sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O Bom Vintage de Braga

Braga apresenta-se através do slogan "cidade autêntica" e a verdade é que se torna difícil contrariar a designação. Sabemos como os destinos com muito turismo tendem a sofrer de confrangedores episódios de uniformização, mas, por agora, este fenómeno ainda não chegou ao Minho. Chamam-lhe, frequentemente, "Roma Portuguesa", mas isto nada tem que ver com quebras de identidade, está, sim, relacionado com a sua origem na cidade romana Bracara Augusta. Com uma história tão rica e em resultado da sensibilidade reinante para com o património são vários os pontos de interesse preservados, locais onde pontificam as bases religiosas que dão fama mundial à cidade. Uma característica ímpar de Braga é a bem sucedida mescla da tradição com a modernidade atribuída pelos jovens bracarenses, através de projectos empreendedores ao nível da cultura, indústria, gastronomia, comércio e serviços. O "Bom Vintage de Braga" e o coleccionismo, temas centrais deste blogue, não poderiam  ficar de fora desta pequena incursão, por isso destacaremos a dinâmica pressentida por estas áreas. O Braga Urban Market (BUM) já se tornou num evento imperdível para os apreciadores de iniciativas deste género e ao segundo sábado de cada mês, no Largo Carlos Amarante (ou, caso as condições climatéricas assim o obriguem, nos Claustros da Rua do Castelo), é vê-los a passarem em revista as bem apetrechadas bancas dos vendedores de artigos em segunda mão. Pela cidade também proliferam lojas que se dedicam à venda de artigos usados, mais inseridos na nossa temática e que não poderíamos deixar de referenciar para uma visita. 


Vintage Alternative Store

Na Rua Dom Frei Caetano Brandão, Nº 214, encontra-se a Vintage Alternative Store, um espaço que será um regalo para quem se deixe, facilmente, enamorar pelas peças de decoração e mobiliário dos anos cinquenta e sessenta. Os "retrofuturistas" que animaram a Space Age tentaram adivinhar como seria o actual presente e desse exercício saíram extraordinárias peças que fazem inveja ao designer de hoje e farão a diferença em qualquer cenário decorativo. A montra não deixa margem para dúvidas, por ali impera o bom gosto e um apertado critério na selecção dos artigos. 


Magia Predilecta

Magia Predileta surpreende quem passa no Centro Comercial Granjinhos, pois a montra da loja 476 está sempre adornada com belos brinquedos antigos, que fazem avivar as memórias de infância e raras peças de coleccionismo despertadoras do apetite voraz dos coleccionadores. Pelo sim, pelo não, no caso de pretender fazer uma visita, é recomendado que faça um contacto telefónico prévio, de modo a garantir o devido acompanhamento. Como é fácil perceber, Braga está vibrante, por isso, aproveitando que o Reveillon está à porta, muna-se da aplicação para telemóvel Braga Cool e não perca tudo o que a cidade tem para lhe oferecer...

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Clube de Colecionadores Vista Alegre

A Fábrica de Porcelana da Vista Alegre dispensa apresentações e isto pode ser considerado um autêntico feito, denunciador do trabalho de excelência que tem sido realizado ao longo dos seus quase dois séculos de história. O prestígio do nome, da empresa fundada por José Ferreira Pinto Basto, em 1824, foi alcançado através da sua primorosa porcelana artística e desde os primórdios do seu fabrico que está enraizada na empresa a tradição de coleccionar as peças de maior importância que vão sendo produzidas. Valores incutidos pelo homem que fez questão de ter os seus quinze filhos junto a ele na fábrica que fundou... O Museu Vista Alegre aparece, com a naturalidade inerente à faceta acima apontada, em 1947 e desde esta data que a marca lhe tem dedicado uma merecida atenção, com sucessivos melhoramentos. Deste modo, o património industrial encontrar-se-á salvaguardado, havendo condições para que a sua investigação e interpretação tenham lugar, sem esquecer a atractividade para o visitante sedento de uma certa cultura da cerâmica. Para quem desejar conhecer de perto as mais de trinta mil peças expostas no museu e pretender obter uma experiência Vista Alegre plena de identidade tem à disposição o Montebelo Vista Alegre Ílhavo Hotel. Inserido num projecto de recuperação de toda a área fabril, da qual fazem parte o Palácio, a Capela de Nossa Senhora da Penha de França, o Bairro Operário, o Teatro e o Museu, aquele hotel de cinco estrelas promete ambientes diferenciados, mas, como não poderia deixar de ser, com o tema cerâmica sempre presente. 


Festa de Natal, a colecção de pratos Vista Alegre para a quadra natalícia

A colecção de pratos apresentada será comum para a maioria dos portugueses, habituados que estão a ver as peças expostas na típica casa portuguesa. O tema Natal é muito envolvente e as peças propícias a servirem de oferendas, para além disso são coleccionáveis o que perfaz aquela fórmula mágica tanto do agrado dos coleccionadores. E foi a pensar neles que a Vista Alegre lançou o Clube de Colecionadores, um sistema de beneficiação dos clientes mais assíduos, potenciando o investimento em autênticas obras de arte que se valorizam com o passar do tempo. As condições especiais oferecidas a quem aderir permitem que o coleccionador aceda, com prioridade, a peças de autor, a séries numeradas e limitadas, bem como a descontos significativos. Não há dúvidas de que estamos perante uma marca activa, que tem sabido aproveitar o sólido posicionamento no mercado para se aventurar em outras áreas de negócio e isto sem perder a identidade: À imagem de cada peça VA; uma obra VA bem feita!

domingo, 26 de novembro de 2017

Radiolandia - Museu do Rádio

E o sonho tornou-se realidade... Manuel Silva é natural de Bustos, em Oliveira do Bairro e foi um conhecido comerciante e técnico de rádios daquela terra. Em plenos anos cinquenta, Manuel começou a coleccionar os rádios antigos que os clientes deixavam na sua loja, depois de estes adquirirem peças mais modernas. Ao longo dos anos, em resultado da sua colecta e através de doações, o coleccionador angariou, aproximadamente, o assinalável número de 1500 exemplares. Sabedor da importância da rádio, em especial, a determinada altura de um Portugal pouco desenvolvido, "Manuel dos rádios" interiorizou que iria levar a sua "obsessão" até ao limite e este limite seria a colocação do espólio num museu, de modo a que as gerações vindouras pudessem aceder à história do meio de comunicação que, em outros tempos, tanta representatividade teve no país. Este homem de iniciativas, que o levaram, por exemplo, a emigrar para os Estados Unidos da América, chegou a ter uma exposição privada, passível de ser visitada por marcação, mas o reconhecimento merecido e a elevação da colecção a um patamar de outro nível chegou finalmente.


Museu do Rádio

Localizado num edifício emblemático, na antiga Escola Primária de Bustos, o referenciado como único museu do rádio em Portugal teve um forte investimento autárquico para receber de forma condigna todo o acervo do dono da loja emblemática local Radiolandia. Tudo bateu certo neste projecto com o mesmo nome e o resultado desta sintonia está disponível para ser visitado e para ser interpretado à luz das premissas em que foi desenvolvido e que acima apontámos. Com certeza, esta foi uma boa aposta das entidades locais e os dividendos não tardarão a chegar, pois serão muitos aqueles que terão o maior prazer em fazer uma incursão por tão valiosa agregação de preciosidades. 


Vista para alguns dos exemplares expostos

Por muitas fotografias que partilhasse-mos não iríamos conseguir saciar a curiosidade e satisfazer a ânsia de todos os quantos desejam estar perante rádios tão antigos e raros como os da exposição. Ainda assim e indo ao encontro da nossa predilecção pelos exemplares que denotam o design de época streamline, deixamos uma pequena amostra daquilo que poderá ser visionado no Radiolandia. 







sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O Presépio

O calendário está a chegar àquele mês em que as cidades se enchem de luz e ficam imbuídas de um espírito muito especial. O Porto já tem na agenda de 2017 a data certa para ligar as iluminações de Natal, por isso, no dia 1 de Dezembro, a partir das 17h30, a Invicta passará a presentear os portuenses e todos os seus visitantes com um ambiente natalício que promete fazer furor. Até ao dia 7 de Janeiro do próximo ano, fica o convite, passe pela cidade do Porto e deixe-se contagiar pela quadra em que os comerciantes também dão asas à sua criatividade e decoram as suas montras a preceito, não faltando em muitas o presépio. Há muitos apreciadores destes icónicos cenários que se dão ao cuidado de encetar um périplo à descoberta das mais belas decorações e há alguns que levam tão a peito a adoração que coleccionam objectos relacionados com o Natal. Os presépios serão talvez aqueles que reúnem mais coleccionadores e, pela qualidade e dimensão da sua colecção, já se tornou imperioso referir Maria Cavaco Silva como uma referência para este tema. A recentemente intitulada "madrinha dos portugueses", por vezes, torna público todo o seu espólio, com centenas de peças originárias de vários pontos do globo, por isso é uma questão de se estar atento para perceber se este ano existirá alguma exposição disponível. 


Presépio "Palheiros da Costa Nova" por Bárbara Machado

A diversidade de uma colecção só é possível devido à existência de artistas e artesãos dotados de uma imaginação sem limites que lhes permite executar obras diferenciadas, isto sem fugir à essência e significado que os coleccionadores também procuram num presépio. Uma vénia! O nosso destaque, a nível nacional, vai para Bárbara Machado, com o seu projecto Miniaturas em Fósforo, pela minúcia aplicada aos seus trabalhos e pelos resultados surpreendentes que alcança. Um presépio num Palheiro da Costa Nova?! A cabeça de Bárbara disse-lhe que era possível e as suas mãos executaram a obra com uma perfeição e realismo assinaláveis. 


A lâmina de barbear esculpe a madeira de um fósforo e o resultado final surpreende

Bárbara desenvolve trabalhos com as mais variadas temáticas e, para tal, utiliza como matéria prima a madeira constituinte de um fósforo. A sua visão de lince e uma lâmina auxiliam as mãos talentosas a esculpir pequenas figuras humanas, inseridas em cenários encantadores. O pormenor desejado obriga a que os dedos estejam em contacto com o objecto cortante e isso acarreta mazelas físicas, as quais acrescentam ainda mais valor ao resultado final. O reconhecimento deste talento é perceptível através de inúmeros testemunhos deixados nas redes sociais e foi numa dessas referências que encontrámos o trabalho do italiano Giovanni Cardiero, o nosso destaque internacional para esta arte de executar presépios. 


O presépio, em pedra, inserido num relógio enferrujado 

É desde a cidade italiana de Nápoles que Giovanni brinda os apreciadores de presépios com uns modelos bastante peculiares. As figuras que compõem as suas peças basilares são feitas em pedra e apresentam-se em formato miniatura, sendo uma das derivações nos seus trabalhos do nosso encantamento total. Giovanni utiliza velharias, inoperacionais para a sua função original, mas que demonstram ainda ter utilidade ao chegarem a umas mãos tão talentosas. Reciclando e dando nova vida a objectos antigos, é conseguido um efeito final impactante e muito do agrado dos coleccionadores. 



Exemplares inseridos em cafeteiras antigas

Caso pretendam aceder a mais fotografias dos autores, retratando as suas obras, basta seguirem as hiperligações inseridas no artigo. É para nós um regalo perceber a criatividade sem limites e que surgem surpresas a cada fotografia visionada. Foi um prazer contribuir para a divulgação destes trabalhos artísticos e esperamos ter já despertado o espírito natalício em todos vós. 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Jardins do Muro

Quem vai do Porto em direcção ao Norte e escolhe percorrer a Estrada Nacional 14, ao passar pela localidade de Castêlo da Maia, com grande facilidade, percebe estar em terra de gente que dá valor às antiguidades, velharias e peças de coleccionismo. Esta característica, que muito valorizamos, claro está, é perceptível pela significativa presença de lojas da especialidade, à beira da estrada e pela presença de inúmeros anúncios à Feira de Antiguidades e Velharias local , evento que, frequentemente, anda de boca em boca entre os apreciadores. Com isto tudo, não esquecer que estamos em terras do antigo Tertúlia Castelense, por isso, máximo respeito, pois, ainda que não com a extensão merecida, estamos a escrever acerca de um espaço de diversão nocturna mítico, inesquecível e inspirador que levou muitos de nós a dar valor ao que é antigo, elevando os respectivos objectos coleccionáveis "àquela" adoração. 


Visão de sonho para os apreciadores

Um pouco mais à frente, assim que passar o cruzamento da Nordesfer, também conhecido pelas longas filas de trânsito que proporciona, poderá encontrar o peculiar Jardins do Muro. Este é um amplo espaço, localizado na freguesia trofense de Muro, que oferece um naipe único de produtos: lenha e similares, mobiliário e acessórios para o jardim, campismo e praia, plantas ornamentais e... velharias, muitas velharias. A forma como estas relíquias se apresentam faz as delícias daqueles que preferem o modo freestyle para encontrarem o tesouro que lhes faz reluzir os olhos. 


Um mar de oportunidades a perder de vista

Perante a imensidão de peças disponíveis a única certeza é a de que vai encontrar um pouco de tudo, por isso, qualquer que seja o objectivo do garimpo, a viagem nunca será em vão. Com orientação de Fátima Gomes, reserve algum tempo para as suas tarefas, pois o espaço é extenso e bem abonado. Aproveite o ambiente bucólico circundante para se deixar envolver completamente pelo mar de oportunidades, mas, não amoleça, prepare a sua capacidade negocial para quando chegar a altura do pagamento. Bom, na verdade, esta parte é indissociável da essência de quem compra e vende nesta área e é o frisson sentido que complementa o prazer. 

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Resort Empresarial

A antiga fábrica de tecidos em seda Lionesa (1944) tem no actual Centro Empresarial um fiel representante da sua bem sucedida dinâmica de negócio. No passado, no presente e antevendo o futuro, Lionesa é sinónimo de pioneirismo, de investimento arrojado e de sucesso conquistado com muita visão de mercado. Uma das referências da industria têxtil portuguesa sofreu um processo de metamorfose e agora vê o seu legado dar lugar a um "Resort Empresarial", um inovador espaço que agrega quase cem empresas dos mais variados ramos de actividade. Alguns dos nomes que escolheram alojar-se em Leça do Balio já se tornaram conhecidos de todos: Uber, Farfetch, Vestas, N Drive, Maersk, Vorwerk, Hilti e outros há que estão na forja para se juntarem a este lote de empresas mais reconhecidas pelo grande público. 



Se julgávamos que o atrevimento na inovação, por parte dos dinamizadores do centro empresarial, iria ficar pelo que é possível observar hoje, pasmados ficamos ao percebermos o projecto em curso para aquele espaço, à beira rio Leça plantado. Até 2025 está prevista a implementação de uma verdadeira cidade criativa, com condições de trabalho do mais avançado que há em Portugal e que prometem surpreender mesmo os mais habituados a estas andanças. Não será ao acaso a utilização actual do termo Resort Empresarial para definição do espaço, é verdadeiramente galopante o interesse suscitado, tanto em locais como na imensidão de estrangeiros que nos visitam.


Marmita Point

Actualmente, a decoração adoptada é contrastante com a tecnologia e perspectivas futuristas omnipresentes nos negócios que por ali se desenvolvem. Desengane-se quem pensa que o ambiente é robotizado, não, o conceito adoptado enveredou pelo poder do contraste e é muito curiosa a presença de antiguidades, de pinturas com ícones vintage, entre outras peculiaridades de outras épocas. O local destinado às refeições de quem leva a marmita para o trabalho dá o mote para um pequeno apanhado fotográfico daquilo que, naturalmente, nos saltou à vista, mas esperamos com este artigo ter aberto o apetite para a insubstituível visita presencial. 






Um presente, altamente tecnológico, que não esquece um passado que o inspira:

Rua Lionesa, 4465 - 671
Leça do Balio
Portugal

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

As francesinhas que são uma "Senna"...

Há catorze anos que a Rua da Torrinha é perfumada pelo aroma, inconfundível, de uma das iguarias mais conhecidas e procuradas na cidade do Porto. As francesinhas do restaurante O Afonso rapidamente ficaram conhecidas entre os portuenses, pois, para além da evidente boa confecção, têm uma aura a envolvê-las que é impossível de replicar. Aos poucos, a história desta casa vai-se desvendando e vai sendo conhecida a razão pela qual o sabor das suas francesinhas denuncia saber familiar e legado da própria cidade. Miguel Afonso é o homem que dá nome ao restaurante e pelas suas mãos passam todas as francesinhas que chegam às mesas, para além disso, é filho do dono do antigo Café Luso e foi neste local histórico que cedo começou a aprender os truques do ofício. Aos nove anos Afonso já era sabedor da importância de ter um bom prato para afamar a casa e durante mais de trinta anos viu sendo aprimorada a receita do pitéu portuense, até que surgiu a oportunidade de ter um primeiro negócio próprio, o Pontual, espaço ainda existente e que hoje tem a gerência do irmão. 


Restaurante O Afonso
(Créditos da fotografia O Afonso)

Desde que o cheiro da francesinha do O Afonso chegou ao nariz de Anthony Bourdain que o restaurante passou a figurar no topo das preferências daqueles que querem degustar aquele manjar. Hoje em dia é banal dizer-se que determinada francesinha é a melhor - até a melhor do mundo, imagine-se - mas parem de o fazer, pois isso é uma falácia. O que faz determinada iguaria destas ser especial é o sabor, claro, mas também a experiência proporcionada pelo lugar onde é servida e Bourdain encontrou no O Afonso um petisco libidinoso para a sua food porn e um ambiente pitoresco. Diz-se, meio em surdina, que até um elemento vegetariano da equipa de filmagens não resistiu a comer uma francesinha e isto sem pôr para o lado nenhum dos ingredientes que a compõem. 


Uma parede do restaurante a merecer atenção especial
(Créditos da fotografia O Afonso)

A afluência de clientes ao restaurante disparou com a projecção dada pelo programa de televisão Parts Unknown e Afonso não se limitou a recolher os louros, submetendo o espaço a obras de beneficiação para receber melhor quem o visita. Uma preocupação generalizada da clientela mais frequente foi a de saber se a extraordinária colecção dedicada a Ayrton Senna se mantinha no lugar, mas, felizmente, nada se alterou e o "pequeno museu" continua a merecer lugar de destaque na sala para descanso dos admiradores. 


Diversos objectos relacionados com o piloto brasileiro
(Créditos da fotografia O Afonso)

A colecção de Afonso começou em 1989, depois de no ano anterior ter visto o piloto ser campeão do mundo. Com grande altruísmo, o coleccionador impôs a si mesmo o objectivo de conseguir ter um espaço onde pudesse partilhar o espólio com os seus clientes e aquele aí está. Nas vitrinas do restaurante O Afonso poderá apreciar miniaturas de todos os carros pilotados por Ayrton Senna, uma estatueta representativa dos festejos do piloto na sua primeira vitória do grande prémio do Brasil, em  1991, entre outras preciosidades. 

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A pateira de caiaque

A sigla MAR tem correspondência feliz à denominação social da NELO e, como que por predestinação, refere-se também às iniciais de Manuel Alberto Ramos. Em finais dos anos setenta (1978) Portugal vivia ainda os primeiros tempos de uma nova conjuntura generalizada e foram muitos aqueles que tentaram aproveitar as oportunidades e se aventuraram em negócios próprios. Mas quem é que se iria lembrar de começar a produzir caiaques? Ora, Manuel Ramos! A certeza de que estava perante águas navegáveis levou "Nelo" a enveredar por esta área de negócio, com toda a confiança e o seu sucesso tem ecoado, com estrondo, por todo o mundo. A fórmula vencedora não é segredo para ninguém, pois Manuel Ramos não se coíbe de a divulgar nas suas aparições na imprensa: perfeccionismo, inovação e um espírito competitivo só comparável ao dos grandes campeões serão os principais elementos. A visão empreendedora está implementada na empresa e é facilmente perceptível através do arrojo com que a NELO vai passar a diversificar a sua oferta de produtos e serviços, saindo, deste modo, do seu caiaque de conforto. Não, desta vez não vamos enumerar as medalhas já ganhas pelos atletas/clientes da NELO; sim, desta vez o protagonismo vai todo para a empresa vila condense que está prestes a completar os seus 40 anos. Como não poderia deixar de ser, a data vai ser celebrada dando mais um passo rumo ao crescimento sustentado e, para tal, estará para breve a inauguração das novas instalações. Estando de férias ou a trabalhar, é natural que passe pelo lugar onde irá instalar-se a NELO, na zona industrial da Varziela, por isso, numa próxima ocasião, aperceba-se da magnitude do projecto e entenda a razão de ser do investimento milionário. Pela calada, que é como quem diz, sem grandes alaridos nacionais em muito devido à particularidade do negócio, a empresa e a marca vão crescendo e prometem vincar, ainda mais, as suas posições de topo no pódio.


Lembrança da Estalagem Pateira (pintada à mão)

Naturalmente, a maioria de nós só pode utilizar um caiaque em modo lazer, por isso e tendo como ponto de partida a bonita peça antiga acima partilhada somos levados a sugerir um destino de eleição para a sua prática. A Pateira de Fermentelos é a maior lagoa natural da Península Ibérica, abrangendo os concelhos de Águeda (maioritariamente), Aveiro e Oliveira do Bairro e tem na Estalagem da Pateira o local perfeito para o seu desfrute. Com uma localização privilegiada, na margem poente da pateira, este hotel oferece uma vista extraordinária para a "A Lagoa Adormecida", como também é conhecido este local idílico. A empresa que gere o negócio foi fundada em 1962, com o primeiro propósito de explorar o restaurante que antecedeu a estalagem. No decorrer da década de setenta, o rumo direccionou-se para a hotelaria e foi assim que se começou a desenhar aquela que é hoje uma importante referência no sector. De toda a oferta disponível e dada a temática do artigo, destacamos as actividade náuticas que podem ser experimentadas com apoio do hotel. Atreva-se a solicitar um caiaque e pelas águas tranquilas da lagoa deixe-se envolver no ambiente único proporcionado pela biodiversidade...

domingo, 22 de outubro de 2017

Moutinho Oculista

Os relatos históricos, relativos ao Porto dos anos cinquenta, do século passado, indicam-nos uma cidade a fervilhar vida, devidamente comprovados, por exemplo, através das magníficas fotografias alusivas àquela época com que, por vezes, nos vamos deparando. Quem tem a possibilidade de ainda contactar com pessoas que tiveram o privilégio de viver aquela década percebe, nas simples conversas, o quanto aqueles tempos marcaram e se tornaram inesquecíveis. O Porto de então era desperto perante os vários quadrantes da vida social e do forte espírito empreendedor que caracterizava e ainda caracteriza a Invicta nasceu, decorria, precisamente, o dia 8 de Maio, de 1957, a António Moutinho & Ca. Lda.


"Republicitar" a Moutinho Oculista

A fantástica publicidade antiga da marca, "acima republicitada" por nós, deixa entender que à denominação social foi acrescentada a marca comercial Moutinho Oculista e, ao longo do tempo, este nome acabou por entrar na memória colectiva dos portugueses. O comércio de artigos de óptica, instrumentos de precisão e cirurgia e material de laboratório foram as áreas de actividade em que a empresa inicialmente se movimentou e se consolidou, de tal modo que chega aos dias de hoje com a bonita idade de 60 anos. Parabéns! A identidade corporativa e a sua denominação actual denunciam o acompanhamento que a marca fez à evolução da área de negócio em que se movimenta. A loja na antiga Rua de Santo António; actual Rua 31 de Janeiro ainda existe, mas agora faz parte de uma rede de lojas de óptica com outros espaços incorporados, no Porto e em Lisboa. É para nós muito bom imaginar o que foi um Porto realmente vintage, com as ruas pejadas de senhoras com óculos de sol cat eye, como deixa supor o anúncio que temos o gosto de partilhar, tal como também é bom viver o presente da cidade e percorrê-la com a luz de outono, sem nos esquecermos da devida protecção "aos olhos delicados" recomendada pela Moutinho Ópticas

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

do arco da Belha

A expressão Arco da Velha é utilizada com frequência pelos portugueses, para além de soar bem ao ouvido, remete para o antigo e para o fora do vulgar e talvez seja por isso que é muito utilizada para dar nome a negócios. Quiseram a criatividade e a singularidade da cidade do Porto que a expressão ganhasse uma peculiar derivação, por isso, bebendo do sotaque portuense, no número 537, da Rua do Almada, tem assumido protagonismo na área do vintage a loja - do arco da Belha


Pontual apontamento decorativo na loja (créditos da fotografia - do arco da Belha)

Em mais nenhuma cidade do país se poderia fazer este trocadilho, só no Porto é que este faz sentido e os proprietários do negócio honram, com a sua presença, toda a responsabilidade de se revestirem da identidade portuense. A simpatia é inata à Susana e ao Luís, à qual conseguem ainda juntar a arte de bem receber e o cuidado de apresentarem um conceito de loja bem delineado. Naquele espaço poder-se-ão encontrar - garantidamente - as peças que compõem o imaginário dos apreciadores de ambientes vintage, com muitos artigos em vidro disponíveis, móveis estilizados e de várias proveniências, publicidade e memorabilia antiga, rádios e similares, automobilia, telefones, malas, faianças...


Várias peças em exposição na loja (créditos da fotografia - do arco da Belha)

As peças em faiança e porcelanas são a paixão que Susana tem nos genes, compreende-se por isso o entusiasmo e sabedoria para com estes artigos em particular, mas é perceptível o trabalho prévio de pesquisa, em conjunto com Luís, com toda a exposição e isto acrescenta valor ao trabalho de equipa. Há lojas de antiguidades que não têm critério nos artigos que apresentam,  mas não é isso que acontece na - do arco da Belha, ali percebe-se que existe uma triagem e só as peças que forem ao encontro do conceito definido são apresentadas. Por ali e através do exposto, muitas vezes, o cliente é levado até ao streamlined design de Raymond Loewy, até ao legado de José Olaio ou até às mais simples recordações, por exemplo, dos tempos de escola. 


Banca da dupla num mercado de rua (créditos da fotografia - do arco da Belha)

O bom gosto dos proprietários da loja abordada também se mostra em alguns eventos, com o nosso destaque a ir para o Mercadinho dos Clérigos, um mercado de rua que já conquistou o estatuto de visita obrigatória na cidade do Porto. Aos segundos e últimos sábados de cada mês a Rua de Cândido dos Reis ganha uma animação muito peculiar, devidamente adornada pela espectacularidade dos artigos à venda nas diversas bancas. Sempre que as condições climatéricas o permitam este será um programa que deverá ter em consideração e temos a certeza de que encontrará, facilmente, a banca da - do arco da Belha, tal é o destaque com que esta se apresenta. 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Jorge Lima Cabeleireiro(s)

Assinar o nome pessoal como marca do negócio em que se acredita é uma enorme demonstração de confiança no talento próprio. Quando se escreve sobre um cabeleireiro, actividade na qual senhoras e senhores procuram profissionais capazes de potenciar as suas características naturais de beleza, a coragem descrita assume relevo significativo. Confiante do seu talento como cabeleireiro, Jorge Lima deu o nome a uma marca que se transformou numa referência na arte de tratar dos cabelos e no acto altruísta de passar ensinamentos através da formação de novos cabeleireiros em centro próprio. Já são mais de seis décadas a disseminar um estilo, que vai para além dos salões e chega ao mundo da moda, da cultura e do espectáculo, por tudo isto o Cabeleireiro pluralizou-se e passou a Cabeleireiros, mas sempre com a assinatura Jorge Lima agregada.


Jorge Lima Cabeleireiro(s) "republicitado" por nós através de um anúncio dos anos sessenta

Os pilares em que assenta toda a estrutura montada são o reflexo do perfil do criador, um apaixonado pela actividade, um cavalheiro no trato, que fazia uso da liberdade criativa para ir ao encontro das pretensões do cliente. O talento teve continuidade na família, por isso temos a garantia de que continuaremos a ver o nome Lima associado aos cabeleireiros mais solicitados da cidade do Porto. Hoje em dia, as redes sociais permitem perceber o impacto que determinada marca tem junto do seu público, através dos comentários e avaliações e o que se pode constatar acerca da Jorge Lima Cabeleireiros é que tem uma legião de admiradores, na figura de clientes e formandos, pelos serviços entretanto diversificados. Elle Macpherson e Cláudia Schiffer são apenas dois dos inúmeros nomes mediáticos que figuram na galeria dos famosos que já experimentaram o estilo Jorge Lima e funcionam como um atestado de qualidade, mas nestas andanças não há nada como experimentar. Na Praça de Liége (98 a 112E), na Praça da Batalha (137 1º) ou na Rua Gonçalo Cristovão (124) poderá aceder à "história de sucesso" aqui abordada.

A Boa Reguladora

A antiguidade e longevidade de uma empresa, por norma, denunciam que os seus produtos têm qualidade e são fiáveis. Tratando-se de relógios, em que o desempenho das máquinas terá de ser irrepreensível para que os ponteiros não falhem com as horas, ainda mais se imagina fazer sentido a máxima acima assinalada. A Boa Reguladora foi fundada em 1892, por José Gomes Carvalho e acredita-se ter sido a primeira fábrica da Península Ibérica a dedicar-se ao fabrico de relógios. A primeira oficina da marca ou "fabriqueta" foi instalada na cidade do Porto e isto talvez se tenha devido ao facto do primeiro sócio de José Carvalho ser portuense, para além de ser um expert em relojoaria, profundamente motivado por frequentes viagens para a Suiça.


Uma imagem da Boa Reguladora em Villa Nova de Famalicão (retirada do site da marca)

Com o falecimento do primeiro sócio, poucos anos depois do início do projecto, José Carvalho viu-se obrigado a reinventar um negócio que dava mostras de ser viável e para tal utilizou a mesma estratégia inicial ao unir-se a quem sabia do ofício, apesar de numa primeira fase terem tido um "apêndice" em resultado de uma dívida da anterior parceria. José fez sociedade com o seu irmão, Lino de Carvalho, então conhecido negociante de relojoaria em Famalicão e não demorou até que o negócio se mudasse para aquela região, sendo o seu engrandecimento meteórico, isto, com certeza, em resultado das boas medidas implementadas. Instalou-se a fábrica junto à linha férrea, apostou-se em maquinaria pesada e estabeleceu-se uma relação de parceria com as entidades locais, muito agradadas com o recrutamento de mão de obra e a disponibilidade para modernizar a região. A Boa Reguladora prosperou no negócio dos relógios e soube aproveitar as suas valências técnicas para diversificar a oferta por áreas tão diversas como a carpintaria, serração, mais tarde os contadores de água e luz e ainda algumas participações modernistas em outras empresas de outros ramos.


Curioso documento, de 1933, por norma colado na parte de trás dos relógios

Os relógios da A Boa Reguladora ainda hoje são passíveis de observação em algumas estações de caminho de ferro da CP (na de Famalicão, por exemplo e como não poderia deixar de ser) ou postos dos CTT e transformaram-se em peças icónicas de decoração urbana, descreva-mo-las assim. Um barómetro para aferir do sucesso desta marca junto dos portugueses é perceber o quão frequente é encontrarem-se exemplares de relógios nas casas de familiares e amigos. Quem nunca se surpreendeu com as sonoras badaladas ou melodias de um relógio de parede ou de coluna?! Regalo de uns; incómodo para outros, o certo é que este tipo de relógios enraizou-se a dada altura em Portugal e faz parte do imaginário daquilo que seriam as casas portuguesas de antigamente. A Boa Reguladora é também uma marca muito particular por ter sido resgatada, das mãos de investimento estrangeiro ou de um mais que certo desaparecimento, por antigos funcionários que não se resignaram e, estoicamente, conseguiram reavivar, com sangue nacional, um nome que faz parte de um certo património industrial. Actualmente e através da empresa criada (Regularfama) para trabalhar a marca é possível recuperar peças antigas, adquirir exemplares mais modernos e até visitar as instalações históricas da A Boa Reguladora, em Famalicão, pois é lá que a actividade é exercida. 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Apesar dos seus 70 anos: cavalinho rampante

Os 70 anos do "cavalinho" não o impedem de permanecer na sua posição rampante e a Ferrari continua assim a ser uma das marcas mais valiosas no mercado de luxo e os seus produtos dos mais desejados. A maioria das pessoas apenas pode mesmo desejar um Ferrari, ter já é só para alguns, tais são os valores que lhe são aportados, mas o merchandising da marca sempre vai disponibilizando uns artigos altamente coleccionáveis, mais em conta e que dão para absorver um quinhão do prazer em ostentar o "cavalinho". 


Lápis com as cores icónicas da Ferrari

Foi em 1947 que a história da Ferrari se começou a desenhar e o uso deste termo não é ao acaso, pois a execução, nesse ano, do modelo 125 S (1500cc - 12 cilindros) marcou o materializar do sonho de Enzo Ferrari (1898 - 1988) em se lançar no mundo automóvel com um negócio bem estruturado e duradouro. Ferrari teve várias experiências prévias, que lhe permitiram ir engendrando o projecto daquela que viria a ser uma marca de sucesso estrondoso, das quais se destacam a sua incursão pela Alfa Romeo e alguns projectos próprios semente. Dotado de uma visão empresarial extraordinária, Enzo Ferrari aliou a bem sucedida competição nas pistas à ousada competição nos mercados comerciais, por isso foram vários os modelos de automóveis lançados que rapidamente se transformaram em ícones pela sua estética. O Ferrari Testarrosa ou o F40 são apenas dois exemplos, mas muitos outros poderíamos referir, bem como será interessante lembrar a genial utilização das cores como estratégia de incremento das vendas. Quem é que não queria um Ferrari amarelo?


Curiosas borrachas em forma de jantes

A Ferrari tem em Portugal uma legião de adoradores assinalável, ainda se lembram de ter sido noticiado por toda a Europa que por Felgueiras estaria o maior número de carros da marca, tendo em conta determinado rácio?! Talvez esta notícia fosse um pronúncio das "fake news" actuais, mas, isto é verdade, em Portugal existe um clube de proprietários Ferrari, o Clube Scuderia Rampante, organização que leva a todo o território alguns dos exemplares mais extraordinários da marca, através de ocasionais eventos. Não sabemos se existe algum Ferrari Dino em Portugal, mas este modelo seria aquele que escolheríamos para dar umas voltas, mas isto só até se esgotarem os cinco euros de gasolina previamente abastecidos...

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Mercearia e Confeitaria Africana

Estão a ver o projecto lisboeta "Lojas com História"?! Não?! Aquele louvável movimento que agrega sinergias, de vários quadrantes, com o propósito de proteger os espaços comerciais históricos e atribuidores de identidade única à capital... Esse mesmo! A Câmara Municipal de Lisboa desenvolveu este mecanismo de apoio aos comerciantes e presta-lhes apoio, de diversa ordem, financeiro, claro, mas também ao nível da identidade corporativa, em parceria com a Faculdade de Belas Artes. Entre outras intervenções, tudo é realizado mediante determinados requisitos, como é evidente, mas, aparentemente, o projecto está tão bem pensado que já há tentativas para replicar o modelo em outras cidades do país, como no Porto, a título de exemplo, com o projecto "Porto de Tradição". Há uma circunvalação que separa a Invicta da cidade e concelho de Matosinhos, por isso pode ser que com esta proximidade, tantas vezes responsável por deixar confusos forasteiros e até locais, haja um efeito de contágio e esta sensibilidade para com o tipo de património abordado chegue ao lado matosinhense. As Eleições Autárquicas 2017 estão à porta, o que será uma excelente oportunidade para atentar nas promessas eleitorais dos candidatos e decidir o destino mais salutar para as cidades de Portugal, tão diferenciadas e ricas em identidades próprias.


Fachada da Mercearia e Confeitaria Africana

Pertencente ao concelho de Matosinhos, é em São Mamede de Infesta que está localizada a Mercearia e Confeitaria Africana, no Amial, bem perto do campo do Sport Progresso, um espaço comercial com largas décadas de história e que conta estórias na voz da sua proprietária e nos sinais do tempo que ainda mantém. A casa chama a atenção de quem passa, desde logo pela espécie de vitral indicativo do seu nome, naquilo que se poderá considerar um exercício de "lettering" muito bem feito, à época, pelos seus executantes. " - Não imagina a quantidade de vezes que já me quiseram comprar os painéis..." Acreditamos, piamente, nisso, pois são, de facto, muito impactantes, como se pode perceber até por fotografia.



Extraordinária fotografia antiga, indicativa do movimento na Africana

Nos dias que correm a oferta de produtos da Africana resume-se a fruta, legumes e alguns artigos para o lar, mas nem sempre foi assim, como se percebe através da fotografia anexada. Ao que parece, em outros tempos, seriam servidos petiscos e bebidas ao balcão, fazendo jus à fama que ainda hoje permanece pelo Amial do lado matosinhense: petisca-se muito bem! Duas balanças denunciam a venda de produtos a granel e as estantes recheadas indicam a diversidade existente na altura, sendo certo que haveria lugar para os doces e salgados. 





Chá e café com indicação artística da origem

O interior da loja, infelizmente, vai sendo paulatinamente descaracterizado, pois as intervenções de manutenção na estrutura não denotam orientação especializada. A organização interior padece da ausência do mobiliário típico de mercearia antiga, peças que já existiram, mas que foram sendo substituídas sem critério. Ainda assim, são magníficos os elementos decorativos que ainda restam e estes, por si só, merecem uma visita para observação mais detalhada.  



Painéis com pinturas que retratam as origens dos produtos

Segundo a proprietária, o negócio nada tem que ver com o que já foi há quarenta anos atrás, altura em que ficou com a centenária Africana. O actual fraco volume de vendas e o facto de estar sozinha a trabalhar na mercearia causam-lhe desânimo e a nós deixam-nos apreensivos com a possibilidade de fecho do estabelecimento. Pode ser que a já abordada crescente sensibilidade autárquica para com este tipo de património ainda vá a tempo de salvar esta loja histórica, até por se estar a começar a perceber nesta zona do Amial uma relevante presença de turistas, sempre ávidos de encontrar a identidade local através destes lugares. 


Moinho antigo de café

A finalizar, uma curiosidade, ainda na senda das abordagens para compra do espólio da mercearia. Bem escondidos, atrás de uns expositores, encontrámos dois moinhos de café antiquíssimos e a razão apresentada para tal ocultação está nas contínuas ofertas feitas para os adquirirem. Os moinhos funcionam e são muito apetecíveis para os coleccionadores, para os vendedores de antiguidades e para outros comerciantes que os querem para decoração, daí o constante corrupio de potenciais compradores na Africana.

domingo, 24 de setembro de 2017

Coleção Mendes

A vila alentejana do Redondo é conhecida pelos vinhos de eleição e pela apetitosa e variada gastronomia, representativa de toda uma região e chamariz para a visita dos forasteiros de apetite voraz. O Redondo é também a terra dos artesãos de hábeis mãos, é um lugar onde a história pulsa e se adorna até com monumentos megalíticos, imagine-se, mas o que faz este lugar realmente especial é a genuinidade das pessoas que o habitam. Esta salutar característica não vem descrita com pormenor nos folhetos informativos que alimentam a indústria do turismo e ainda bem, pois toda aquela identidade é para ser sentida presencialmente. Não faltam motivos para uma visita ao Redondo, para quem prefere seguir os roteiros institucionalizados, o Ruas Floridas de Redondo, por exemplo, será um evento a colocar na agenda, mas nós vamos deixar uma sugestão alternativa que promete não defraudar quem se atrever a optar por uma incursão diferente. 


Clarimundo Bota Mendes

Foi em Agosto de 2014 que o Sr. Mendes, figura conhecida e estimada no Redondo, inaugurou o Museu Privado, um amplo espaço, totalmente preenchido com peças antigas que abrangem as mais diversas áreas. Os carros antigos sempre foram uma paixão deste coleccionador e pelas suas mãos já passaram modelos tão icónicos como um Ford Anglia, um Austin-Healey Sprite ou o Citroën DS 21, por isso não é de admirar que seja um Citroën 11 CV, de 1947 e conhecido em Portugal como "arrastadeira" a abrilhantar toda a colecção. 




Clarimundo Mendes e o seu Citroën 11 CV

Ninguém ficará indiferente a este extraordinário automóvel e é um regalo perceber que, para além de estar exposto no Museu Privado, ainda passeia toda a sua classe pelo Redondo. A colecção do Sr. Mendes reflecte muitas das suas vivências e os seus tempos de tropa e a sua paixão pela música assumem evidente protagonismo. Exímio tocador de acordeão, é frequente pegar num dos exemplares de que dispõe na sua colecção e aceder aos inúmeros convites para participar em animados convívios com gentes da terra, programas onde não falta a boa comida, acompanhada, a preceito, por bons vinhos e histórias de outros tempos.


Toda a identidade de uma região numa simples fotografia

A Coleção Mendes não obedece a um critério de coleccionáveis, por isso o que está exposto abrange diversas áreas e estas são tão distintas como a política, as forças armadas, a música, os automóveis clássicos, a escola antiga, a costura... Este é um espaço de memórias que o Sr. Mendes continua a fazer crescer, com muita dedicação e para tal percorre tudo o que são lojas de antiguidades e feiras, assumindo-se também como um salvador de património, ao evitar a ida de muitas relíquias para o lixo e um agradecido receptador a quem pretender delegar-lhe a missão de preservar aquela peça especial, mas que perdeu lugar lá em casa.


Candeeiros a petróleo e restante colecção em fundo

Caso pretenda conhecer o Museu Privado de Clarimundo Mendes saiba que apenas terá de agendar a sua visita, por mensagem de correio electrónico (cbmendes007@gmail.com) e que não lhe será cobrado qualquer valor pela entrada. Será, sim, um programa diferente de visita à vila do Redondo, com a localização do espaço muito central a facilitar a orientação (Travessa do Galheto) e será ainda uma oportunidade única para aceder a preciosas dicas, por parte de um local e profundo conhecedor da região, de modo a alcançar uma plena experiência de lugar. 


Uma visita sempre acompanhada e relatada pelo coleccionador

Dada a raridade e espectacularidade de algumas das peças presentes na colecção, é natural que isto possa suscitar o interesse para as mais diversas finalidades, por isso dizer ainda que há disponibilidade para promover o aluguer, sendo que para mais informações deverão contactar o prezado coleccionador Clarimundo Bota Mendes. É sempre um prazer contribuir para a divulgação de projectos que, para além da óbvia paixão pelo coleccionismo que exultam, pretendem mostrar às gerações mais jovens a Memorabilia d'Antigamente que vai fazendo parte da nossa história. Felicitações!