área de recepção têm a simplicidade como ponto comum, mas talvez seja também por isso que salta à vista o extraordinário brasão da cidade invicta, presente na estrutura destinada aos serviços e que concentra todas as atenções.


Placa alusiva à visita dos Imperadores do Brasil (1889)


A cidade enche de luz quem a visita

Desde a sua inauguração, em 1880, que o Grande Hotel do Porto vê a si associados diversos nomes de notáveis deste país e do mundo. Assim que nos são dadas as saudações e passamos para os corredores interiores do hotel, rapidamente nos apercebemos da veracidade presente na mensagem transmitida pelos responsáveis da unidade. O bom gosto na decoração, o requinte presente nas peças que desta fazem parte e os testemunhos deixados, de forma manuscrita, por nomes sonantes atribuem ao hotel um ambiente repleto de charme. O The Windsor Bar e o Salão das Colunas são espaços onde poderá absorver toda a ambiência criada e isto enquanto exercita a leitura, intercalada por uma bebida ou por dois dedos de conversa.


António Ferro, José Hermano Saraiva, Mafalda Veiga, são mais exemplos da diversidade de ilustres visitas


Nas mesas ou nas paredes a presença de extraordinárias peças

O Brunch de Domingo acaba por ser um excelente pretexto para uma visita ao hotel aqui retratado. Servido no Restaurante D. Pedro II, tem na sua oferta algumas especialidades que prometem não defraudar os aficionados por aquele modelo de refeição. Os ovos Benedict e os mini hambúrgueres ficaram no topo das nossas preferências, mas nós não conseguimos provar de tudo, por isso ainda ficam em aberto muitas possibilidades para que possam dar o vosso veredicto. Não podemos deixar de realçar toda a receptividade à presença de crianças, sendo que estas até aos dois anos não pagam e ainda têm direito a todas as atenções redobradas. 




Uma peça Christofle representada pela Antiga Casa José Alexandre 

Não poderíamos deixar passar a oportunidade para referenciar a Antiga Casa José Alexandre, por via da presença, na sala do restaurante, desta magnífica peça Christofle. Aquele estabelecimento, que um dia as chamas devoraram (Chiado, 1988) e, praticamente, lhe extinguiram o negócio, foi durante décadas o representante daquela exclusiva marca francesa. Outras chancelas fizeram parte do cardápio da casa lisboeta e todas relacionadas com o luxo e o requinte, de modo a fazerem face às solicitações da importante clientela: embaixadas, hotéis, estado, casas de famílias abastadas. Ter a possibilidade de perceber as funcionalidades deste artigo de menage, pela mão de um muito prestável funcionário do hotel, foi, para nós, fechar em beleza uma experiência que muito recomendamos. Na impossibilidade de se deslocar ao lugar poderá aceder à visita virtual disponibilizada no site do GHP: visualizar