quinta-feira, 22 de junho de 2017

São João

No nosso Portugal
Não há nada que não aconteça
Nesta noite de arraial
Reergamos a cabeça

No ar irão andar os balões
Disso podem ter a certeza
Não levem a mal os foliões
Só querem espantar a tristeza

Quem de sardinhas não gosta
No Porto não passa mal
Para a brasa vai a posta
Carregadinha de sal

Ao norte venham com sede 
Cá vos esperamos para o São João
Temos cama de rede
Venha de lá o garrafão



Teleculinária Nº 100

As festas de São João 2017, na cidade do Porto, há muito que começaram. Desde o dia 25 de Maio que a animação tem como tema a principal festa popular na invicta. O programa é infindável e a grande dificuldade poderá estar na escolha dos eventos a participar, mas, não nos queixemos, antes a mais do que a menos. Dada a sua extensão, a sensação que se poderá ter a consultar o programa de festas é a mesma que se tem quando nos deparamos com a longa ementa de um restaurante. Simplifiquemos, amigos forasteiros, não se inibam, a noite de S. João pode ser muito bem passada com os programas mais simples. Primeiramente, "livrem-se", o mais rápido possível, do carro e percorram a cidade a pé, rumo às Fontaínhas, para comerem umas sardinhas, no epicentro da festa, acompanhadas da indispensável malga de vinho verde tinto. As farturas estão logo ali ao lado e uma das melhores vistas para o fogo de artifício, na Ponte Luiz I., também, por isso ganhem forças, de modo a poderem tomar o pulso à festa em outros locais da cidade. É fundamental mergulharem na multidão e entregarem-se às típicas marteladas de São João, deixem-se ir na corrente, até à beira do Rio Douro e passem num dos melhores arraiais da festa, o de Miragaia. A partir daqui estão por vossa conta, que a noite já irá longa, mas é natural que se deixem contagiar e acabem estendidos no areal de uma das praias da Foz, tal como manda a tradição. 


Garrafão "descascado" 

O Nº100 da revista Teleculinária, com direcção do saudoso Chefe Silva, oferece, no seu interior, variadas formas de confeccionar a sardinha. As imagens são muito apelativas e não faltam sequer os pimentos e a caneca de vinho para nos tentarem. Na segunda fotografia o enfoque está num garrafão, despido, ou seja, sem o revestimento plástico que, por norma, o acompanha. O efeito é muito interessante e a peça encaixará, na perfeição, como decoração de uma cozinha rústica, por exemplo. Há garrafões nas versões vidro verde, castanho e transparente, por isso é só bebê-los, até ao fim e dar asas à imaginação.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ritual Gambrinus

Tem 81 anos e uma vida repleta de histórias, umas para contar, abertamente, outras para serem segredadas. Octogenário no papel, sempre jovem na sua essência e um arraso de charme. Poderíamos estar a escrever sobre uma pessoa, até por não nos faltarem referências familiares que vão ao encontro, na exactidão, destes dados, mas, não, a abordagem é feita a um espaço de restauração. Aos mais experimentados, bastar-lhes-ia olhar para a fotografia anexada para desvendar o enigma, mas aguardem mais um pouco e permitam-nos deixar aqui alguns dos aromas que mais nos tentam. Parece ser uma tendência a abertura de espaços com a temática centralizada no café, mas a maioria "apenas" tenta reproduzir o ambiente e as especialidades das coffee houses de outras paragens. O apenas está, naturalmente, entre aspas, pois quem arrisca e se atreve a lançar um negócio merece louvor e faça-se a devida ressalva às excepções que tentam fazer algo mais do que importações gratuitas. Os clientes locais parecerem apreciar o conceito e as casas vão-se mantendo abertas, por isso há negócio, mas, na nossa modesta opinião e tendo em conta que os turistas estrangeiros nos estão a invadir estes espaços poderiam tentar misturar no conceito alguma da identidade nacional em relação ao café. Se são apreciadores desta bebida e acham que ir buscá-la num copo de plástico é entusiasmante, então, experimentem tomar um café vindo de uma máquina de balão, mas façam por participar em todo o ritual de preparação. Para se alcançar toda a potencialidade do café convém, primeiramente, ir comprá-lo, em grão, a uma loja tradicional para o efeito. Por exemplo, na cidade do Porto, na renovada mercearia fina Pretinho do Japão, pode-se adquirir o grão e pedir para que se faça a moagem na hora da compra. Devidamente aconselhados, em relação à intensidade mais ao gosto do cliente, pode levar-se ainda de brinde o espectáculo cénico da utilização dos moinhos antigos e a viagem nas memórias, proporcionada por estímulos visuais, auditivos e olfactivos. O ritual atinge o seu epílogo já em frente à máquina de balão: coloca-se o café no globo de cima, a água no de baixo e acende-se a lamparina, de modo a que levante fervura. Nesse momento, a água subirá e misturar-se-á com o café, devendo a bebida ser mexida, ligeiramente e a lamparina apagada. Esta será a melhor forma de terminar um jantar caseiro e surpreender os seus convidados com um método de fazer café que fez tradição em Portugal.


Máquina de Balão Schott Mainz 

O restaurante Gambrinus, em Lisboa, merece todo o destaque sempre que se falar ou escrever sobre fazer café por métodos mais envolventes comparando-os com o banal uso de uma pastilha. Estoicamente, o emblemático Gambrinus foi sempre resistindo à tentação de ir na onda de outros espaços e manteve o café feito em máquina de balão, transformando-o em imagem de marca. À barra ou à mesa, a horas convencionais ou pela noite dentro, o cliente fica envolvido pela arte e traços da vida portuguesa do antigamente, alinhadas pela mão do Arquitecto Maurício de Vasconcelos, mas também pelo aroma e imagens proporcionadas pela elaboração do famoso café. 

terça-feira, 13 de junho de 2017

Estimular a Paciência

Este espaço não pretende ter uma etiqueta acoplada a indicar "antigamente é que era" a cada publicação, não,  mas, de facto, há épocas que vão deixando material merecedor de algumas palavras e de ajustado destaque. Acredita-se que foi John Spilsbury o primeiro a desenvolver um exemplar daquilo que hoje é conhecido por quebra cabeças. Aquele senhor, inglês de nacionalidade, era cartógrafo e o que fez foi tão simples como isto: colou um dos seus mapas, de papel, a uma tábua e, posteriormente, recortou os países que nele constavam. Ao possibilitar que as peças encaixassem, desde que colocadas nos devidos lugares, Spilbury estava a criar um futuro sucesso mundial de vendas, o puzzle e a permitir que pessoas de todas as idades, ainda hoje, exercitem o cérebro e aprendam de uma forma lúdica. Tendo em conta que este relato histórico terá tido lugar nos anos 60, mas do século XVIII, note-se bem, é natural que a invenção, transformada em produto comercial, tenha passado pelas mais diversas fases. Destaque para o período em que as vendas do produto dispararam, isto já no decorrer do século XX, com a massificação da procura. Como manda a lei, havendo mais procura a oferta aumenta e os preços baixam, foi o que aconteceu. Ao que parece, as sociedades globais começaram a descobrir a incrível sensação de se conseguir deslindar um quebra cabeças e viram no passatempo uma terapia para equilibrar a cabeça. 




Nos dias que correm, são infindáveis os modelos de quebra cabeças tradicionais disponíveis no mercado, pois, apesar de existir concorrência quanto à tipologia, aqueles ainda são muito associados aos programas em família e a formas de estímulo cerebral muito valorizadas. Os fabricantes apelam a todos os poderes de criação para conseguirem diversificar a oferta, e, assim, irem ao encontro das exigências. Realce para um tipo de jogo que fez furor nos passados anos 80 e 90, o quebra cabeças de rotação de números. A peça apresentada, em vídeo, é da Gowi e tem a descrição "15 Spiel 10 Min Pro Beispiel". Há seis maneiras de se concluir o desafio, sendo que a mais acessível é a intitulada de "horizontal", em que a numeração vai sendo alinhada nessa posição até se concluir o alinhamento proposto. Também existiam jogos desta tipologia, mas em que eram utilizadas letras, em substituição dos números e isto era aproveitado pelas marcas para fazerem brindes publicitários. É comum encontrarem-se peças em que o desafio está em concluir-se o nome da marca, nas diversas opções propostas. À distância de um clique, hoje temos à disposição todo o tipo de passatempos, mas estes que apresentamos têm o condão de, para além de exigirem um tactear mais vincado para se jogar, serem referentes a uma época em que se tinha de ir para o terreno à procura das opções. Parece incrível, tais são as facilidades de hoje, mas, em tempos, havia até livrarias e farmácias, em especial nos Estados Unidos, a disponibilizarem quebra cabeças para alugar. Isto não é do nosso tempo, não exageremos, mas deixa-nos a pensar...

video

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Glam Cycles

Sabem quando nos armamos em especialistas, em determinado tema, damos uma calinada e o nosso interlocutor nos corrige com uma delicadeza e sabedoria tais que até ficamos com vontade de errar novamente só para ficarmos a aprender mais um pouco?! Primeiro interiorize que Phillips não é o mesmo que Philips e depois atreva-se a explorar as áreas circundantes ao centro da cidade de Aveiro, certamente, irá ser surpreendido, pois há muito mais para conhecer para além daqueles cenários, justos figurinos dos postais ilustrados, proporcionados pela ria. Na freguesia de Vilar, mais concretamente no número 4 da Rua de Santa Rita, fica localizada a Glam Cycles, uma loja especializada em bicicletas antigas e inovação. Caso pretendam iniciar um projecto de restauro, adquirir peças raras ou até alugar bicicletas para um momento especial podem contar com o atendimento de Gonçalo Aguiar e a certeza de que serão muito bem orientados. A loja é pequena, mas esta característica dá-lhe um toque peculiar e vai ao encontro do pitoresco que se percebe em toda a área envolvente. 


Bicicleta restaurada Phillips
 (Fotografia da autoria de Gonçalo Aguiar/Jorge Fidalgo)

O empreendedorismo de Gonçalo fez com que o seu projecto não se limitasse às antiguidades, por isso criou a Glam Alpha, uma moderna bicicleta eléctrica que faz uso de surpreendentes avanços tecnológicos, de modo a optimizar o rendimento. O seu estilo é de um irresistível vintage, experimentem-na passando pela Capela da Nossa Senhora da Glória, datada do século XV e engalanada com o seu amarelo garrido ou ladeando a antiga Escola Primária de Vilar e serão confrontados com um inquietante impulso de compra. 


Glam Alpha bicycle "Woman"

Num espaço desta natureza temos de fazer escolhas quanto às fotografias e informações a apresentar. Para uma viagem no tempo mais abrangente, muito bem enquadrada por excelentes trabalhos de fotografia, valerá a pena passarem pelo site ou pela página de Facebook da Glam Cycles. De nossa parte, prometemos continuar a divulgar projectos que se demarcam, primeiramente, pela dedicação dos seus mentores e depois pelo legado que vão deixando na Memorabilia d'Antigamente de que tanto gostamos. 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Menos é mais...

O intitulado mobiliário nórdico é dotado de uma leveza ímpar e esta característica vai ao encontro do chavão que dá título ao artigo. Quantas vezes nos damos conta de que o menos é mais?! As linhas rectilíneas presentes neste estilo de mobiliário fornecem às peças o suficiente poder impactante para preencherem um espaço de modernidade. Nos anos 50 e 60, do século passado, países nórdicos como a Suécia, Dinamarca ou Finlândia atingiram o auge na produção de um mobiliário funcional, visualmente apelativo e executado com os materiais mais nobres. Pragmático, o design escandinavo fez escola e influenciou outros países, um pouco por todo o mundo, incluindo Portugal. É muito comum encontrar-se no nosso país mobiliário de produção nacional, mas com influência nórdica e que em nada fica a dever ao executado pelos afamados designers dos países nórdicos. Admitamos, gostar do que é nacional pode levar ao exagero, mas não é o caso, como poderemos perceber mais à frente. Em casas de pessoas com mais idade, que ainda viveram as referidas décadas ou em espaços comerciais, decorados com originais apontamentos vintage, frequentemente nos deparamos com os famosos "pés de palito" e dificilmente lhes ficamos indiferentes. 



Fotografia alusiva à "escola alemã" (Leipzig) 


Os valores que as peças nórdicas originais podem atingir são variáveis, mas é de esperar que sejam altos, por estarem na moda e sobrevalorizados. Na P55, uma loja, localizada em Matosinhos, também com espaço virtual e leilões, é frequente aparecer mobiliário nórdico antigo e de autor, por isso é um bom local para dar uma vista de olhos no que vai sendo colocado à venda e assim ter uma percepção da sua cotação. Em lojas de solidariedade social e em lojas de antiguidades é mais comum aparecerem peças de produção nacional, com influência nórdica, são uma opção mais económica, mas não menos válida. Pontualmente, é mesmo possível ver peças à venda da Olaio, uma marca portuguesa que mobilou o país de norte a sul e que, na década de 60, pela mão do designer José Espinho, trouxe a funcionalidade e o utilitarismo dos móveis com linhas simples a Portugal. A qualidade dos móveis era tal que a Olaio chegou a trabalhar para empresas nórdicas, por aqui já se percebe o nível de excelência, mas, como não há nada como comprová-lo com os próprios olhos, ainda é possível visitar alguns locais que conservam peças da icónica marca e perceber a dimensão do legado deixado (Hotéis como o Ritz ou o Tivoli e o Casino do Estoril são alguns exemplos). Segundo rezam as crónicas, descendentes do fundador, José Olaio, querem retomar a actividade da empresa, mas em moldes diferentes. A estratégia passará por delegar em empresas sólidas do sector, localizadas no norte do país, a produção do mobiliário. As informações disponíveis são algo dispersas, por isso nada como esperar para ver o que acontece, mas seria motivo de regozijo ver a Olaio de novo no mercado.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Sifões

Os sifões fazem parte do grupo de peças vintage icónicas e a razão mais evidente para que isto aconteça estará relacionada com o seu design, arrojado para as épocas, algo futurista. As curvas arredondadas e, em alguns casos, as cores vivas muito fazem lembrar o registo conceptual adoptado por Raymond Loewy e talvez não seja descabida tal associação. Uma das marcas mais conhecidas de sifões e cápsulas é a americana Sparklets Corporation (ao que parece, o nome desta marca, no estrangeiro, é utilizado para a generalidade de sifões - um pouco como acontece em Portugal com a Kispo para um tipo de casacos - isto poderá acontecer por terem sido os primeiros a fazerem sifões com o recipiente em metal), por isso, talvez o design aplicado tenha mesmo influência no movimento streamlined, preconizado nos Estados Unidos por Loewy. A presença destas peças no seio das famílias nem sempre foi apenas para adornar a prateleira, como elemento decorativo, os sifões eram utilizados pela sua função primordial: dar gás às bebidas. Por esta razão, estão muito ligados à história das águas com gás, aplicado de forma artificial, por isso será interessante fazer uma pequena incursão pelo que se escreve a respeito.


Sifão British Oxigen Company
Hostmaster Pearl Green

A crença de que as águas minerais, com gás natural, têm benefícios para a saúde já nos acompanha desde os tempos dos romanos e há registos que indicam o quão exclusiva era a bebida. Esta só estaria ao alcance das populações próximas às fontes ou aos mais abastados, que conseguiam receber as águas, mesmo a longas distâncias, transportadas em recipientes bem vedados para não perderem o gás. Reproduzir o processo natural de gaseificação das águas demorou algum tempo até ser uma realidade, mas, no século XVIII, Joseph Priestley, alcançou o feito de adicionar dióxido de carbono à água, tornado-a borbulhante e de paladar similar à extraída da fonte. Estavam lançadas as bases para a comercialização da água com gás artificial, tão benéfica para a saúde como a natural e as farmácias foram, durante muitas décadas, as impulsionadoras do negócio. Primeiramente, a água com gás era destinada a pessoas com maleitas no estômago, especialmente, mas rapidamente passou a ter como público o consumidor generalizado, pois a água com gás era também eficaz para matar a sede, entre outras faculdades. 


Sparklets da BOC


Julga-se ter sido a britânica Aerators Limited a primeira produtora de um sifão para gaseificar bebidas e assim levar às mesas a inovação da época. A primeira peça comercializada seria composta por uma garrafa de vidro, com o devido apetrecho para a produção de gás, revestida a vime e fornecida em caixa de cartão. Hoje em dia, é muito difícil encontrá-la na sua versão completa, o que é normal, tendo em conta a antiguidade de mais de um século, mas é sempre de estar atento, não vá o acaso fazer das suas. Como começámos por escrever, os sifões antigos são muito apreciados e há coleccionadores que se dedicam não só a reunir as inúmeras peças que acabaram por ser lançadas para o mercado, como também fazem o árduo trabalho de tentar escrever a sua história.

O Sparklets Collectors Guide é um site onde está alojada a colecção pessoal de um anónimo, presumivelmente britânico, que resolveu dar continuidade ao gosto do pai pelos sifões. Na ausência de um local onde pudesse obter informações para ir catalogando a sua colecção o coleccionador resolveu construir esta espécie de guia para os coleccionadores do género. Nem que seja só por curiosidade, vale a pena fazer uma visita ao trabalho realizado, pois, para além de vários modelos de sifões em exposição, estão referidas curiosidades surpreendentes; por ali podem aceder até às cotações de mercado de cada peça.

OK, as antiguidades são muito interessantes e tal, mas eu gosto de peças a reluzir, imaculadas, a cheirar a novo. O objecto é de tal desejo que há quem restaure peças antigas de forma exímia. No Die Siphon Manufaktur é possível recuperar os icónicos sifões e dar-lhes uma nova vida. A aferir pelo vídeo demonstrativo do trabalho que realizam é de ficar espantado com a qualidade do serviço: o Scotch and Soda terá muito mais sabor!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Para o Arco do Pé com Amor

“Ele muitas vezes tinha ideias, mas achava-se sempre ultrapassado pelo tempo. Na verdade estava sempre 50 anos à frente da história.” Estas são palavras de Enrico Parodi para com o seu pai, inventor e um inconformado sempre à procura da perfeição. Elio Parodi trabalhou anos, de modo a alcançar a fórmula exacta para aquilo que entendia ser o total conforto nos pés. Em 1966 a semente começou a brotar e é fundada a ROPAR, uma fábrica instalada em Vila do Conde e que viria a materializar as ideias do empreendedor italiano.

Quis o amor que Portugal e Itália ficassem ligados, de forma muito especial, neste negócio, pois Elio Parodi casou-se com Maria de Lurdes Rodrigues, uma portuguesa fonte de inspiração para o criador. Em conjunto, por cá implementaram os icónicos sapatos A’rcopedico e o contributo de Maria de Lurdes para tal é de realçar, pois, com grande tenacidade, a senhora ia ao encontro dos potenciais clientes nos sítios mais inusitados para vender sapatos, como eram, por exemplo, os cafés. A convicção era só uma, se o cliente experimentasse o conforto daquele sapato, revestido a malha e com apoio reforçado para o arco do pé, já não iria querer descalçá-lo. Na mouche!

O negócio prosperou e passou a ser tão rentável que a fábrica passou vinte anos a vender o mesmo modelo, fruto de uma fórmula perfeita que conjugava génio, amor e abnegação. Naturalmente, os métodos de trabalho foram evoluindo e acompanhando o exigente mercado, por isso a ROPAR, desde 1982 com o filho, Enrico Parodi, na presidência, foi diversificando a oferta, com a criação de outras marcas e alargando os seus horizontes de vendas pelo mundo.

O que parece estar no sangue é a capacidade para inovar e surpreender nas estratégias de aproximação ao cliente: o projecto Star Shoes envolve 2600 consumidores, de dezanove países, o Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica da Universidade do Porto e o Laboratório de Biomecânica da mesma cidade. Com estas sinergias a vila-condense ROPAR pretende dar sentido ao slogan da sua marca com maior sucesso: “A’rcopedico, a marca onde o conforto é 100% cientificamente comprovado”.




O número 115 foi durante muitos anos o número de emergência nacional e é este o número de porta da Sapataria Económica, localizada na Rua Alexandre Braga, uma das ruas envolventes ao Mercado do Bolhão. Uma curiosidade apenas, mas que parecia aliciar quem tinha emergência em tratar problemas ao nível da ortopedia. O artigo da A'rcopedico, escrito para o Jornal Renovação, acabou por ser uma boa oportunidade para partilhar este pequeno sabonete, distribuído em 1982 para comemorar os 50 anos da Sapataria Económica. Não é fácil conservar peças tão frágeis, mas o estado ainda está minimamente aceitável para se perceber o impacto do slogan: "50 anos de trabalho". Com esta dedicação e enraizamento na dinâmica citadina portuense é de esperar que lojas tão antigas como esta façam sempre parte dos novos projectos para a cidade. Presidente queira!

domingo, 4 de junho de 2017

"e a tradição ainda é o que era..."

E à terceira edição do palco Mini NOS esta Festa da Criança já começa a ser uma tradição para os pais, ah e para os filhos. Este ano o local escolhido pela organização foi o Palácio de Cristal e por lá é possível, até ao final do dia de hoje, proporcionar aos mais novos uma série de divertidas actividades. Para além de poderem assistir a espectáculos musicais, na lindíssima Concha Acústica dos jardins, os mais novos podem participar em jogos tradicionais, em sessões de marcenaria, montar um dos cavalos, pertencentes à GNR e que estão em exibição juntamente com outros agentes de segurança pública, entre outras instrutivas experiências. Curiosamente, apesar de todos os louváveis esforços da organização para agradar aos mais novos, o que parece estar a ser o grande sucesso do evento é a peça de instalação temporária GIRA, que já estaria em exibição nos jardins do Palácio de Cristal. Esta obra, de Miguel Costa e Meireles de Pinho, é concebida com martelos de S. João e tem uma forma esférica que, com a interacção do público no mecanismo rotativo, ganha movimento e assim pretende representar o corrupio na grande festa da cidade do Porto




O forte e incessante vento parece estar a tornar-se inseparável da cidade do Porto. Mesmo para quem está habituado às nortadas, como é o caso dos portuenses, esta ventania, sem direcção certa e de rajadas fortes, já começa a incomodar e a verdade é que isto tem sido recorrente nos últimos anos. Apesar desta contrariedade, foram muitos aqueles que aproveitaram o evento Mini NOS para fazerem um piquenique e assim aproveitarem, ao máximo, os jardins do Palácio de Cristal. Não é todos os dias que se pode almoçar com a companhia de um dos mais belos animais existentes à face da terra, o pavão, por isso toca a estender a toalha e a apreciar o gracioso desfile. Tendo em conta que há quem não resista a partilhar as iguarias, não será exagero escrever que até os pavões conhecem a qualidade dos pasteis de chaves e lanches da Padaria Ribeiro. Desde 1878 que esta marca é uma referência na padaria e pastelaria portuense e a sua principal loja fica relativamente perto da zona do Palácio, por isso, não há desculpas, ainda há tempo para o merendeiro. Uma geleira Coca-Cola, antiga e de colecção pode não ficar muito barata, mesmo sendo adquirida no mercado de usados, mas, utilizando-a nestas ocasiões, rapidamente fica paga, pois podem-se levar de casa as bebidas e, com este método simples, evita-se pagar balúrdios por uma bebida fresca. Pelo caminho ainda se podem ouvir alguns elogios à peça e em estrangeiro, o que tem a sua piada como extra: Fancy! Cool! Awesome!




As batatas fritas Pála-Pála acompanham as refeições dos portugueses desde 1972, mas, desde então e por terem passado para as mãos de um grande grupo económico, a PepsiCo, já tiveram algumas fases em que desapareceram do mercado. A razão terá sido a gestão da marca e do produto, mas o grupo denuncia estar atento a esta nova vaga de oportunidades para o que é referência nacional, por isso relançou, em força, as Pála-Pála. Piquenique que é piquenique tem de ter: "Benfeitinhas e Lourinhas do sabor nem se fala todos os dias à vossa mesa somos as batatas fritas pála-pála". "Uma Tara de Sabor", podemos confirmar...

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Fabrico Nacional

A qualidade da oferta televisiva nacional, em horário nobre, oscila entre o muito bom e o paupérrimo. Do lado extraordinário da barricada está o documentário Fabrico Nacional, em transmissão na RTP e com apresentação de Catarina Portas. Esta quinta feira, 1 de Junho, estará no ar o terceiro episódio, de uma série de dezasseis, entre as nove a as dez da noite. Não deixem que o semblante espantado; alucinado de Catarina vos faça mudar de canal, é uma característica da senhora que talvez não se encaixe na perfeição em televisão, mas, acreditem, valerá a pena deixarem-se envolver pelas suas incursões a fábricas e marcas nacionais antigas. A mentora do projecto de sucesso A Vida Portuguesa tem sido um dos rostos do processo de mudança no paradigma em que algumas empresas históricas nacionais têm de se movimentar. Não deixa de ser irónico, mas o motivo que levou muitas fábricas ao fecho ou às dificuldades é o mesmo que agora é responsável pelo seu sucesso e prosperidade: o fabrico nacional. Do que já foi transmitido, destacamos o episódio dedicado à Arcádia, a empresa do Porto que se dedica, desde 1933, ao fabrico das mais doces iguarias. Desde então, a empresa passou por inúmeras fases e arriscou até em algumas derivações possíveis de efectuar no seu negócio, sempre na tentativa de acompanhar as tendências do (traiçoeiro) mercado. Por exemplo, chega a ser surpreendente a capacidade para organizar eventos, através do serviço de catering que, em tempos, existiu na empresa. Uau! As fotografias, mostradas e legendadas no programa pela actual responsável, Margarida Bastos, revelam a sumptuosidade de algumas salas nobres da cidade do Porto onde a Arcádia efectuou o serviço. Nada como ver o programa para testemunhar tudo o que aqui vai sendo escrito, mas uma nota especial de realce para as típicas drageias. Com honestidade, não é das especialidades que nos convença mais pelo sabor, mas, depois de assistirmos ao trabalho feito pelas bordadeiras, com toda aquela minúcia, somos obrigados a olhá-las com outros olhos. 



As festas dos Santos Populares estão à porta


Caso não tenha assistido ao programa dedicado à Arcádia e pretenda fazê-lo, por favor, clique aqui. Conheça toda a história e peripécias da empresa fundada pelo celoricense Manuel Carvalho Pereira Bastos, que teve clientela de luxo, como Eugénio de Andrade e que nos dias de hoje prospera em várias cidades do país.

(A sério, o que é que se passa com alguns denominados directores de marketing deste país?! Na cidade do Porto há expressões, muito engraçadas, para definir as narrativas como as que para eles parecem padrão: "Música para os meus ouvidos", "Conversa para boi dormir", entre outras...)

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Herança patrimonial e histórica

Restaurar! Esta parece ser a ordem do momento e isto é verdade em relação a várias áreas. As ligações emocionais, a salvaguarda de memórias, a paixão e o gosto são as razões mais evidentes para alguém se dedicar ao restauro, mas haverá outras, mais implícitas, que serão de apontar também. Restaurar é contrariar o consumo desenfreado das sociedades contemporâneas, é reciclar e dar nova vida ao que já de si está valorizado pela passagem do tempo. Tudo o que aqui está escrito é bem patente no grande processo de restauro imobiliário a decorrer em algumas cidades do país. O aumento do turismo, os incentivos financeiros, a maior sensibilidade instaurada para com o património e a identidade, o próprio amadurecimento dos investidores ao perceberem a oportunidade de negócio no "velho", tudo isto se reflecte no Porto e nós podemos atestar da veracidade da afirmação. É impressionante a quantidade de imóveis em restauro na Invicta e não se pense que isto acontece só na baixa, pois os andaimes estão instalados por todo o lado e a cidade ganha uma nova cor. Nunca como agora se viram também tantos veículos antigos a circular pelas ruas da cidade, restaurados, lindos e os donos deixam transparecer a legítima vaidade, pois estão a exibir peças que se tornaram únicas. Aos carros juntam-se agora as motas antigas, recuperadas e a circular como em outros tempos. A prevalência parece ir para as motas de fabrico nacional, por isso é muito comum ver-se a Famel ou a Casal em desfile e conduzidas por jovens, o que acrescenta ainda mais importância ao momento. O que leva alguém a pagar tanto pelo restauro de um móvel antigo como pagaria por uma peça nova?! Tudo aquilo que aqui temos relatado, são as memórias, é a preservação de património e a paixão pela arte do restauro. Realizados por meios próprios ou delegados em verdadeiros artistas, o certo é que há restauros extraordinários e que dão sentido ao acto de inverter o impulso de compra do novo. 


E tudo começa assim...

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sport's Coleccionismo de Desporto

Caros leitores, não se admirem, é mesmo no número 535, da Rua Godinho Faria, em S. Mamede de Infesta, que tem portas abertas a Sport's Coleccionismo de Desporto, o mais completo espaço do género no país dedicado, em exclusivo, ao desporto. Os artigos que se podem encontrar na loja serão uma surpresa para quem a visita pela primeira vez, pois as peças de que estamos a escrever, pela sua raridade e valor, só costumam ser encontradas em museus. Puro engano, estão à venda e ao alcance de cada um de nós, apreciadores do mundo desportivo nacional e internacional. Pode achar que por via autónoma conseguirá adquirir peças iguais às expostas na loja, afinal, sempre vão aparecendo raridades nas feiras, mas aqui o que fará a diferença é o faro de Pedro Araújo para encontrar verdadeiras preciosidades. Dizem-lhe estar no sangue de família, mas assumido é apenas o árduo trabalho feito em feiras de velharias e coleccionismo, junto de atletas e treinadores, a quem compra espólios e em clubes que encerram as suas actividades. A Sport's Coleccionismo de Desporto tem tido merecida exposição mediática, por isso é natural que já a conheçam, mas, isto podemos garantir, presencialmente e sem os holofotes, Pedro Araújo tem uma postura mais descontraída e divertida. Será difícil encontrarem no país um local de venda em que se concilia, de forma tão sui generis, o negócio e a partilha de estórias e história das peças. Para quem colecciona artigos alusivos ao desporto desde pequeno, como Pedro, é natural que ter de vender algumas peças especiais deixe algum amargo de boca, mas serão os ossos do ofício, como dirão os mais experimentados.  


Bandeira do Vitória Sport Clube bordada à mão.


Separata do Mundo de Aventuras. A equipa do Sport Lisboa e Benfica que fez o jogo de inauguração do Estádio da Luz contra o F. C. do Porto.

Servem estes artigos, disponíveis na Sport's Coleccionismo de Desporto, para lançar a final da Taça de Portugal. Agendada para este Domingo, coloca em campo duas equipas que costumam proporcionar bons espectáculos de futebol quando jogam entre si. Esperamos que este desafio não fuja à regra e que possa fechar em beleza uma época algo atribulada. Os motivos de interesse são vários, para além daqueles que, obviamente, estarão relacionados com o fervor clubístico associado a Vitorianos e Benfiquistas. Pela primeira vez, será utilizado o vídeo árbitro em competições oficiais portuguesas, mas será que vão acabar os lances polémicos?! Marcelo Rebelo de Sousa entregará a taça com ou sem selfie?! E o Jamor, ainda estará à altura para receber duas falanges de apoio tão representativas como são as do Vitória Sport Clube e do Sport Lisboa e Benfica?! É verdade que este ano temos futebol até mais tarde, com a participação da Selecção Nacional na Taça das Confederações, realizada na Rússia, mas estas competições já começam a revelar a despedida. Valha-nos a Silly Season para nos entreter até a nova época começar!

 

Peso para Musculação

O futebol é apenas uma das modalidades presentes na Sport's Coleccionismo de Desporto, através da memorabilia desportiva, mas, neste autêntico lugar de culto, poder-se-ão encontrar também peças antigas e representativas de outras modalidades. Cadernetas, cromos, mascotes, galhardetes, brinquedos, programas de jogos, troféus, pins, emblemas de lapela e de radiadores, cachecóis, camisolas, fotos, jornais, revistas, objectos, livros, cartões de sócio, bilhetes, papelada, cartazes de eventos, medalhas... Curiosos?! 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

A maior frutaria de Portugal

O Minipreço tem andado a prometer aos portugueses colocar à sua disposição "A maior frutaria de Portugal". O anúncio criado para a campanha é deveras oportuno, então, não é que se lembraram de recuperar a canção da Dina, Amor de Água Fresca?! Finalmente, apareceu alguém sem malícia e que conseguiu perceber a verdadeira aplicabilidade daquela cesta: vender fruta (ponto). Homenagearam a cantora, entretanto, retirada dos palcos, aproveitaram o momento vivido por Portugal no concurso que deu fama à Diva, Dina, melhor escrevendo e conseguiram um anúncio envolvente, o que se poderia querer mais?! Perfeito, Nossa, a agência criativa digital responsável pelo anúncio e que tem arrecadado diversos prémios, inclusive o prestigiado galardão, atribuído pelo Sapo, para a melhor das melhores! Sapo?! Que ninguém se lembre de recuperar a canção da Maria Armanda, Eu vi um sapo, é que esse tudo comeu e nem ofereceu, o mesmo será escrever que destruiu uma carreira promissora. Parece incrível, mas a canção teve tanto sucesso, no 23º Zecchino d'Oro, em 1980, que por muitas tentativas feitas pela artista para diversificar o seu reportório o público pedia-lhe para cantar sempre a mesma canção. Maria Armanda fartou-se e mudou de actividade, mas ainda há quem a reconheça e continuam a pedir-lhe para cantar a Eu vi um sapo, com a agravante de agora o fazerem fora dos palcos. Bom, o melhor é ficarmos por aqui e não contribuirmos mais para esta espécie de bullying artístico. 



Cesta em vidro 




Disco alusivo ao 23º Zecchino d'Oro

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Peças de Museu

A Praia das Maçãs dista apenas "um trilho de eléctrico" do sopé da Serra de Sintra, por isso, à maresia, tem o privilégio de poder acrescentar o ambiente encantado que se vive por toda aquela região. Quem ouve falar desta praia imagina-a cheia de maçãs, espalhadas pelo areal, trazidas pela espuma das ondas do mar e a verdade é que é isso mesmo a versar na lenda. Não se pense, por estas palavras, que o mar ali é sereno, pelo contrário, é bem agitado, mas isso nunca foi visto como um entrave para o desenvolvimento de uma estância balnear. A história mais recente da região, ao longo do século XX, está pejada de acontecimentos reveladores da sua importância no panorama turístico nacional. A implementação da linha férrea, referente ao famoso eléctrico a ligar Sintra à zona costeira, a construção do Hotel Royal Belle Vue, muito inovador para a época e executado com financiamento de capitais estrangeiros, o rebuliço nos restaurantes, bares e discotecas, furor dos tempos mais recentes, são alguns dos marcos a assinalar. O Barmácia está incluído no lote de espaços que fizeram brilhar a Praia das Maçãs durante os anos 90, mas, com o passar dos anos e bastante à imagem do que aconteceu a toda a região, foi ficando ultrapassado e pouco atractivo. A boa gastronomia local estará sempre relacionada com os locais turísticos de referência e a Praia das Maçãs é conhecida pelos seus suculentos mexilhões, por exemplo, mas foi preciso ser o Chef Ljubomir Stanisic, através do seu programa Pesadelos na Cozinha, a dar um abanão ao responsável do Barmácia para que este se tornasse num real embaixador gastronómico local. O referido programa da TVI tem sido um enorme sucesso de audiências e tem trazido à baila questões que andavam um pouco adormecidas, como a segurança alimentar: a ver se a ASAE não voltou a ser notícia num ápice... As intervenções de Ljubomir Stanisic, nos espaços que a ele recorrem para incrementar vendas, podem incluir renovações na arquitectura de interiores e foi o que aconteceu no bar restaurante de João Pires. O que nos levou a fazer esta incursão pela Praia das Maçãs e pelo Barmácia foi o suspiro dado pelo dono quando viu o resultado da intervenção feita pela equipa de Ljubomir: "tiraram as minhas peças de museu, tantos anos a coleccioná-las..." :)


Postal com o eléctrico e a serra de Sintra em fundo

Como nós o compreendemos, mas, mesmo partilhando o suspiro pelas relíquias, temos de reconhecer quando as mudanças são para melhor e foi o caso, onde até tiveram o cuidado de pintar as paredes com cores utilizadas antigamente nas farmácias. Parece ser uma tendência conjugar peças de decoração contemporâneas com apontamentos "peças de museu", como disse o Sr. João, como tal, ainda haverá espaço para uma ou outra relíquia, mas, atenção, os coleccionadores têm alguma dificuldade em estabelecer limites para o razoável, por isso o melhor é ir passando pelo Barmácia e "monitorizar" a situação. Do que foi possível perceber, através do episódio televisivo, parece existir simpatia e abertura suficientes para um agradável programa no gastrobar, por isso, agora que o tempo está mais convidativo, fica a nossa sugestão para com um amigo das colecções e uma bela região a necessitar de voltar aos tempos áureos.


Antigo anúncio, à Costa de Lisboa, presente na revista Nova Gente



Porta Chaves da quase centenária Galucho

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Rally de Portugal

O Automóvel Club de Portugal foi fundado em 1903 e a organização de provas com competição automóvel, em território nacional, sempre foi um dos principais objectivos dos seus criadores. Através do ACP, Portugal organizou algumas das provas mais míticas da competição automóvel, como será o caso do Rally TAP, de 1967, evento que ainda hoje é referido como um exemplo daquilo que é pretendido para uma prova desta natureza. Com competição aguerrida, adesão do público e a logística a funcionar, na perfeição, não foi de admirar a inserção do Rally TAP no Campeonato do Mundo de Ralis, seis anos após a primeira prova e todos os prémios alcançados, alguns já com a denominação Rally de Portugal. Cinco vezes considerado o melhor Rally do mundo, a verdade é que, ao longo da sua história, o evento já passou por alguns apagões internacionais e até algum desinteresse interno. A prova de que os responsáveis pela organização nunca deixaram de acreditar no valor associado ao Rally é a pujança com que este aparece hoje como etapa integrante do campeonato do mundo: realiza-se a norte do país, consensualmente com os circuitos de mais sucesso junto do público e dos pilotos, tem um patrocinador de peso, a Vodafone e voltou granjear o respeito nacional e internacional. 


Curiosa esta medalha, alusiva ao IV Rallye da Casa do Pessoal Cidla, primeiramente, por ser do ano da estreia do Rally TAP e depois, cruzando a emblemática data com o facto de ser já a IV edição da prova, denota a tradição que as competições automóveis têm em Portugal. Se dúvida houvesse, bastaria utilizar como barómetro a adesão à 25ª Automobilia de Aveiro para se ter real noção do interesse que este e outros temas, relacionados com os transportes, suscitam aos portugueses. Com particular destaque para o coleccionismo e história dos transportes, a Automobilia de Aveiro 2017 decorrerá no dias 19, 20 e 21 de Maio. Com organização do Clube Aveirense de Automóveis Antigos, a mais antiga feira e exposição do género promete não defraudar quem se deslocar ao Parque de Feiras e Exposições de Aveiro e fazer valer a pena os 7 euros de custo do ingresso. Com o WRC Vodafone Rally de Portugal 2017 a arrancar já hoje estão abertas as hostilidades para um dos fins de semana mais preenchidos de sempre para os aficionados do mundo automóvel.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Clube Chapas

Sejam bem vindos ao fascinante mundo das chapas e deixem-se maravilhar pelo primor na execução de cada peça, pelo colorido, que prende a atenção e por toda a história presente. "O Saber do Passado para Segurar o Futuro", este é o lema do Chapas - Clube Histórico e Acervo Português da Atividade Seguradora, uma associação, sem fins lucrativos, constituída, por "gente dos seguros", com a finalidade de preservar todo o património que o sector das seguradoras vai gerando. As chapas metálicas estão fortemente ligadas aos primórdios das seguradoras e assumem-se como figuras centrais do espólio, mas este é bem mais diversificado e isto estará relacionado, com toda a certeza, com a extrema sensibilidade de Vítor Alegria, sócio fundador e presidente do clube, para com o património. A semente do projecto actual foi lançada aquando da iniciativa, perpetrada por três colegas da actividade seguradora, de agregar em livro as colecções mais completas de chapas do país. As sucessivas solicitações para apresentações da obra vinham sempre acompanhadas de salutares convívios, com outros entusiastas do coleccionismo e do património, que desafiaram os seus autores a irem mais além na iniciativa. O empreendedorismo presente no grupo fez com que não tardasse a aparecer o Clube Chapas e com este mais de 3000 peças e documentos angariados até ao momento. 



As chapas de seguro de incêndio e as chapas de seguro de automóvel são os tipos de peças que mais se destacam no acervo. Estas peças fazem parte da história dos seguros, mas, apesar de já não serem utilizadas directamente na actividade, continuam na berlinda e isto muito por obra e graça dos coleccionadores. Não admira a razão de tanto fascínio pelas chapas, os materiais e acabamentos utilizados eram de grande qualidade, a execução aprimorada e o trabalho gráfico ainda hoje deixa qualquer um rendido. Nem só da aparência se faz o furor destas peças, as chapas contam também a história do sector e esta vale a pena ser abordada, ainda que de forma muito superficial, como será normal em espaços desta natureza. Teremos de recuar até 1666 e ao período após o devastador incêndio de Londres para encontrarmos os primeiros sinais daquilo que começava a ser feito, de modo a encontrar soluções para salvaguardar bens e pessoas dos imponderáveis da vida. Acredita-se que os seguros tenham aparecido no seguimento da catástrofe londrina e que as chapas de incêndios seriam utilizadas para facilitar a articulação entre as corporações de bombeiros e as restantes organizações envolvidas no tratamento das ocorrências. As chapas eram afixadas no exterior das habitações seguradas, com indicação do número da apólice do segurado, facilitando assim todo o processo. Com o passar do tempo as chapas foram perdendo alguma importância nestas dinâmicas internas da actividade, foi-se criando outro tipo de logística, mas, qual sina dos imprescindíveis, passaram a ganhar maior visibilidade para a publicidade. Portugal bebeu muita desta sabedoria vinda de Inglaterra e viu muitas seguradoras serem criadas, utilizando as icónicas chapas de incêndio e as chapas de seguro de automóvel que agora fazem as delícias dos coleccionadores. As "taxas e taxinhas", tão portuguesas, afinal, impossibilitaram as seguradoras de continuarem a utilizar as chapas com fins publicitários e a natureza frágil dos materiais presentes nos automóveis modernos fez com que caíssem em desuso nessa vertente.


É infindável a diversidade de objectos existentes no espólio recolhido até ao momento pelos mentores do projecto. Destacamos um documento alusivo à seguradora Argus, sediada que esteve na cidade do Porto, mas valerá a pena fazerem uma visita ao museu virtual do Clube Chapas e, quem sabe, estabelecerem contacto com os seus dinamizadores no sentido de contribuírem para o seu crescimento. 

sábado, 13 de maio de 2017

Voz

A participação de Salvador Sobral no Eurovision Song Contest promete acabar de vez com o "triste fado" associado a Portugal, pelo menos, no que às competições europeias se refere. Depois de Éderzito ter materializado em conquista toda a bravura de Cristiano Ronaldo e restante Selecção Portuguesa de Futebol, comandada por Fernando Santos, no UEFA EURO 2016, só nos falta mesmo ganhar o festival da canção. Um feito já foi alcançado, levar a concurso uma canção e uma voz que vão ao encontro do orgulho de uma nação e nos fazem lembrar outras vozes extraordinárias e boas presenças em festivais, como foi o caso de Simone de Oliveira. A realidade do festival em Portugal era outra, naquela altura o país parava para assistir às emissões, tanto na espécie de eliminatória prévia, só com candidatos portugueses, como na etapa mais a doer, já em competição europeia. Havia uma outra simbologia no festival, há quem fale em identidade nacional e talvez seja assertivo fazê-lo, afinal era um dos nossos que estava a concurso e levava a canção em português, adornada por apetrechos tradicionais. Hoje em dia, as vitórias, nestas competições, estão mais relacionadas com outro tipo de fenómenos e a possibilidade do candidato se tornar viral nas redes sociais, por exemplo, pode fazer a diferença. Esta parte já foi conseguida, portanto, se a isto juntarmos as capacidades comprovadas do artista e da sua irmã compositora, Luísa Sobral, temos todas as condições reunidas para que, com a bonita canção "Amar pelos Dois" (vale a pena assistir ao primeiro desempenho no festival, para tal, carreguem na hiperligação), se possa trazer a vitória e a próxima edição do Festival Eurovisão da Canção para o nosso país. 


Copo com figura de Simone de Oliveira





E quando de boas vozes se escreve, em Portugal, claro, convide-se a Sra. Dona Amália Rodrigues a subir ao palco: Amália no Olympia. < Assistir ao vídeo

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Mulher

" - Neste fim de semana só se falará de Fátima e da visita do Papa Francisco!" Na TVI isso é mais do que certo e estão todos em campo: a Fátima Lopes, a Cristina Ferreira, o Pedro Pinto, o Manuel Luís Goucha e está bem que assim seja, a ocasião assim o merece. Basta olharmos para as imagens e não há dúvidas de que é um momento importante para milhões de pessoas! Ao menos, com eventos desta dimensão, os murais nas redes sociais deixam de ter tantos vídeos com chacota à desgraça alheia e deve haver muitas pessoas a visualizá-los, a aferir pelo número monstruoso de visualizações, com direito a comentários e tudo, não será pecado rir do mal alheio?! Em alguns casos dos vídeos, as pessoas implicadas devem aleijar-se ou até ter acidentes fatais. Adiante, claro que quem, durante este fim de semana, ousar lançar outros temas para além de Fátima corre o risco de não ter audiência, mas a nós bastar-nos-á "petiscar" alguns dos fieis leitores e já nos daremos por muito satisfeitos. 


Também se diz corte e costura quando queremos dissimular a "fofoca". Olha, boa, vamos escrever sobre o quanto nos parece estranho Marcelo Rebelo de Sousa aparecer sozinho nos eventos. Ele que assuma o namoro com a Rita Salema! Ai, não sabiam?! É, parece que a coisa é para levar a sério e promete encher, muito em breve, as revistas e jornais de tons cor de rosa. Aproveitemos que está tudo a olhar para a televisão e escrevamos mais umas "fofoquices"! Então, o Jorge Jesus foi visto na cidade do Porto?! A meio da tarde estava na A Badalhoca! Não queremos estar a insinuar nada, mas, apesar de ele estar com a boca cheia, de certeza que era ele. A transmissão, desde Fátima, foi para intervalo, apesar de ser remota a possibilidade de alguém nos ler, é melhor voltarmos ao nosso registo.

Nos anos oitenta existiam uma série de negócios em Portugal que se dirigiam, directamente, à mulher. Viviam-se tempos em que a sua emancipação estava em clara progressão e a culinária, moda, estética e sexualidade serviam de temas para variadas abordagens comerciais. O anúncio publicitário que partilhamos foi retirado de uma revista da Teleculinária, do Chefe Silva e publicita um curso prático de corte e confecção. O objectivo final seria vender uma colecção de livros que, por acaso, até é muito completa, segundo especialistas consultadas e muito apelativa quanto à concepção gráfica, mas isto já somos nós a avaliar. Em casa, a mulher formar-se-ia na área de forma autodidacta, mas, segundo indicam no anúncio, com apoio pedagógico dado pela empresa promotora do curso. Também seria possível à mulher formar-se em Contabilidade, Línguas e Cultura Geral, enfim, seriam garantidas as ferramentas necessárias para as movimentações sociais e, quiça, para engendrar um negócio. Há quem diga que as colecções de livros só ocupam espaço em casa, que ninguém depois lhes pega, mas quando até as capas, por si só, garantem valor como elemento decorativo "vale a pena pensar nisto". Dizer ainda que a colecção em questão sai também do registo Selecções do Reader's Digest ou Círculo de Leitores o que, sem menosprezar ninguém, também nos parece uma mais valia, pelo menos, vai mais ao encontro das nossas preferências.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Arrozada

A fundação da maior exploração agrícola, pecuária e florestal do país, que tem por nome Companhia das Lezírias, remonta a 1836. A cultura do arroz acompanhou a Companhia desde os seus primórdios, por isso não é de estranhar que a instituição tenha a posição de líder como produtor individual e atribua ao sector uma algo surpreendente tradição em Portugal. Apesar de existirem referências escritas, relativas à produção de arroz em Portugal, nos reinados de D. Dinis e D. José, frise-se que a produção de arroz esteve interdita em vários períodos da história portuguesa, pois acreditava-se e, ao que parece, com alguma razão que as águas paradas dos cultivos, sem tratamentos adequados e técnicas desenvolvidas, contribuíam para a propagação de doenças graves, como o paludismo. Curiosidade histórica satisfeita, a Companhia das Lezírias aderiu ao agrupamento de produtores Orivárzea, de forma a potenciar a sua capacidade de transformar e comercializar o arroz. A medida foi seguida pelos dez mais importantes produtores de arroz do Ribatejo, nos anos 90 e é aqui que entra o protagonista do anúncio que recuperámos, Arroz Bom Sucesso, marca também aderente.




Na altura da publicação anexada, finais dos anos oitenta, a denominação social seria Sociedade de Descasque de Arroz Bom Sucesso de João Baptista Lda e o mais curioso é terem-na como parte integrante da estratégia de publicidade seguida. As curiosidades não se ficam por aqui, o que escrever mais quando estamos perante "A Fábrica mais nova do país para servir o povo a nível mundial."? Do produto, não restarão dúvidas, "É bom! É garantido! É qualidade!", caso contrário e tendo em conta o nível de exigência do mercado nacional não teria chegado aos dias de hoje com a enorme reputação que tem, da qual os seus responsáveis se podem orgulhar. O Chefe Cordeiro ou a Cátia Goarmon são nomes muito bem cotados no panorama nacional ligado à indústria que, de uma ou outra forma, gravita à volta da gastronomia e são também exemplos de agentes a utilizar este arroz nas suas criações públicas. É por demais evidente que a marca Bom Sucesso se refinou, basta olharmos para um anúncio contemporâneo e percebemos a sofisticação geral da sua presença no mercado. O logótipo, a embalagem, a disposição dos elementos, o talão para desconto, nada é deixado ao acaso, mas tudo isto só atribui ainda mais graça ao anúncio antigo partilhado. 


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Material Didático

Há pessoas dotadas com a capacidade, inata, de conseguir passar conhecimento ao próximo e algumas dessas pessoas têm o privilégio de exercer as profissões de professores, formadores e outras actividades similares. É comum dizer-se: nasceram para isto! Por norma, os docentes competentes, mas pouco ortodoxos são aqueles que mais marcam quem tem a sorte de com eles se cruzar. O filme O Clube dos Poetas Mortos retrata muito bem esta e outras questões, não o viram?! Fica a sugestão para o fazerem, há vários pontos valiosos abordados na película e que são sempre de útil reflexão. Quem fez a escola primária a partir dos anos setenta e até ao início do novo milénio lembrar-se-á, com certeza, do material didáctico da antiga empresa portuense Agatha. Estamos em comunhão de bens?! Os seus carimbos serão, talvez, as peças mais facilmente reconhecíveis, pois estas faziam parte da panóplia de objectos que auxiliavam os professores primários no ensino aos seus alunos. Quando uma professora primária, em plenos anos oitenta, garantia a existência de adultos a utilizarem aqueles carimbos no exercício das suas profissões só poderíamos estar na presença de uma docente muito à frente no seu tempo, que procurava acrescentar conhecimento fora da norma e induzir o raciocínio. Em resultado da inocência própria da idade, àquelas informações, o máximo que a professora Alice conseguiu arrancar - no momento - foram umas estridentes gargalhadas, mas a "pulga atrás da orelha" ficou em alguns alunos. A maioria desses alunos, daquela que era conhecida como a Escola Primária de Nevogilde, seguiu os estudos em conjunto e pôde perceber, mais à frente no ciclo, que a referência feita pela professora seria a Andy Warhol e à sua obra Purple Cows, parcialmente executada com imagens carimbadas. Como gostaríamos de voltar a discutir o tema com a professora Alice e acrescentar outros nomes de adultos que utilizavam os carimbos nas suas profissões, Manuel Cruz, por exemplo, da banda Ornatos Violeta, que ainda colaborou com a Agatha como ilustrador das icónicas imagens. As condições das escolas evoluíram e, hoje em dia, os professores fazem uso de outro tipo de material didáctico nas escolas, mas, em casa, por exemplo, ainda nos parece, perfeitamente, adequado recorrer-se a este material e executar aquilo que se poderá apelidar de ensinamentos em modo vintage




Em feiras ou lojas de antiguidades ainda se podem encontrar peças da Agatha, mas, se não forem assim tão puristas, também podem aceder a este tipo de carimbos, de marcas mais contemporâneas, é certo, em qualquer superfície comercial. As crianças acham graça, isso está comprovado e fica partilhado!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Ténis

De 29 de Abril a 7 de Maio disputa-se o Estoril Open, o torneio de ténis mais importante a ocorrer em território nacional e que faz parte do ATP World Tour, estando, por isso, debaixo de olho da imprensa internacional. Os notáveis fazem-se aparecer e a plateia faz as delícias dos fotógrafos, por muito que uma boa parte destes aficionados de ocasião fique surpreendida por os treinadores gritarem para os jogadores, em jeito de lembrete, " - O ténis joga-se com as pernas!". Feira das vaidades, chamam alguns a este tipo de eventos, elitista, apelidam outros o ténis, mas a verdade é que esta modalidade faz corar de vergonha outras quanto ao exemplar fair play demonstrado em campo e nas bancadas. Segundo se consta, nos bastidores do ténis nacional anda tudo às turras e isto por causa da resiliência de João Lagos, um nome, indubitavelmente, ligado ao Estoril Open e que quer recuperar o protagonismo perdido. Conflitos de interesses, como acontece em quase tudo o que tem sucesso neste país, mas a nós apenas nos interessa realçar a possibilidade existente de transformar o torneio num modelo itinerante, criando condições para alternar a cidade organizadora de edição para edição. O desenvolvimento da modalidade em Portugal sairia a ganhar, sem dúvida, por isso pode ser que o estilo omnipresente do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, adepto de ténis e presença assídua no torneio, se difunda e contagie os organizadores. 



Um prato da SPAL, que seria oferta aos participantes do Porto Open, é o objecto central de uma fotografia em que o ténis impera, com laivos de vintage. De S. João da Madeira saíam as sapatilhas de ténis Centro, de Valadares, em Vila Nova de Gaia, as meias de desporto Keit e na Solisport, à Boavista, no Porto, saía tudo o que com a modalidade se relacionava. No norte do país o ténis tem muita representatividade e o Porto Open tem tudo para ser um torneio mais constante e ambicioso, até pela importância assumida no lançamento de jovens jogadores portugueses. João Sousa, o nosso melhor jogador, vem de Guimarães e acaba por ser uma bandeira do sucesso na formação de tenistas a norte. Tudo isto para dizer que também gostaríamos de ter por cá um torneio a contar para o ATP World Tour :)

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Camisaria de Moda

A cidade do Porto está em suspense para saber onde se vai instalar a colmeia de lojas das grandes marcas mundiais associadas ao luxo e que, por norma, aparecem em cidades turísticas de excelência. O modelo de aparição resulta, os locais onde estas lojas se implementam estão sempre pejados de clientes e de "mirandas", como no Porto se designam aqueles que miram e andam. É uma questão de tempo até termos na invicta uma loja da Louis Vuitton, da Prada ou da Gucci. OK, a Rimowa tentou antecipar cenários e instalou-se no número 145 da Avenida dos Aliados, mas será que vai ser ali a meca das grifes no Porto?! A área envolvente ao Edifício Avis, em tempos, deu sinais de que poderia ser uma real candidata a receber tão ilustres inquilinos, mas a grande maioria das lojas fica fora do raio de visão de quem passa na avenida mais longa do país, a Avenida da Boavista, por isso ficou-se pela Ermenegildo Zegna, marca privilegiada no sentido apontado. A apostar, nós colocaríamos as fichas todas na Rua 31 de Janeiro como destino das lojas referentes às grandes marcas mundiais de luxo. Aquela artéria, do coração da cidade do Porto, tem tudo para dar certo num desafio desta natureza e a grande vantagem começa logo pela sua história, tão ligada que está a uma época de glamour no comércio tradicional. Por ali, em tempos, situaram-se as lojas mais finas da cidade do Porto e muitos dos proprietários eram de nacionalidade estrangeira, franceses e espanhóis que trouxeram à cidade os seus refinados produtos. Há similitude no processo sobre o qual aqui se escreve, estaremos destinados a acertar na aposta?! Aquela rua está também relacionada com momentos importantes na cronologia republicana portuguesa, sendo, independentemente das orientações políticas seguidas, de referência obrigatória em todos os roteiros traçados. Ao seus pés tem, na nossa modesta opinião, um dos espaços mais subvalorizados da baixa portuense: a antiga passagem subterrânea para peões que ligava a "margem Estação de S. Bento" à "margem Hotel Intercontinetal". Alguém compreende a sua supressão?! Nós não! Tendo em conta o cenário catastrófico criado, para peões e viaturas, não nos admiraríamos se alguém reconsiderasse a hipótese de recuperar tão pitoresco local, quem sabe, se já não será com os interesses dos grandes grupos económicos incluídos no processo. Outro dos argumentos a ter em conta é que aquela rua está virada para a Torre dos Clérigos; está virada para o mundo...




A Rua 31 de Janeiro era designada, inicialmente e antes dos acontecimentos históricos que a levaram a ser rebaptizada, por Rua de Santo António. O cinzeiro que apresentamos é alusivo à Camisaria de Moda, com endereço na Rua de Santo António, 66. A peça é antiga, foi fornecida por uma empresa francesa, a figura feminina tem traços de época e nós, por tudo isto, somos levados a crer que a Camisaria de Moda terá sido um estabelecimento pertencente à época áurea da Rua de Santo António, actual 31 de Janeiro. Não temos certezas, por isso, se algum de vocês tiver informações mais precisas, por favor, partilhe-as connosco e ajude-nos a enriquecer este artigo.